Frederico Varandas: "O Sporting jamais se ajoelhará a esta escumalha"

O presidente dos Sporting reagiu ao cântico "Alcochete sempre", que foi entoado pelas claques quando a equipa chegou aos Açores, onde defronta esta segunda-feira o Santa Clara.

"Mais do que grave é chocante. As pessoas que fizeram aquilo têm um nome, mas neste país há medo de chamar as coisas pelo nome, são uma escumalha que não tem mais lugar no Sporting". Foi desta forma que o presidente do Sporting, Frederico Varandas, reagiu esta segunda-feira ao cântico "Alcochete sempre" que foi entoado no domingo pelas claques à chegada da equipa aos Açores, onde hoje defronta o Santa Clara em jogo da 14ª jornada da I Liga.

Perante a receção de que foi alvo a equipa à chegada ao hotel em Ponta Delgada, o dirigente leonino deixou uma garantia aos sócios: "o Sporting jamais se ajoelhará a esta escumalha. Jamais porque esse tempo não volta mais".

Em declarações aos jornalistas, Frederico Varandas considerou que os cânticos alusivos ao ataque à Academia de Alcochete têm como objetivo prejudicar o clube. "Esta escumalha só quer duas coisas: que o Sporting perca e que que o tempo volte para trás", disse.

Gritos e cânticos de adeptos a que os jogadores não ficam indiferentes, afirmou. "Isto afeta a equipa, em todos os jogos, eles sabem que isto afeta, porque o que querem é que o Sporting perca", reforçou. "O ataque a Alcochete não está marcado só nos jogadores, ainda está no clube", quem diz, ainda está a reerguer-se do que aconteceu a 15 de maio de 2018 quando cerca de 40 adeptos invadiram a academia de Alcochete e agrediram vários membros do plantel e da equipa técnica do Sporting.

Varandas recordou que nesse dia "o Sporting perdeu, entre rescisões e vendas com a corda na garganta, cinco jogadores dos mais valiosos do plantel e dezenas e dezenas de milhões de euros". "Vou repetir: dezenas e dezenas de milhões de euros", sublinhou.

"Este desastre desportivo e financeiro mataria muitos clubes. E hoje ainda estamos frágeis e a reerguermo-nos do que aconteceu nesse dia", acrescentou. Disse ainda que "incitar à violência, ao ódio" é um "crime público e que "não é por uns cobardes que agem em grupo, encapuzados", que "podem estar acima da lei", assegurou.

"É um problema da sociedade portuguesa"

Considerou que apesar da violência no futebol ser "um problema da sociedade portuguesa", o clube não vai ter receio de "enfrentar a batalha sozinho".

No domingo, o Sporting repudiou "mais um ataque feito à sua equipa de futebol profissional, hoje [domingo] nos Açores, em linha com outros ataques feitos desde o início da época". "Cânticos de 'Alcochete sempre', com gente outra vez de cara tapada, depois de vários atletas terem ido depor a tribunal e quando outros ainda terão que ir a tribunal é uma vergonha e uma manobra de coação", referiu o clube, em comunicado.

O Sporting considera que "louvar, promover, glorificar o dia mais negro da história do Sporting, em cânticos, é um incitamento à violência e ao ódio".

"E, além de ser chocante para os nossos atletas, para os nossos sócios, não é já apenas um problema do Sporting, é também um problema do futebol português, é também um problema do Estado Português e não há mais tempo, nem mais pretextos, para que se continue a assobiar para o lado perante as evidências e perante os gravíssimos sinais que todos podem observar", lê-se no documento.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG