Ela só quer jogar à bola. Meteu o clube em tribunal, mas só recebeu ameaças de morte

Marcarena Sánchez é jogadora do UAI Urquiza e quer que o clube reconheça o vínculo laboral.

Em 2012, então com 20 anos, a argentina Macarena Sanchez deixou sua cidade natal, Santa Fe, para se mudar para Buenos Aires e jogar no UAI Urquiza, um dos quatro grandes clubes do futebol feminino da Argentina. Desde então foi campeã nacional por quatro vezes e ficou em terceiro na Taça Libertadores. Tudo isto sem assinar contrato e receber para tal. Como o futebol feminino na Argentina não é profissional, mas amador, recebia de forma não oficial o seu vencimento (400 pesos, cerca de 10 euros por mês para deslocações para o treino), pois para todos os efeitos não tinha vínculo laboral com o clube. Uma situação que Sanchez resolveu reverter de forma a garantir que as jogadoras de futebol tenham os mesmos direitos laborais que qualquer outro trabalhador.

A missão não foi nem é fácil. Quando ela começou a reivindicar direitos começaram a surgir alguns "imprevistos". A meio da atual época e depois de um período de férias, o treinador ligou a dizer que não contava com ela para a segunda metade da época. Como não tinha contrato, a rescisão não foi formal, logo, ela não recebeu qualquer compensação. Pela mesma razão, Macarena não podia recorrer ao sindicato dos jogadores de futebol. Revoltada, decidiu avançar para tribunal. "Intimei o clube para ser regularizada e reconhecida como jogador profissional, e a AFA (Federação Argentina de Futebol) para interceder", explicou Sanchez, que veria a situação piorar mais e mais... ao ponto de receber ameaças de morte.

O clube, o UAI Urquiza, recusou a fazer declarações, exceto para repudiar as ameaças contra Sanchez.

Já a federação argentina desculpou-se com o facto de a reclamação não ter sentido visto que ela não tem contrato laboral. "Elas não são jogadoras profissionais", defendeu Jorge Barrios, explicando que para que "a federação possa reconhecer a relação de trabalho, tem que haver um contrato." Atualmente, os clubes estão apenas obrigados a apresentar uma lista de jogadoras com base na boa fé de todos os intervenientes, tal como acontece no futebol amador. Algo que a jogadora rebate: "Estamos constantemente a ouvir que somos amadoras e realidade não é essa, cuidamo-nos como atletas de alto rendimento. Exigimos ser profissionais". E sem recorrer a esquemas. Segundo ela, as grandes equipas argentinas, como o Boca Juniors, River Plate, UAI Urquiza e San Lorenzo "tem um sistema", que consiste em oferecer emprego no clube ou em outra entidade ligada ao clube, como empresas de limpeza por exemplo.

A luta de Mararena é também a de cerca de milhares de argentinas que jogam à bola e querem ser profissionais.

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