Dos donativos até quem procura a vacina. Como o mundo do desporto luta contra o covid-19

Os três principais clubes portugueses estão mobilizados contra a pandemia. Um exemplo que está a ser seguido um pouco por todo o mundo, onde surgem vários donativos de dinheiro e de material clínico para ajudar a combater o coronavírus. Na NBA há um movimento para ajudar quem perdeu o trabalho.

O mundo está em alerta máximo por causa do coronavírus. A vida das pessoas mudou radicalmente nos últimos tempos e os esforços estão concentrados para combater a pandemia. Os desporto foi um dos setores que mais foi afetado com o surto, pois as competições foram suspensas e os atletas obrigados a treinar em casa, respeitando as diretrizes das autoridades sanitárias para que a doença não se propague. Apesar da paralisação, atletas e clubes têm multiplicado esforços para, utilizando a força mediática que têm, ajudar no combate ao covid-19.

Em Portugal, chegou esta quarta-feira a notícia de que Vítor Magalhães, presidente do Moreirense, doou dez ventiladores ao hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães. Uma decisão que vem na sequência de ações desenvolvidas também pelo Benfica, através da sua fundação, e pelo Sporting.

Os encarnados adquiriram três ventiladores e colocaram-nos à disposição do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para hospitais de Lisboa, Porto e Coimbra. E, além disso, atribuíram um apoio social de emergência, através da Fundação Benfica, para ajudar três mil idosos que se encontram isolados, que passam a receber packs alimentares para diminuir o impacto da pandemia junto de um grupo de elevado risco.

Já o Sporting disponibilizou o pavilhão João Rocha e o relvado sintético que lhe está adjacente para que se ali sejam instalados hospitais de campanha. Além disso, o presidente Frederico Varandas colocou à disposição do SNS os seus serviços de médico, bem como de todo o departamento clínico do clube para ajudar no combate à pandemia.

E também o FC Porto já veio oferecer o seu pavilhão para que sirva de hospital de campanha ou de local onde os profissionais de saúde possam descansar, além disso a partir de segunda-feira irá, em colaboração que um dos seus patrocinadores, fornecer refeições para o pessoal hospitalar.

O primeiro impacto do covid-19 foi sentido na China, mais concretamente na cidade de Wuhan, onde surto eclodiu. E logo à medida que os efeitos da pandemia foram sendo sentidos pela sociedade, as grandes estrelas do desporto chinês fizeram donativos para ajudar ao combate da pandemia, desde logo a ex-tenista Li Na e o campeão de boxe Xu Can, ambos nascidos em Wuhan.

Mas da China chegou também o exemplo de um português, Vítor Pereira, treinador do Shanghai SIPG, que pagou do seu próprio bolso 30 mil toucas de proteção e 20 mil mascaras médicas para dois hospitais da cidade onde trabalha, Xangai.

Empresa do presidente do Hoffenheim à procura da vacina

O curioso é que está nas mãos de um agente desportivo, mais concretamente do alemão Dietmar Hopp, presidente do Hoffenheim, uma das fontes de esperança para encontrar uma vacina que possa ajudar a terminar com a pandemia.

Aquele que é o dirigente mais odiado do futebol da Alemanha, que tem contra ele uma legião de adeptos que acha que a federação lhe concedeu uma exceção à lei para ser dono de um clube, é proprietário da empresa biofarmacêutica CureVac e é aí que se está a ultimar o desenvolvimento de uma vacina para combater o coronavírus. A perspetiva de alcançar esse sucesso já mereceu o piscar do olho de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos que quer adquirir a exclusividade dessa fórmula mágica, mas Hopp já mandou o recado de que todos no mundo têm de ter acesso à vacina.

Os alemães, que foram vilões noutros episódios da história mundial, parecem agora empenhados em resolver este problema que afeta praticamente todo o planeta. E um dos exemplos foi dado pelos futebolistas da seleção nacional alemã, que doaram 2,5 milhões de euros para ajudar a combater a pandemia. A revelação foi feita esta quarta-feira pelo diretor desportivo Olivier Bierhoff, revelando que a iniciativa partiu dos atletas liderados pelo capitão Manuel Neuer, com a ajuda de Mathias Ginter e Leon Goretzka.

Itália: Paulo Fonseca e campeões do mundo muito ativos

É, no entanto, a Itália que a passar pelo maior drama na Europa, uma vez que a pandemia já causou quase três mil mortos. Uma tragédia sem fim à vista que tem mobilizado clubes e futebolistas na ajuda no combate ao covid-19. O AC Milan, através da sua fundação, doou 250 mil euros aos hospitais da região da Lombardia, uma das mais atingidas pela doença.

Já a Juventus, Inter Milão e AS Roma desenvolveram campanhas de angariação de fundos para auxiliar os hospitais. Os romanos, além de terem distribuído esta terça-feira materiais de prevenção nos hospitais da capital italiana, entre os quais 13 mil máscaras cirúrgicas, angariaram ainda mais de 250 mil euros, com a ajuda do treinador, Paulo Fonseca, que além do donativo participou na campanha de sensibilização promovida pelo clube.

A título individual, Francesco Totti, antiga estrela da Roma e da seleção italiana, lançou também uma campanha de fundos, através do site GoFundMe, para ajudar o Hospital Spallanzani, que está a construir novas salas de Cuidados Intensivos e precisa equipá-las para receber os infetados. O antigo avançado, através de uma parceria com uma marca de sabão em pó, doou ainda 15 dispositivos para monitorizar os sinais vitais dos doentes.

Contudo, Totti não fica por aqui, pois é um dos jogadores campeões do mundo pela squadra azzurra em 2006, que lançaram uma campanha para angariar um milhão de euros para a luta contra a pandemia. Além do antigo capitão da Roma, participam ainda Andrea Pirlo, Del Piero

A Juventus, onde joga Cristiano Ronaldo, já atingiu mais de 400 mil euros em fundos que serão distribuídos pelos hospitais de Turim e de toda a região de Piemonte. Por sua vez, o Inter Milão atingiu um montante a rondar os 500 mil euros, angariado entre os seus jogadores, treinadores e funcionários, mas prepara-se também para iniciar uma campanha junto dos seus adeptos.

O veterano sueco Zlatan Ibrahimovic que em janeiro regressou a Itália para representar o Milan também decidiu criar um fundo para ajudar os hospitais Humanitas nas cidades de Milão, Turim, Bérgamo, Catânia e Castellanza.

Valladollid recusa testes para dar a quem mais precisa

O francês Paul Pogba aproveitou o dia do seu 27.º aniversário, no passado domingo, para lançar uma campanha em parceria com a UNICEF, para angariar 30 mil euros para comprar luvas descartáveis, mascaras cirúrgicas e óculos para entregar aos profissionais de saúde que estão no combate à doença. Nesta campanha, o jogador do Manchester United prometeu que se o objetivo for alcançado irá doar a mesma quantia do seu bolso.

Em Espanha surgiu uma contribuição diferente nestes momentos de emergência mundial. O Valladolid, clube que é propriedade do antigo avançado brasileiro Ronaldo, recusou os kits de teste para o coronavírus que foram enviados pela Liga espanhola para que os seus jogadores fizessem o rastreio. Em comunicado, justificou a decisão com motivos éticos e médicos, afinal "existem pessoas muito menos abastadas que precisam mais dos testes" do que o Valladollid. "São essas pessoas que devem ter prioridade", frisou o clube da I Liga espanhola.

Já o Espanyol, de Barcelona, fez questão de enviar 450 mil máscaras para a cidade chinesa de Wuhan, onde o vírus começou a ser disseminado, numa espécie de homenagem ao seu jogador chinês Wu Lei.

Quem não esquece as suas origens é o avançado Sadio Mané, do Liverpool, que enviou 45 mil euros para as autoridades sanitárias do Senegal, que lutam contra o coronavírus.

Numa altura em que os profissionais de saúde trabalham horas a fio para controlar a pandemia, o Chelsea tomou uma atitude de apoio a médicos, enfermeiros e auxiliares ao disponibilizar-lhes todos os quartos do hotel do seu estádio Stamford Bridge, o Millennium Hotel, para descansarem, suportando assim todas as despesas associadas.

A mesma decisão teve a famosa "classe de 92", jogadores que foram formados e brilharam no Manchester United, que disponibilizaram o hotel do qual são sócios para o sistema nacional de saúde britânico. Gary Neville, Phil Neville, Paul Scholes, Nicky Butt e Ryan Giggs são os donos do Hotel Football, que fica perto do estádio Old Trafford e tem a partir de agora 133 quartos à disposição de pessoas em quarentena que não podem ficar em casa perto das suas famílias. A revelação foi feita por Gary Neville no Twitter.

A cúpula do futebol também já demonstrou preocupação com a pandemia, tendo a FIFA através do seu presidente Gianni Infantino anunciado recentemente a intenção de doar 10 milhões de dólares (9,2 milhões de euros) a um fundo da Organização Mundial de Saúde para o combate ao coronavírus.

NBA preocupada com os desempregados

Na NBA, a liga profissional de basquetebol norte-americano, a preocupação vai para aqueles que trabalham no espetáculo, mas não auferem os salários milionários das grandes estrelas. Michael Jordan, para muitos o melhor basquetebolista de sempre e atual proprietário dos Charlotte Hornets, sensibilizou os jogadores da sua equipa para ajudar financeiramente os cerca de 500 funcionários que trabalham no pavilhão e que viram o seu trabalho parar por causa da pandemia.

Uma preocupação semelhante a outras estrelas como Giannis Antetokounmpo (Milwaukee Bucks), Zion Williamson (New Orleans Pelicans) e Blake Griffin (Detroit Pistons), que doaram dinheiro para os empregados ficaram sem emprego devido à suspensão da NBA.

Numa espécie de tentativa de redenção por ter gozado com as medidas de prevenção, Rudy Gobert, por ironia o primeiro basquetebolista infetado com o vírus, veio agora dar 200 mil dólares (185 mil euros) para os funcionários do pavilhão dos Utah Jazz, 100 mil dólares (92 mil euros) para os serviços sociais da cidade e de Oklahoma City e mais 100 mil dólares para o combate ao coronavírus em França, o país onde nasceu.

Karl-Anthony Towns, poste dos Minnesota Timberwolves, optou por ajudar a Clínica Mayo com 100 mil dólares para a investigação com vista a criar novos testes de deteção do coronavírus.

Mais donativos e movimentos de solidariedade são esperados nos próximos tempos, afinal o mundo desporto costuma ser um dos principais veículos de auxílio em tempos mais difíceis, como é este no combate contra a pandemia de covid-19.

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