Djokovic vs. Federer. A rivalidade chega ao capítulo 50, dura há 14 anos e está 26-23

Os dois tenistas lutam nesta quinta-feira por um lugar na final do Open da Austrália. O historial é favorável ao sérvio, mas como o próprio diz... "Roger é Roger e neste tipo de jogos aparece sempre a um bom nível."

Novak Djokovic e Roger Federer encontraram-se pela primeira vez num court em abril de 2006, no ATP Masters 1000 de Monte Carlo. O suíço tinha 24 anos e já era um tenista consagrado (estava na liderança do ranking mundial); o croata apenas 18 e começava a mostrar-se no circuito, na altura ainda 64.º da hierarquia. O jogo terminou com a vitória de Federer por 6-3, 2-6 e 6-3 em 1 hora e 49 minutos.

Muita coisa mudou desde então. Federer mantém-se ao mais alto nível com 38 anos e Djokovic, de 32, tornou-se um dos melhores jogadores do circuito. Juntamente com Rafael Nadal, o trio tem dominado o ténis mundial na última década. O suíço, n.º 3 da hierarquia mundial, tem um total de 20 troféus em Grand Slams, mas pode ser igualado por Nadal caso o espanhol vença em Melbourne. Djokovic tem 16 títulos.

Nesta quinta-feira (08.00 da manhã em Portugal), nas meias-finais do Open da Austrália, o suíço e o croata vão voltar a defrontar-se, na 50.ª partida entre ambos desde que se encontraram no Mónaco naquele mês de abril de 2006. Um jogo que vale um lugar na final de Melbourne, um palco onde Djokovic já triunfou sete vezes (a última no ano passado) e Federer em seis ocasiões (a derradeira em 2018).

A história é favorável ao tenista nascido em Belgrado. Nos 49 confrontos já disputados desde 2006 venceu 26 e perdeu 23. Djokovic também lidera em finais (13 vitórias e seis derrotas). Em Grand Slam tiveram 16 frente-a-frentes, cinco deles em finais. Mas foi o suíço a vencer o último embate, na fase de grupos do ATP Finals de 2019, há dois meses.

Federer foi melhor durante vários anos, mas Djokovic passou a dominar este duelo particular a partir de 2015. Prova disso é o facto de ter vencido a últimas quatro finais de torneios disputadas contra o suíço (US Open e ATP Finals de 2015, Masters de Cincinnati de 2018 e Wimbledon em 2019).

Depois de na terça-feira ter salvo sete match points e eliminado Tennys Sandgren (n.º 100 do mundo) numa maratona de três horas e meia, um triunfo que o colocou pela 15.ª vez nas meias-finais do Open da Austrália, Federer queixou-se de problemas na virilha. Mas espera estar a 100% contra Djokovic.

"Espero estar recuperado. Não se pode dizer que isto seja uma lesão. São dores e problemas. Mas tenho dois dias pela frente, duas boas noites para dormir, fisioterapeutas, médicos. Penso que as coisas podem solucionar-se, também com a adrenalina de jogar uma meia-final de um Grand Slam. Vamos ver como me sinto", referiu Federer.

"O que o Roger conseguiu [salvar sete match points] foi assombroso. Demonstrou mais uma vez porque é um dos melhores jogadores de todos os tempos. Tem o gene dos campeões e nunca se rende. É verdade que ele não me vence num Grand Slam desde 2012, mas cada jogo tem a sua história. Cada vez que o defronto tenho de dar o melhor de mim. Julgo que atualmente não está na sua melhor forma, mas é sempre perigoso. O Roger é o Roger e neste tipo de jogos aparece sempre a um bom nível", analisou Novak Djokovic.

Dos 49 jogos já disputados entre os dois tenistas, há um que é lembrado como um dos melhores de sempre da história do ténis. Foi no ano passado, em julho, na final mais longa de sempre de Wimbledon (quase cinco horas), que o sérvio venceu em cinco sets, pelos parciais de 7-6, 1-6, 7-6, 6-4 e 13-12. Tudo num jogo em que Federer desperdiçou dois match points no seu jogo de serviço e quando vencia por 8-7 foram anulados de forma soberba por Djokovic, levando a decisão para o terceiro tiebreak, momento em que o sérvio voltou a ser mais assertivo (7-3).

Este será o quinto confronto entre Federer e Djokovic no Open da Austrália, torneio onde curiosamente nunca se cruzaram na final. O sérvio venceu três (2008, 2011 e 2016, sempre nas meias-finais) e perdeu apenas um, logo o primeiro, nos oitavos-de-final da edição de 2007.

As carreiras e os títulos

Novak Djokovic nasceu na cidade de Belgrado, hoje Sérvia e na altura Jugoslávia, a 22 de maio de 1987. Parte da sua infância foi vivida em plena guerra dos Balcãs - "a guerra é algo que não desejo a ninguém, é destruição, é perder famílias e pessoas queridas". Começou a jogar ténis aos 4 anos e como tinha jeito para a modalidade, com 12 começou a treinar na escola de Niki Pilic, em Munique, na Alemanha, onde permaneceu até aos 14 anos.

A paixão da família pelo desporto - o pai, um tio e uma tia foram esquiadores profissionais e o pai foi também jogador de futebol - teve influência na escolha da carreira como tenista. "O ténis foi uma bênção na minha vida, deu-me muitas coisas positivas. O meu amor pelo desporto é muito grande e, de certo modo, o ténis salvou-me a vida. Tive muita sorte em ter um pai e uma mãe que acreditaram nas minhas habilidades", disse há uns anos Djokovic, que se estreou como profissional aos 16 anos. No total tem 77 títulos conquistados e 16 foram Grand Slams. A primeira vez que chegou a número um mundial foi a 4 de julho de 2011.

Roger Federer nasceu em Basileia, na Suíça, a 8 de agosto de 1981. Filho de pai suíço e mãe sul-africana, começou a praticar ténis aos 8 anos, mas na adolescência foi considerado "inadequado" para o serviço militar obrigatório, tendo por isso prestado serviço na proteção civil.

Em 1998 entrou no circuito profissional de ténis e chegou à sua primeira final ATP da carreira no ano 2000, em França, tendo perdido para o compatriota Marc Rosset. O primeiro título da carreira chegou com apenas 19 anos, em Itália, numa altura em que já ocupava o top 10 mundial.

O grande impulso na carreira de Federer surgiu em 2003, quando venceu o seu primeiro Grand Slam, em Wimbledon, ao derrotar o australiano Mark Philippoussis (7-6, 6-2 e 7-6), culminando um torneio fantástico no qual apenas perdeu um set.

Foi no dia 2 de fevereiro de 2004 que alcançou pela primeira vez a liderança do ranking ATP, conservando essa posição durante 237 semanas consecutivas, que se tornou um recorde mundial. Federer acabaria mais tarde por destronar o recorde absoluto de semanas como melhor do mundo, superando as 286 do norte-americano Pete Sampras.

O melhor ano da carreira de Roger Federer foi 2006, quando ganhou 12 títulos e atingiu um recorde de 92-5 em sets. Chegou à final de 16 dos 17 torneios em que participou, ganhou três Grand Slam e perdeu outro, precisamente em Roland-Garros, diante do espanhol Rafael Nadal.

Federer é atualmente o jogador com mais títulos do Grand Slam, com um total de 20, um estatuto, porém, que pode ver Rafael Nadal igualar caso o espanhol conquiste o Open da Austrália.

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