De mansinho, "o cavalo selvagem" de Massarelos chegou ao ataque do Liverpool

Diogo Jota é reforço do campeão inglês. Assinou por cinco épocas. Saída do Wolves foi adiantada este sábado pelo treinador Nuno Espírito Santo. Tem 23 anos e é internacional português. "Faz parte desta inacreditável atual geração portuguesa", elogiou Klopp.

"Sei que o Diogo [Jota] foi muito feliz aqui, mas é normal que estes tipos de jogadores queiram novos desafios nas suas carreiras e juntar-se ao Liverpool é uma boa mudança para ele." Foi desta forma que Nuno Espírito Santo (NES) adiantou a saída do jovem avançado português dos Wolves .

Aos 23 anos a jóia de Massarelos (Porto) muda-se para o plantel do campeão inglês, onde jogam Salah, Mané ou Firmino no ataque. Os reds já oficializaram a contratação, depois de aceitar pagar cerca de 50 milhões de euros (mais 5, 4 milhões por objetivos) pelo passe do jovem internacional português, soube o DN. Vai jogar com o número 20.

"É realmente um momento emocionante para mim e para a minha família. Todo o meu percurso no futebol desde criança e agora, chegar a um clube como o Liverpool - que é o campeão mundial - é simplesmente inacreditável", disse o jovem jogador, confessando que era "impossível dizer não" ao clube inglês. E apresentou-se assim aos adeptos: "Penso que sou um jogador de equipa. Jogo na frente e o meu trabalho é encontrar uma forma de marcar golos e dar assistências. É isso que podem esperar de mim, que eu faça sempre o meu melhor."

Vai ser treinado por Klopp, um treinador que aprecia a polivalência do português. Pode explicar-nos porque considerou que Diogo Jota era alguém que queria trazer para o Liverpool? ""Meu Deus, muitas razões! Ele é um jogador que nos dá muitas opções. Tem 23 anos, está longe de ser um jogador feito, tem tanto potencial. Tem a velocidade, sabe combinar, sabe defender, sabe pressionar. E isso tudo torna-o imprevisível e dá-nos opções diferentes sistemas. Ele pode jogar nas três posições à frente num 4-3-3 e se jogarmos com quatro médios, ele pode jogar nas duas alas. O Diogo Jota tem algumas coisas naturais que temos no nosso jogo, como seja o desejo e a vontade de vencer. Ele faz parte desta inacreditável atual geração portuguesa. Eles têm realmente muitos jogadores bastante habilidosos. Vimos a seleção de Portugal da última vez, é bastante impressionante. Por isso, estou realmente feliz por tê-lo aqui. E ainda por cima, uma boa pessoa", respondeu o técnico alemão.

Jota assinou um contrato de cinco épocas. Esteve três épocas no Wolverhampton (44 golos em 131 jogos), na primeira ainda por empréstimo do Atlético de Madrid, sem ser titular absoluto, mas foi muitas vezes opção para Nuno Espírito Santo, com 44 golos desde 2017-18. "O Diogo é espetacular e todos sabem a relação que estabelecemos durante quatro épocas, três aqui, nos Wolves [a primeira no FC Porto], o que fez por nós foi absolutamente fantástico. Penso que vai para o sítio certo e desejo-lhe o melhor", acrescentou o treinador português.

Começou no Gondomar e marcava golos que se fartava. Seguido de perto por Benfica, FC Porto e até Sp. Braga, onde chegou a realizar alguns treinos à experiência, acabou no Paços de Ferreira. Carlos Barbosa, então presidente dos castores, deu ouvidos aos conselhos de Gilberto Andrade, antigo diretor da formação do Paços, que o recomendou.

"O Gondomar foi jogar a Paços de Ferreira e o Jota, que nós já acompanhávamos, tornou a fazer a diferença. Voltei a insistir com o presidente, dizendo-lhe que tínhamos de o contratar. Durante o jogo ele conversou com o presidente do Gondomar e o negócio ficou logo alinhavado", revelou o antigo coordenador dos pacenses ao DN em 2016, apelidando-o de "cavalo selvagem, com um talento inato".

Talento que se tornou grande de mais para a modesta equipa do Paços de Ferreira. Estreou-se com pelos castores com um golo na Taça de Portugal, frente ao Reguengos, na época 2014-15, lançado por Paulo Fonseca. Jota foi sendo aposta, fez 17 golos em 14 jogos e voltou então a se associado ao Benfica, mas o At. Madrid chegou primeiro e arrematou-o por sete milhões de euros.

O clube espanhol acabou por o emprestar ao FC Porto a pedido de Nuno Espírito Santo, que então treinava os dragões. Marcou um hat trick na estreia frente Nacional, mas no final da época os portistas não exerceram a opção de compra no valor de 22 milhões de euros e ele retornou a Espanha para novo empréstimo. Desta vez ao Wolverhampton, para onde NES se tinha mudado. Jota aceitou jogar no Championship (a segunda liga de Inglaterra) e ajudou a equipa a subir à Premier League, convencendo os dirigentes dos wolves a comprá-lo em definitivo.

Em Inglaterra solidificou o estatuto. O jovem avançado foi dando passos certo numa carreira discreta a nível pessoal, mas recheadas de grande clubes e já com chamadas à seleção nacional. Jota estreou-se pela seleção nacional no início de setembro e fez um golo à Croácia no Estádio do Dragão.

Diogo Jota é o oitavo português a vestir a camisola do Liverpool, depois de Abel Xavier, Raul Meireles, João Carlos Teixeira, Rafael Camacho, Tiago Ilori, Paulinho, Toni Gomes, além dos luso-guineenses Yalani Baio e Toni Silva.

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