Da goleada ao abismo, veio a barra e salvou o campeão

Nem um bis de Marega sossegou o FC Porto, que bateu (4-3) o Tondela (bis de González). Em vez de uma goleada, acabou a agradecer à barra no último minuto

Os candidatos ao título resolveram dar emoção aos jogos do campeonato e moral aos adversários: o Sporting empatou 2-2 em Famalicão, sofrendo quase metade dos golos dos oito jogos anteriores (5). Para o FC Porto, era um extra de motivação, porque se não se pode dar ao luxo de perder pontos, tem de mitigar a desvantagem.

Jogar em casa frente ao Tondela poderia ser esse dois em um: ganhar e encurtar caminho para o topo. E mais quando o bloqueio foi desfeito logo aos 3": Zaidu aproveitou uma boa combinação de Taremi e Otávio, que serviu o lateral para o 1-0.

Seguiu-se um natural período de confiança do campeão nacional, que construi golo sobre golo, mas não os concretizou. Marega, Taremi, Otávio - quem quer que fosse que estivesse com a baliza no ponto de mira, ou encontrava Niasse, ou falhava o alvo.

O Tondela de Pako Ayestarán tem recebido elogios pela qualidade, mas a verdade é que os resultados não o refletem. E nem sequer era uma equipa de golo fácil: tinha marcado seis em oito jogos, contra 14 sofridos.

Pois no Dragão, casa do campeão nacional, conseguiu virar o resultado fazendo apenas dois remates. Primeiro, num lance que define o nível de Mario González, da cantera do Real Madrid. Troca de bola com Rafael Barbosa, velocidade de execução e, na cara de Marchesín, classe a finalizar.

Pouco mais de dez minutos volvidos, foi o companheiro de ataque a marcar: bola perdida na área, remate quase sem ângulo de Rafel Barbosa e Marchesín não conseguiu tirar a bola da baliza. Estava feito o 1-2.

Curiosamente, não foi aqui que o FC Porto começou a duvidar da própria sombra. Isto para uma equipa que tem tido problemas defensivos que há muito não se traduziam em tanta mossa (há décadas que não encaixava tantos golos).

Para quem estava a ver o jogo de fora, nada melhor. Reviravoltas no marcador, a bola sempre a rondar a baliza (do Tondela) e muitos golos. "Os adeptos podem gostar, eu não gosto. Prefiro ganhar 1-0 do que 4-3", admitia com alguma frustração Sérgio Conceição, após o jogo.

Percebe-se. O FC Porto empatou três minutos depois do 1-2, com Marega a finalizar com subtileza após apanhar uma carambola.

A abrir a segunda parte, o maliano fez o 3-2, bisando. No campeonato desta época, Marega marca aos pares: Boavista (5-0 no Bessa) e esta noite. Novamente, o avançado a marcar com um toque virtuoso.

Este golo trouxe um segundo período de sufoco para o Tondela. Só à conta de Sérgio Oliveira, foram três golos cantados. Mas que não contaram: nunca acertou nas redes.

Ou seja, em posição de goleada moral, era improvável que o final do jogo tenha sido como foi. Com o FC Porto a tremer, algo descontrolado, e o Tondela a aumentar a crença.

Aos 74", Mario González também bisou e reduziu para o 4-3 final. Mas a partir desse momento, os dragões quase despareceram do radar atacante.

E se a Marchesín não se lhe apresentavam grandes trabalhos, ou sequer sustos, os colegas estavam a milhas do período a seguir ao 3-2 e ao 4-2. Uribe confirmou-o ao ver o segundo cartão amarelo numa falta sobre a linha lateral. Já aos 90"+1".

Para uma equipa que podia ter marcado quase uma dezena de golos, estar a ganhar por 4-3 já era algo aflitivo. Mas ter de agradecer à barra por rechaçar um tiro de Khacef, com Marchesín batido, foi como passar da euforia ao (quase) abismo.

Contas feitas, a equipa de Sérgio Conceição tem o melhor ataque da Liga (23 golos, tal como o Sporting), mas uma defesa sofrível. Com 13 golos sofridos, só há, neste momento, três equipas com registos piores: Famalicão (18), Tondela (18) e Boavista (15).

Desde o início de novembro, os dragões somam e seguem: seis vitórias e um empate com sabor a ouro: foi o 0-0 de terça-feira com o Manchester City, que garantiu o apuramento para a próxima eliminatória da Liga dos Campeões e uns belos 60 milhões de euros em receitas. Mas do 10-1 passou para um 14-4. Muitos golos marcados, mas também demasiados sofridos.

Ou seja, o campeão aproveitou o deslize do líder Sporting para encurtar para quatro pontos a desvantagem. Agora, espera pelos resultados do Sp. Braga (visita o Belenenses) e do Benfica (recebe o Paços de Ferreira), que este domingo começam a jogar com menos um ponto do que o FC Porto.

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