Corrupção no futebol espanhol. Jogadores e dirigentes detidos

Raúl Bravo, antigo jogador do Real Madrid é um dos detidos desta megaoperação anticorrupção. É considerado o cabecilha da organização criminosa de apostas ilegais e resultados combinados

Vários jogadores e dirigentes de clubes da primeira e segunda ligas de Espanha foram esta terça-feira detidos no âmbito de uma megaoperação anticorrupção no futebol. O antigo jogador do Real Madrid, Raúl Bravo, é, segundo o El País, um dos detidos. As autoridades consideram que o ex-futebolista é o cabecilha da organização criminosa que beneficiava de apostas ilegais e resultados combinados.

Entre os detidos estão Borja Fernández, médio do Valladolid, o presidente do Huesca - clube no qual alinha o defesa português Luisinho -, Agustín Lasaosa, Carlos Aranda, ex-jogador de várias equipas da primeira divisão, Samuel Saiz Alonso, do Getafe, Íñigo López Montaña, do Deportivo da Corunha e ex-jogador do Huesca. O jornal espanhol avança que terão sido detidas 11 pessoas.

Juan Carlos Galindo Lanuza, diretor do departamento médico do Huesca, que esta época foi despromovido à segunda divisão, também foi detido por se suspeitar que é um dos elementos desta rede criminosa, acusada de corrupção e lavagem de dinheiro.

Um vasto dispositivo da Polícia Nacional está na sede do Huesca a realizar buscas. "Não há nenhuma preocupação no clube", referiu o advogado do Huesca aos jornalistas. Afirmou ainda que estão disponíveis para colaborar com as autoridades e admitiu "incerteza" do que pode vir a acontecer.

"É doloroso, mas é importante acabar com a corrupção no futebol", disse o presidente da liga espanhola

Denúncia partiu da Liga espanhola

A operação anticorrupção no futebol espanhol tem como base uma denúncia que partiu da Liga espanhola. De acordo com o El País, que cita fontes da La Liga, o caso foi despoletado com o jogo da penúltima jornada da segunda divisão da época 2017/2018, o Huesca-Nastic, que acabou com a equipa da casa a perder. As suspeitas surgiram com as movimentações das casas de apostas a favor da equipa que somava menos 29 pontos do que o Huesca, que já tinha garantido a subida à La Liga.

"Isto parte de uma denúncia da La Liga. É doloroso, mas é importante acabar com a corrupção no futebol", afirmou Javier Tebas, o presidente da liga espanhola. O responsável afirmou que a investigação "leva mais de um ano". "Não podemos dizer nada, a polícia está a fazer o seu trabalho", afirmou Tebas citado pelo jornal Marca sobre a operação que a polícia espanhola desencadeou às primeiras horas da manhã desta terça-feira. O organismo que Javier Tebas lidera é responsável pelas competições profissionais de futebol em Espanha.

Jogo do Valência está sob suspeita

O encontro da última jornada da La Liga, que colocou frente a frente o Valência, onde joga Gonçalo Guedes, e o Valladolid, também está sob suspeita de manipulação de resultados, revelou o jornalista espanhol Nacho Abad no programa da Antena 3 Espejo Público. O jogo terminou com uma vitória (0-2) do Valência que via assim assegurado um lugar na próxima edição da Liga dos Campeões.

De acordo com o programa, a alegada manipulação de resultados não envolve os clubes e terá sido combinada entre jogadores que pretendiam ganhar dinheiro através das casas de apostas. Borja Fernández, um dos detidos nesta operação anticorrupção, foi titular no Valladolid no último jogo da sua carreira.

O Valência, em comunicado, desmarca-se das suspeitas e garante ser "completamente alheio ao assunto".

De acordo com a investigação, a rede criminosa selecionava jogos nas duas principais divisões do futebol espanhol e angariava futebolistas, aos quais pagava antecipadamente e em dinheiro para contribuírem para a vitória da equipa adversária.

Aquela forma de operar, permitia aos suspeitos apostar elevadas quantias em vários parâmetros do jogo: resultado final, resultado ao intervalo e número total de cantos, entre outros.

Federação espanhola apoia investigação

A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) condenou esta terça-feira a corrupção no desporto e manifestou disponibilidade para colaborar com a polícia, que hoje deteve vários jogadores e dirigentes por suspeita de manipulação de resultados.

Ana Muñoz, vice-presidente da RFEF, ofereceu "total colaboração à polícia nacional espanhola", que durante esta manhã deteve vários jogadores da primeira e segunda liga espanhola, suspeitos de terem criado uma organização para manipular os resultados de jogos e obter benefícios em apostas.

A vice-presidente do organismo que gere o futebol espanhol destacou o "trabalho magnífico" que a Unidade de Delinquência Especializada e Violenta "está a desenvolver em áreas como a corrupção no desporto e o branqueamento de capitais".

Atualizado às 13:24.

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