Clubes ingleses assaltam poder absoluto dos espanhóis na Champions

O Estádio Wanda-Metropolitano, em Madrid, vai receber a segunda final inglesa da história da Liga dos Campeões. Liverpool vai tentar o sexto título europeu perante um estreante Tottenham. O domínio inglês ameaça chegar também à Liga Europa...

A final da Liga dos Campeões 2018/19 coloca um ponto final a cinco anos de domínio absoluto das equipas espanholas e, ao mesmo tempo, do culto de uma estrela, afinal nesta sequência Cristiano Ronaldo foi coroado campeão por quatro vezes e Lionel Messi por uma.

A rotura é protagonizada por Liverpool e Tottenham, equipas que até podem simbolizar uma passagem de testemunho do domínio na Liga dos Campeões de Espanha para Inglaterra, com o simbolismo de o jogo se disputar precisamente em Madrid, no Estádio Wanda-Metropolitano, no próximo dia 1 de junho.

Esta é a segunda final inglesa da história da principal competição da UEFA, depois de em 2007/08 o Manchester United ter conquistado o troféu, em Moscovo, perante o Chelsea, no desempate por penáltis, depois de um empate 1-1.

O Liverpool chegou à nona final da sua história, sendo que se sagrou cinco vezes campeão europeu e foi finalista vencido noutras três, a última das quais na época passada diante do Real Madrid. Em caso de triunfo na final deste ano, os reds isolam-se como o terceiro clube com mais títulos europeus, apenas superados por AC Milan com sete e Real Madrid com 13.

Por sua vez, o Tottenham é um estreante nestas andanças, tornando-se o oitavo clube inglês a chegar à final da Taça/Liga dos Campeões. O currículo europeu dos spurs, contam-se apenas duas Taças UEFA (1971/72 e 1983/84) e uma Taça das Taças (1962/63).

Esta época poderá ser mesmo inesquecível para a Premier League, pois pela primeira vez na história das competições europeias, as finais poderão ter apenas clubes ingleses. Na Champions, já se sabe, estão Liverpool e Tottenham, enquanto esta quinta-feira se vão conhecer os finalistas da Liga Europa, com Chelsea e Arsenal bem colocados para chegar ao jogo decisivo que terá lugar em Baku, no Azerbaijão. Seria a primeira vez que tal aconteceria na história das provas da UEFA e seria mais um golpe profundo na hegemonia que os clubes espanhóis tiveram no futebol europeu nos últimos anos.

Spurs, os heróis nos golos fora de casa

O Liverpool chegou à sua segunda final da Champions consecutiva, com a épica vitória de 4-0 sobre o Barcelona, dando assim a volta à derrota de 3-0 sofrida em Camp Nou. A equipa de Jürgen Klopp iniciou esta caminhada com um segundo lugar no grupo C, atrás do milionário Paris Saint-Germain e à frente de Nápoles e Estrela Vermelha. Na fase a eliminar, deixou pelo caminho o Bayern Munique, graças a uma vitória de 3-1 na Alemanha, seguiu-se o FC Porto com um total de 6-1 e finalmente o Barça.

Se o Liverpool estaria, no arranque da Champions, como um dos candidatos a chegar à final, no que diz respeito ao Tottenham, poucos seriam aqueles que acreditavam que a formação de Mauricio Pochettino iria alcançá-la. Na fase de grupos, os londrinos foram segundos classificados do grupo B, atrás do Barcelona e com os mesmos oito pontos que o Inter Milão, acabando por garantir o apuramento para os oitavos-de-final graças ao golo marcado em Itália na derrota por (1-2), depois de ter vencido em casa, por 1-0.

Nos oitavos-de-final, o Tottenham despachou o Borussia Dortmund com um total de 4-0 nas duas mãos da eliminatória, que mostrou bem a superioridade inglesa. Só que a ronda seguinte tinha o poderoso Manchester City de Pep Guardiola, com o primeiro jogo a coincidir com o batismo do novo estádio dos Spurs na Champions. Um golo do sul-coreano dava esperança aos londrinos para a visita ao campeão inglês, mas a lesão grave do goleador Harry Kane era uma dor de cabeça para os adeptos e, principalmente, para o treinador. Apesar desse problema, o Tottenham deu uma excelente resposta, apesar de ter perdido por 3-4, acabou por ser de novo apurado graças aos golos fora de casa.

Uma receita aplicada já esta quarta-feira com o Ajax. A derrota em Londres, por 1-0, obrigava a uma noite épica da equipa de Pochettino. Contudo, ao intervalo, com os holandeses a vencer por 2-0, o destino da meia-final parecia traçado. Só que três golos do brasileiro Lucas Moura, reviraram a eliminatória e colocaram o Tottenham na final de Madrid. Um feito épico ainda mais porque para esta temporada os spurs não fizeram qualquer contratação, sendo o plantel constituído pelos mesmos jogadores que em 2017/18 foram eliminados nos oitavos-de-final pela Juventus.

Reedição de uma meia-final da Taça UEFA

Liverpool e Tottenham são, obviamente, velhos conhecidos do futebol inglês, com um total de 170 jogos disputados em todas as competições, sendo que o primeiro duelo aconteceu a 13 de novembro de 1909, com o triunfo dos londrinos por 1-0. Os reds levam, no entanto, vantagem neste duelos, com 79 triunfos, contra 48 dos spurs.

Curiosamente, esta época, o Liverpool venceu o Tottenham, por 2-1, nos dois jogos que realizaram a contar para a Premier League. Mas fora das competições inglesas, estas duas equipas disputaram em 1972/73 uma meia-final da Taça UEFA (atual Liga Europa). Em Anfield, os reds venceram por 1-0, mas no mítico White Hart Lane, foram os spurs a ganhar por 2-1.

Contudo, foi o Liverpool a ir à final da prova, tendo mesmo conquistado o troféu na final diante dos alemães do Borussia Mönchengladbach.

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