Carol Henrique: "Vai ser difícil ser campeã mas ainda não descartei nada"

A campeã nacional venceu a prova feminina do Allianz Sintra Pro, no passado sábado, na Praia Grande, e apesar de estar a lutar em várias frentes, não desiste de revalidar o título da Liga Meo

Venceu pela primeira este ano uma etapa, o Allianz Sintra Pro, depois de ter dominado a Liga o ano passado. Tem sido um ano complicado?

De facto, foram etapas muito difíceis este ano. Na Ericeira, o mar estava muito grande, demasiado grande, e acabei por ficar em terceiro pois estava muito difícil de fazer um surf técnico. O mar estava um pouco lotaria. No Porto, também encontrámos condições difíceis, com mudanças de maré muito pronunciadas e a adaptação foi complicada, até porque não é um mar que conheça bem, surfei lá muito pouco. Depois, na etapa da Figueira, fui convidada para competir nas triagens do CT de Keramas (Indonésia) e não pude comparecer. Finalmente, para Sintra já estava a cem por cento e acabei por vencer. Quanto ao título, vai ser difícil ser campeã mas ainda não está descartado.

A Camilla Kemp está a liderar o "ranking" mas ajuda o facto de a Teresa Bonvalot não ter estado em Sintra e, provavelmente, faltar ao resto da Liga...

Sim, a Teresa é sempre uma ameaça em qualquer etapa. Não sei se ela vai a Cascais, mas é a Camilla que está a liderar o ranking... enfim, não sei muito bem o que vem aí, quero manter o rendimento e a confiança e o resto logo se verá.

A ausência na etapa da Figueira da Foz deveu-se ao convite para os trials da etapa do CT de Keramas, que ganhou, e que lhe permitiu entrar no quadro principal da prova. Como surgiu esse convite e como foi toda a experiência?

O convite chegou através da Hurley, o meu patrocinador, e foi completamente inesperado. Foi tudo em cima da hora, mas era uma oportunidade única. O facto de ser um convite para as triagens significou que tive de fazer um campeonato inteiro para poder participar "no" campeonato, mas valeu a pena pois foi a minha primeira vez num CT.

Sentiu um fosso entre o nível do QS [Circuito de Qualifcação Mundial] e o nível do World Tour?

Eu sabia que ia ser muito difícil competir ali. Não só o nível de surf delas é muito elevado como estão rotinadas naquele circuito e eu entrei em cima da hora. Mas encarei como uma experiência. Basicamente, queria sentir como era vestir aquela licra. Tive a oportunidade de surfar com a Stephanie Gilmore e a Lakey Peterson, foi uma experiência inesquecível.

E a envolvência, o ambiente de um CT como atleta, foi um choque grande?

Senti grande diferença na organização. Muitas vezes, nas provas do QS feminino não sentimos que haja muita preocupação com as atletas. No CT, por serem etapas muito exclusivas, com muitas obrigações para com os patrocinadores, tudo é muito mais especial, um espectáculo. O QS é a divisão de acesso e é tudo muito à pressa, falta aquele carinho para com as surfistas, é tudo um bocadinho em série.

Voltando a Sintra, é uma etapa em que se dá sempre bem. Qual o segredo?

É verdade! É a terceira vez consecutiva que ganho ali. O campeonato teve lugar num verdadeiro dia de verão, com muita gente e gosto dessa energia, das pequenas coisas daquela praia que acabam por contribuir para o meu sucesso ali.

Segue-se a etapa de Aveiro, o Miss Activo Cup. Uma prova exclusivamente feminina e, como tal, também especial...

Gosto muito da etapa de Aveiro. É um campeonato só de miúdas, com nuito boas ondas e, sendo exclusivamente feminina, há muita preocupação de nos colocar nas melhores condições de mar possíveis. Mas ainda falta um mês, pelo quero concentrar-me em manter o ritmo e confiança até lá.

E, pelo meio, um compromisso internacional, certo?

Sim, dia 19 vou à California para um QS de 6000 pontos, em Oceanside.

Ansiosa por visitar uma das mecas do surf mundial?

Sim, claro. Ainda por cima, por ter vencido a etapa da Liga, vou com confiança em dobro! Adoro a Califórnia, respira-se muito surf. Vou tentar chegar com o mesmo ritmo que trago da Liga e deixar as coisas fluirem.

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