Peseiro inovou e o Sporting sofreu. Valeram os trunfos do banco

Leões realizaram uma exibição fraca durante 90 minutos e só acordaram perto do fim com os golos de Montero e Jovane. Mesmo assim a tempo de somarem três preciosos pontos num jogo que esteve muito complicado

A pergunta impoõe-se. E se José Peseiro não tivesse inovado no onze? Teria o Sporting sentido tantas dificuldades perante os ucranianos do Vorskla? Difícil dizer que sim taxativamente, mas a verdade é que foi só na segunda parte, depois de ter feito alterações, que os leões deram a volta ao jogo.

Foi um triunfo arrancado a ferros, com os golos da vitória a surgirem já muito perto do apito final do árbitro. Primeiro por Montero, que entrou aos 58 minutos e marcou aos 90'. E depois pelo miúdo Jovane Cabral (outra vez decisivo), que saltou do banco aos 70' e apontou o golo da vitória já na compensação. Um enorme suspiro de alívio, pois uma derrota podia complicar as contas do Sporting no Grupo E da Liga Europa.

Mas vamos então às inovações de José Peseiro. Talvez a pensar no jogo de domingo, em Portimão, o treinador dos leões surpreendeu no onze que apresentou, com Carlos Mané e Diaby no ataque como extremos a relegarem Montero e Raphinha para o banco. No lado direito da defesa, outra novidade: Bruno Gaspar jogou no lugar de Ristovski. Coisa estranha, tendo em conta que na conferência de imprensa de lançamento do jogo, Peseiro tinha avisado para os perigos do adversário, lembrando que uma equipa que marcou dois golos ao Arsenal (na derrota por 4-2) na Liga Europa e que venceu Zorya, uma das melhores equipas da Ucrânia, não podia ser assim tão má.

Foi uma primeira parte muito fraca dos leões, que jogaram de forma apática e viram os ucranianos adiantarem-se no marcador logo aos 10 minutos, com um bom golo de Kulach. Contra todas as previsões, o Sporting via-se em desvantagem, perante um adversário que à primeira vista estava perfeitamente ao alcance. Os leões só acordaram nos minutos finais da primeira parte, quando Nani deu um ar da sua graça.

É verdade que o Sporting dominou (mais posse de bola, mais cantos, mais remates à baliza), mas não fez o suficiente para pelo menos empatar o jogo, muito também por culpa de um Bruno Fernandes que está a anos-luz do jogador da época passada e porque na frente não há Bas Dost (lesionado).

A segunda parte começou com Peseiro a manter a mesma equipa. E por isso os mesmos problemas continuaram. Ou seja, pouca construção de jogo, exagero de bolas pelas laterais e Bruno Fernandes ainda apagado. O treinador dos leões mexeu pela primeira vez na equipa aos 58', lançando Montero para o lugar do apagado Carlos Mané.

A reação dos leões não surgiu logo. Continuou o jogo enrolado e Peseiro voltou a mexer aos 70'. Desta vez com uma dupla substituição. Entraram Raphinha e Jovane Cabral; saíram Petrovic e Diaby. E a partir daqui sim, houve melhorias, até porque o Vorskla preocupou-se mais em gerir a vantagem e ofereceu o domínio do jogo aos leões.

Montero quase empatou o jogo aos 79 minutos, com um pontapé de bicicleta que foi travado pelo guarda-redes Shust. Mas com tanto domínio e tanto recuo dos ucranianos, o golo do Sporting podia surgir a qualquer momento. E apareceu! Aos 90', Fredy Montero, a passe de Jefferson, dominou na área e rematou cruzado. Estava feito o empate.

O árbitro deu cinco minutos extra e o Sporting continuou a carregar. E Jovane Cabral, cada vez mais um joker de Peseiro, marcou na compensação o golo da vitória, na sequência de um contra-ataque iniciado por Raphinha que teve ainda a colaboração de Bruno Fernandes.

Foram dois golos saídos do banco, depois de José Peseiro ter retificado aquela que foi a sua ideia inicial. Por isso fica a pergunta. E se José Peseiro não tivesse inovado no onze? Teria o Sporting sentido tantas dificuldades perante os ucranianos do Vorskla?

Com este resultado, o Sporting soma seis pontos no Grupo E, os mesmos do Arsenal, enquanto Vorskla e o Qarabag continuam sem pontuar, o que deixa para já os leões bem lançados para passar a fase de grupos.

A FIGURA DO JOGO: FREDY MONTERO

O avançado colombiano, à partida, parecia que tinha lugar seguro no onze. Mas foi um dos jogadores relegados por José Peseiro para o banco, com o treinador a optar por lançar uma frente de ataque com Carlos Mané e Diaby como extremos e Nani sozinho no centro do ataque. A sua entrada no jogo, aos 58 minutos, acabou por ser determinante. Veio colocar em sentido os defesas ucranianos e deixou um primkeiro aviso aos 79, com um remate de bicicleta travado pelo guarda-redes Shust. Mas acabou por ser ele a marcar o primeiro golo do Sporting, na altura o empate, com um remate cruzado na área.

FICHA DE JOGO

Estádio Oleksiy Butovsky, em Poltava.

Vorskla Poltava: Shust, Perduta, Chesnakov, Dallku, Artur, Kravchenko (Gabelok, 84'), Sklyar, Sharpar, Kulach (Sergychuk, 62'), Rebenok e Kolomoets.

Treinador: Vasyl Sachko.

Sporting: Salin, Jefferson, André Pinto, Coates, Bruno Gaspar, Petrovic (Jovane Cabral, 70'), Bruno Fernandes, Nani, Diaby (Raphinha, 70'), Carlos Mané (Montero, 58') e Acuña.

Treinador: José Peseiro.

Marcadores: 1-0, Kulach, aos 10'; 1-1, Montero, aos 90'; 1-2, Jovane Cabral, aos 90'+3.

Árbitro: Nikola Dabanovic (Montenegro).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Artur (8') e Acuña (73').

Mais Notícias

Outras Notícias GMG