Campeão olímpico aposta em Geraint Thomas para vencer o Giro

A Volta a Itália começa este sábado com um contrarrelógio na Sicília. Bradley Wiggins, o primeiro britânico a vencer o Tour de França, garante que clássica italiana terá muitos motivos de interesse.

O Giro de Itália começa este sábado na ilha de Sicília. Durante 22 dias, as bicicletas vão rodar pelas estradas italianas naquela que é uma das mais importantes provas velocipédicas mundiais, que costuma realizar-se durante o mês de maio, mas que por causa da pandemia de covid-19 vai realizar-se este ano no outono.

O antigo ciclista Bradley Wiggins, cinco vezes campeão olímpico e o primeiro britânico a vencer a Volta à França, fez para o DN e para outros órgãos de comunicação europeus a antevisão da 103ª edição do Giro, na qual começou por dizer que, em sua opinião, o principal favorito à vitória final é o seu compatriota Geraint Thomas (INEOS) e aponta os principais rivais.

"Penso que Geraint Thomas será provavelmente o favorito e os principais rivais são Jakob Fuglsang [dinamarquês da Astana] e Vincenzo Nibali [italiano da Trek Segafredo]. Acho que Geraint tem algo a provar depois de não ter participado no Tour e acredito que esteja preparado para este desafio. Será certamente o melhor ciclista britânico de todos os tempos, pois é um dos mais fortes mentalmente que alguma vez vi, nada o afeta", começou por dizer o agora comentador da Eurosport, estação de televisão que irá transmitir todas as etapas o Giro.

Imagina Geraint Thomas com a camisola rosa (de líder do Giro) durante toda a corrida, uma vez que a primeira etapa é um contrarrelógio, em que ele é muito forte?

Pode muito bem acontecer. Mas podem precisar de perder a camisola rosa durante a corrida por questões táticas e aliviar um pouco a pressão para não ter que pedalar todos os dias, mas isso dependerá sempre da vantagem que eventualmente tiver.

Quais as hipóteses de Simon Yates?

O Simon pode vencer, até porque aprendeu muito nos últimos anos quando perdeu para Froome. Este ano venceu o Tirreno-Adriático e este pode ser um grande desafio e não vai competir apenas para terminar em segundo ou terceiro e, como tal, fará uma corrida de ataque nos pontos mais difíceis.

Nas últimas quatro edições do Giro, Rafal Majka ficou nos dez primeiros, pode ser o seu ano de vencer a prova?

Trata-se de é um ciclista muito experiente, foi rei da montanha no Tour de França e ganhou etapas. Acredito que será mais um a querer vencer algo esta temporada, mas há muitos outros atletas a pensar o mesmo, sobretudo depois de terem ficado de fora do Tour. Não acredito, no entanto, que Majka vá ganhar o Giro, mas estará entre os cinco primeiros, vencerá uma ou outra etapa e, eventualmente, será o rei da montanha.

Quais são os seus favoritos para subir ao pódio final do Giro?

Geraint Thomas, Jakob Fuglsang e Vincenzo Nibali. Acho que Miguel Ángel López [colombiano da Astana] vai funcionar mais como um apoio para Fuglsang.

A terceira etapa vai terminar com a subida ao Monte Etna. Será muito cedo para uma batalha tão dura?

Isso já aconteceu antes e, na altura, Simon Yates venceu essa etapa, mas foi Chris Froome a ganhar o Giro. É certo que o pelotão que o pelotão sentiu a dureza dessa etapa. Mas é isto que distingue o Giro do Tour de França e o torna bastante imprevisível. Num dia mau nesta terceira etapa e um dos favoritos pode perder tempo de forma irremediável.

As edições anteriores disputaram-se na primavera, por isso considera que o clima que os ciclistas vão enfrentar poderá ser mais um obstáculo durante as três semanas de prova?

O clima é o maior problema do Giro, sempre foi assim. Pode chegar a ser terrível durante as três semanas, mas a previsão é que esteja bom tempo e, se assim for, é menos uma coisa com que os ciclistas têm de se preocupar.

O que torna o Giro tão especial e imperdível?

Considero que este ano será muito especial e único por causa da altura do ano em que se realiza. Afinal, o clima de setembro e outubro em Itália é muito menos duro do que em maio, quando ainda existe neve na montanha. Como tal, será uma experiência agradável para todos. Acho que o clima vai fazer com que o Giro seja muito melhor, embora talvez menos imprevisível. Não tenho certeza de como será em relação ao público que vai estar a acompanhar as etapas na estrada, mas acredito que haverá mais gente do que no Tour, que foi um pouco desoladora, especialmente em Paris.

Tem pena de não ter vencido o Giro na sua carreira?

Para ser honesto, não. Estou feliz e sou grato com o que fiz. Provavelmente fiz o suficiente. Não fico sentado a desejar ter vencido algo que não ganhei. Tudo o que ganhei foi uma bênção.

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