"Ainda não consigo acreditar". Português João Almeida veste a camisola rosa no Giro

Depois de ter ficado em segundo lugar na primeira etapa, no sábado, ciclista da Deceuninck-QuickStep é o novo líder da Volta à Itália. É o segundo português a conseguir este feito: o outro foi Acácio da Silva, em 1989, também no Monte Etna.

O ciclista português João Almeida (Deceuninck-QuickStep) é o novo líder da Volta a Itália, após a terceira etapa, que terminou no topo do Monte Etna e que foi ganha pelo equatoriano Johnatan Caicedo (Education First). "Estou superfeliz, sem palavras", disse no final aos jornalistas, acrescentando que ainda não conseguia acreditar.

Almeida tem o mesmo tempo de Caicedo na geral, mas tem vantagem nos centésimos de segundo no contrarrelógio da primeira etapa. O espanhol Pello Bilbao (Bahrain-McLaren) é terceiro, a 37 segundos.

É o primeiro português em 31 anos a vestir a camisola rosa do Giro -- o único a ter conseguido esse feito foi Acácio da Silva em 1989. João Almeida, de 22 anos, consegue o feito na primeira vez que participa numa das grandes provas do ciclismo mundial.

O jovem das Caldas da Rainha conseguiu no Monte Etna subir ao topo da Volta a Itália em bicicleta, no mesmo local onde Acácio da Silva em 22 de maio de 1989 tinha vestido também a rosa. Fê-lo em duas ocasiões, após a vitória no Monte Etna na segunda volta (perdendo no dia seguinte no contrarrelógio por equipas) e depois da nona etapa (voltando a perdê-la um dia depois, desta vez apó o contrarrelógio individual). Nesse mesmo ano também liderou a Volta a França.

Emocionado, o jovem ciclista português explicou aos jornalistas que ainda não conseguia "acreditar" no que tinha acabado de fazer. "Estou superfeliz, sem palavras", atirou.

Sabia que tinha sido "muito perto", que tinha cortado a meta "com pouco mais de um minuto" para o vencedor da tirada, o equatoriano Jonathan Caicedo (Education First), passando depois o tempo de espera até ver confirmada a 'maglia rosa' com "excitação".

Olhando para a frente, João Almeida define uma prioridade imediata: "descansar bem". Depois, afirmou, é "dar o melhor nos próximos dias", a começar pela defesa da camisola rosa já na quarta etapa, na terça-feira, entre Catânia e Villafranco Tirrena, num traçado de 140 quilómetros, com apenas uma contagem de terceira categoria a meio da tirada.

Após uma longa fuga, Caicedo cortou a meta, instalada no Monte Etna, 150 quilómetros depois da partida em Enna, em 4:02.33, menos 21 segundos do que o italiano Giovanni Visconti (Vini Zabú-KTM) e 30 do que o holandês Harm Vanhoucke (Lotto Soudal).

Mais tarde, na conferência de imprensa após a tirada, o ciclista português voltou a descrever o momento como "um sonho tornado realidade", após uma subida ao Etna que qualificou como "um teste ao sofrimento".

"Rodava-se muito rápido desde o início [da subida], estava a tentar o meu melhor para controlar o meu esforço. Com o vento muito forte mais em cima, decidiram começar a fazer diferenças, e aguentei ao máximo até à meta", atirou.

Em relação ao resto da prova, João Almeida deixou os objetivos: "Quero manter a camisola o máximo que possa, e claro que quero ganhar uma etapa, seria a cereja no topo do bolo.".

Sem o belga Remco Evenepoel, que caiu na Volta à Lombardia, a Deceuninck-Quick Step perdeu "o único ciclista que daria 100% de garantias de lutar pela geral", atirou o ciclista luso, por isso a equipa chegou ao Giro "enquanto matilha", a alcunha utilizada, no inglês wolfpack, para denominar a formação, e "lutar por etapas".

(Atualizada às 17.10 com mais declarações de João Almeida)

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