Gabriel ofereceu triunfo em jogo complicado

Benfica recebeu e venceu o Famalicão (3-2) esta terça-feira no jogo da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. Dia 11 as equipas voltam a encontrar-se

Foi uma vitória arrancada a ferros e com alguma emoção e drama à mistura. O golo do triunfo do Benfica frente ao Famalicão (3-2) só chegou aos 90'+5' minutos, no último lance do jogo. Esta terça-feira, Gabriel teve cabeça para selar a 12.ª vitória seguida de Bruno Lage no Estádio da Luz - um recorde este século - e dar um golo de vantagem à equipa encarnada para o jogo da segunda mão, em Famalicão, no dia 11. Só então se saberá quem segue na Taça de Portugal.

Afinal Bruno Lage mudou alguma coisa. O treinador do Benfica tinha dito na antevisão do jogo com o Famalicão que ninguém, leia-se ele e os jogadores, ia pensar no jogo com o FC Porto (sábado, na 20.ª jornada da I Liga), mas a verdade é que fez algumas poupanças a pensar nesse jogo. Rafa e Vinícius ficaram no banco e deram lugar a Chiquinho e Seferovic, num jogo em que o treinador mudou de guarda-redes. O habitual titular na Taça de Portugal, Zlobin deu lugar a Vlachodimos, que assim se estreou na prova ao fim de 76 partidas de águia ao peito. O capitão Jardel também voltou à equipa na primeira mão das meias finais da Taça de Portugal, mas sairia ao intervalo.

No Famalicão, em relação ao embate com o Rio Ave, João Pedro Sousa fez quatro alterações no onze inicial: saíram Lionn, Roderick Miranda, Álex Centelles e Rúben Lameiras e entraram Ivo Pinto, Patrick William, Racine Coly e Diogo Gonçalves. A equipa tinha perdido por 4-0 na Luz para o campeonato, mas não se deixou afetar por esse fantasma e mostrou que pretende superar o melhor registo de sempre na Taça de Portugal (meias finais, tal como há 74 anos).

Depois de um início equilibrado, o Benfica criou mais perigo e esteve perto de marcar por Pizzi antes dos 15 minutos de jogo, beneficiando de alguns erros defensivos do adversário. Bruno Lage pedia à equipa para subir e se manter no meio campo famalicense, para evitar subidas do adversário com perigo. A equipa não o ouviu e a melhor jogada da primeira parte pertenceu mesmo à equipa de João Pedro Sousa. Aos 17 minutos Pedro Gonçalves falha um golo de baliza (quase) aberta, após cruzamento rasteiro de Diogo Gonçalves. A comitiva de Vila Nova de Famalicão levou as mãos à cabeça, mas nada havia a fazer face a tamanho desperdício.

Do outro lado Pizzi e Seferovic fizeram quase o mesmo. Numa jogada rápida pelos lado direito do ataque encarnado com Pizzi a fugir à marcação e cruzar rasteiro para o suíço, que chegou atrasado à chamada e assim se perdeu uma oportunidade de golo para os encarnados.

Aos poucos o homens de João Pedro Sousa ganharam ânimo ofensivo e aliviar a pressão do Benfica sobre a bola. Aos 29 minutos Toni Martínez ainda meteu a bola na baliza do Benfica, mas o árbitro anulou o lance por for a de jogo do espanhol. O jogo arrastou-se depois até ao intervalo sem grande emoção ou oportunidades de golos.

Golos e emoção até ao fim

O 0-0 ao intervalo deixa antever uma segunda parte aberta, mas o facto de o jogo ser a duas mãos deixava margem de manobra para um jogo mais racional. O Benfica entrou determinado (com Ferro no lugar de Jardel) e chegou ao golo aos 53 minutos de grande penalidade. Um braço na bola de Riccieli levou Pizzi à marca dos 11 metros. O transmontano não tremeu e adiantou a equipa encarnada no jogo.

Fez bem o golo à equipa de Bruno Lage, que dispôs de duas oportunidades para chegar ao segundo golo, mas nem Chiquinho, nem Rúben Dias conseguiram marcar. Perdida a oportunidade de ampliar o marcador, as águias pararam no tempo por momentos e viram o Famalicão chegar ao empate. Muita passividade defensiva dos encarnados numa rápida transição ofensiva dos famalicenses, com Pedro Gonçalves a finalizar a passe de Diogo Gonçalves.

O empate fez abrir o jogo e Bruno Lage recorreu ao banco para tentar mudar o rumo dos acontecimentos. O técnico encarnado meteu Vinícius (por troca com Chiquinho) e Rafa (por troca com Cervi) para tentar dar gás ao ataque, mas a equipa desequilibrou-se e viu o adversário aproveitar um momento de fragilidade defensiva para chegar ao golo. Aos 73 minutos o espanhol Toni Martínez gelou a Luz, após mais um contra-ataque conduzido por Pedro Gonçalves. O lance levou Bruno Lage a reclamar mais concentração defensiva e deixou Ferro a trocar impressões com Rúben Dias.

Mas o Famalicão mal teve tempo para sentir a vantagem. O Benfica chegou ao empate minutos depois pelo recém entrado Rafa. O internacional português aproveitou um lance trabalhado por Vinícius para meter a bola na baliza e empatar a partida.

Estava vivo o jogo e logo na jogada seguinte Pedro Gonçalves voltou a fazer tremer a defensiva encarnada e só um enorme Vlachodimos impediu nova cambalhota no marcador. O Benfica não sabia como travar a equipa de João Pedro Sousa em movimento ofensivo, mas soube como aproveitar um lance de bola parada para voltar à liderança do marcador. Foi já depois dos 90 minutos e no último lance do jogo, que Gabriel fez o 3-2 de cabeça. O brasileiro não podia ter melhor regresso à equipa, depois de ter sido preterido no jogo com o Belenenses SAD.

Foi um final de jogo emocionante e dramático. Para dia 11 está marcado novo duelo, para ver quem chega à final do Jamor.

VEJA OS GOLOS

FICHA DE JOGO

Jogo realizado no Estádio da Luz, em Lisboa.

Benfica - Famalicão, 3-2.

Marcadores: 1-0, Pizzi, 53 minutos (gp); 1-1, Pedro Gonçalves, 60'; 1-2, Toni Martínez, 73'; 2-2, Rafa, 78'; 3-2, Gabriel, 90'+5'.

Equipas:

Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Jardel (Ferro, 46), Grimaldo, Gabriel, Taarabt, Pizzi, Cervi (Rafa, 67), Chiquinho (Vinícius, 67) e Seferovic.

Treinador: Bruno Lage.

Famalicão: Vaná, Ivo Pinto, Riccieli, Patrick William, Racine Coly, Gustavo Assunção, Uros Racic, Pedro Gonçalves (Roderick, 86), Diogo Gonçalves, Fábio Martins (Rúben Lameiras, 82) e Toni Martínez (Anderson, 77).

Treinador: João Pedro Sousa.

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Gustavo Assunção (13), Grimaldo (43), Fábio Martins (64), Pedro Gonçalves (78) e Rúben Dias (90+1).

Assistência: cerca de 35000 espetadores

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