Bielorússia. Começa o campeonato com o presidente a aconselhar vodca para matar o vírus

A Bielorrússia está em contraciclo com a Europa e está em marcha a 1.ª jornada do campeonato com com público na bancada. Aleksandr Lukashenko fez várias recomendações: "Vão fazer sauna. Os chineses dizem que o coronavírus morre a partir dos 60."

A Bielorrússia é provavelmente o único país da Europa que não mostra qualquer tipo de preocupação com a pandemia de coronavírus. E a prova disso é que esta sexta-feira começou o campeonato do país e logo com a derrota do BATE Borisov, equipa que tem dominado o futebol bielorrusso com 13 títulos de campeão nas últimas 14 épocas. Mas os resultados acabam por ser o que menos interessa, uma vez que os jogos disputam-se à porta aberta, sem qualquer medida de restrição para limitar a propagação do covid-19.

O exemplo veio de cima quando o presidente do país Aleksandr Lukashenko deixou uma mensagem aos bielorrussos na qual desvalorizou por completo a pandemia. "Lavem as mãos e comam a horas certas. Eu não bebo álcool, mas a vodca não serve apenas para lavar as mãos, também deviam beber uns 100 mililitros por dia para matar o vírus, caso não estejam a trabalhar, claro. Desejo-vos boa saúde, não adoeçam. Vão fazer sauna, desde que seja seca, duas ou três vezes por semana. Os chineses dizem que o vírus morre a partir dos 60 graus centígrados", afirmou.

Então por que razão devia parar o futebol na Bielorrússia? Essa foi a questão colocada pelo presidente da federação Vladimir Bazanov, numa entrevista que concedeu ao jornal Tribune, lembrando que no país não foi declarado o estado de emergência. Além disso, desvalorizou por completo o facto de os países vizinhos terem suspendido todas as competições desportivas. "Pelo amor de Deus, nós ainda não temos pré-requisitos para isso. Não temos uma situação crítica e é por isso que o campeonato está a começar, como tal não deve haver pânico", disse acrescentando que não foram adotadas quaisquer medidas de controlo de entradas nos estádios, tendo apenas sido pedido aos adeptos para que chegassem mais cedo.

Esta é, no entanto, uma situação que está a preocupar os jogadores, que não entendem a razão pela qual o campeonato se iniciou. Gabriel Ramos, médio brasileiro de 24 anos que este ano foi contratado pelo Torpedo Zhodino, admitiu em declarações ao jornal online Globoesportes que a federação "devia tomar precauções e parar a competição", mas ainda assim acredita que as autoridades "devem ter o controlo da situação". "Creio que devem ter consciência e devem pensar nas pessoas", acrescentou, explicando que lhes é dito que o vírus "não se alastrou muito" pelo país, uma vez que apenas foram reportados 52 casos de covid-19 na Bielorrússia em mais de nove mil habitantes, não resultando daí qualquer vítima mortal.

O jogador formado no Flamengo explicou ainda que "as pessoas têm saído de casa, mas usam máscara" e que o seu clube disponibiliza recipientes de álcool em gel em todas as zonas do centro de treinos para que os atletas possam desinfetar as mãos. Ainda assim, as medidas são aparentemente curtas num país que parece em contraciclo com a Europa, que está praticamente parada devido à pandemia de coronavírus.

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