Benfica em sofrimento vira Paços no último fôlego

Benfica com último suspiro vitorioso: golo de Waldschmidt aos 90"+4" e 2-1 sobre um Paços de qualidade. Águia no 2.º lugar, agora a dois pontos do líder Sporting

"Foi uma vitória tirada a ferros. Foi uma vitória saborosa", disse no final Jorge Jesus, depois de ter festejado efusivamente o golo de Waldschmidt no último minuto (90"+4"), que valeu a reviravolta e o triunfo sobre o Paços de Ferreira. As duas equipas ficaram a dever golos ao jogo.

Mais uma jornada, mais sofrimento para o Benfica. A defesa tem sido muito criticada e o meio campo, também. Neste jogo, Jesus mudou três vezes a dupla de médios: começou com Weigl e Taarabt, passou para Taarabt e Gabriel e acabou com Gabriel e Chiquinho. E nunca resolveu o grande problema: a posse de bola segura e contundente.

A equipa da Luz perdeu muitas bolas e falhou demasiados passes. O Paços, pelo contrário, precisou de pouca posse para chegar com perigo à baliza de Vlachodimos, ameaçando marcar antes de o fazer efetivamente.

Apesar da legalidade do golo de Reabciuk (24") ser discutível, porque Diaby, em fora de jogo, cobriu a visão ao guarda-redes do Benfica, a equipa de Pepa chegou à vantagem e ameaçou aumentá-la mais do que uma vez. Foi valendo Vlachodimos: por exemplo, perante Tanque, com o brasileiro a cabecear à entrada da pequena área para o que parecia ser o 0-2. Não foi nesse momento, não foi depois.

Nem tampouco quando, na segunda jogada bem conseguida pelo Benfica, os anfitriões empataram. Na primeira, Darwin permitiu a defesa de Jordi, logo aos 5", numa combinação envolvente entre Pizzi e Rafa. Aos 58", o "patinho feio" Gilberto trabalhou bem na área, deu para Rafa e este fez o empate.

Por norma, as equipas mais fortes costumam ganhar adrenalina e ir para cima do adversário quando empatam, depois de tanto tempo a perder e com tanto tempo pela frente. Mas isso não aconteceu.

Não aconteceu porque o Paços nunca se escondeu do jogo, procurando ferir o adversário em ataques rápidos, mas também em lances em que saía em posse e a construir entre as linhas pouco unidas do Benfica.

Ou seja, chegou-se ao lugar comum do "jogo partido", embora com o Paços mais controlado tecnicamente e emocionalmente do que o Benfica. Helder Ferreira, Singh, Tanque e Zé Uilton estiveram perto do segundo golo.

E o Benfica também esteve perto do segundo golo. Basta lembrar o falhanço de Seferovic, num lance similar ao do golo de Rafa (passe de Gilberto, remate ao lado, desta vez). Ou a bola de Darwin no ferro - o segundo, depois de um de Pizzi na primeira parte (nesse caso, ao de leve, mas em posição clara para marcar).

Sem controlo emocional e sem controlar o jogo, a equipa de Jorge Jesus deu um último suspiro e saiu um ar de golo: cruzamento de Gabriel, cabeça de Waldschmidt para o triunfo. Estava feito o 2-1 no último minuto de compensação (90"+4").

Conclusão: nem o Paços sai abatido deste jogo, pelo contrário (embora, como assumiu Pepa, não haja "vitórias morais"); nem o Benfica reabilitado no que toca ao campeonato. Defende mal, logo no meio campo, constrói de forma insegura, comete muitos erros não forçados (sobretudo nos passes) e finaliza pouco, para o que constrói.

Mas as contas são estas: o Benfica soma 21 pontos em 27 possíveis (sete vitórias e duas derrotas), com 23 golos marcados (apenas menos dois do que os melhores ataques, de Sporting e FC Porto) e 11 sofridos, mais quatro do que os leões e menos dois do que os dragões.

O Benfica sobe ao 2.º lugar, encurtando de quatro para dois pontos a desvantagem para o líder Sporting. Isto porque os leões cederam um empate em Famalicão (2-2, sábado) e porque o Sp. Braga saiu derrotado da visita ao Belenenses (2-1, também este domingo).

O Sporting vai na frente com 23 pontos, segue-se o Benfica, com 21, o FC Porto (19) e o Sp. Braga (18). O Paços (14) caiu para o 6.º lugar, por troca com o V. Guimarães, que chegou aos 16 pontos ao bater sábado o Portimonense, por 1-0.

O campeonato vai parar na próxima semana, para dar lugar a mais uma eliminatória da Taça de Portugal. Daqui a duas semanas há mais emoções.

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