A voleibolista médica na retaguarda do combate ao coronavírus

Vanessa Rodrigues, capitã do AVC Famalicão, trocou o equipamento pela bata a tempo inteiro e está envolvida na luta contra a covid-19, que "não dá tréguas". Trabalha 12 horas por dia e não tem folgas.

A voleibolista Vanessa Rodrigues, capitã do AVC Famalicão, é mais uma atleta formada em medicina que trocou o equipamento pela bata a tempo inteiro e está envolvida na luta contra a covid-19, que, um vírus que "não dá tréguas". "É uma luta dura. Não tenho fins de semana e todos os dias são segunda-feira", disse a atleta à agência Lusa.

Capitã da seleção, despediu-se da equipa nacional, após o Europeu2019 para se dedicar a ser médica. Agora, Vanessa Rodrigues, enquanto médica de saúde pública, está na retaguarda do combate ao coronavírus, na não menos importante missão de gestão dos contactos de risco, identificação, deteção, isolamento profilático e vigilância.

Tendo como áreas de intervenção a Póvoa de Varzim e Vila do Conde, uma das zonas de Portugal com maior comunidade chinesa, que na primeira fase da doença com origem em Wuhan mereceu especial atenção, ela esteve na linha da frente dos primeiros planos de contingência. "A comunidade chinesa na primeira fase [de contenção à pandemia de covid-19] requereu especial atenção, mas acabou por se revelar uma comunidade bem organizada e cumpridora das medidas implementadas", admitiu a profissional da Administração Regional de Saúde do Norte, IP.

Com cerca de 12 horas de trabalho por dia, Vanessa Rodrigues reconhece que conciliar o dia-a-dia de médica, numa altura tão exigente como esta para os profissionais de saúde, com a de atleta de alta competição "é uma tarefa praticamente impossível". "Neste momento, é mesmo impossível a conciliação. Estou a 200% como profissional de saúde e 200% na proteção da saúde pública", admitiu a voleibolista, que disputou o último jogo pelo AVC Famalicão em 7 de março, na meia-final da Taça de Portugal, frente ao FC Porto.

"Já nessa altura estava a trabalhar cerca de 12 horas por dia", recordou Vanessa Rodrigues, admitindo que tem pouco tempo para se dedicar ao treino personalizado, mas que o faz, sempre que pode, para bem da sua "saúde física e escape mental".

O facto de contar com a experiência de muitos anos como atleta de alta competição de voleibol, Vanessa Rodrigues encara de forma diferente a situação de emergência nacional que se vive no país e consegue "manter o foco e não virar a cara a esta luta":"Acredito que o meu background como atleta de alta competição me permite ser mais resiliente, orientar uma equipa multidisciplinar, manter o foco e não virar a cara a esta luta, dia após dia, continuamente."

A atleta recomenda às pessoas para não entrarem em pânico, adotarem uma atitude consciente, informada e racional, e seguirem as indicações da Direção-Geral da Saúde (DGS). Pois, segundo a médica, para conter a transmissão do vírus, o melhor é o distanciamento social, a etiqueta respiratória e a lavagem das mãos. Já os dias de isolamento profilático serão menos dolorosos com exercício físico e alimentação saudável. "É importante que se mantenham saudáveis e não diminuam a resistência do sistema imunitário. Para isso, é preciso que se mantenham ativos fisicamente e mentalmente, comam de forma adequada e desfrutem à janela do ar puro e dos raios de sol", recomendou, desabafando: "Depois da tempestade, vem a bonança. Eu não posso, mas quem puder, fique em casa."

A atleta diz que, mais do que as medidas aplicadas pelo Governo, DGS e forças de segurança, "têm que ser as pessoas a manter o bom caminho, seguindo, inequivocamente, todas as indicações e recomendações dadas por estas instituições".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 905 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 46 mil. Em Portugal, até esta quinta-feira, morreram mais de 200 pessoas e registaram-se mais de nove mil infetados.

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