"Vitória na Figueira deu-me condições para ir ao próximo Circuito Mundial de Qualificação"

Campeão nacional luso-brasileiro luta com falta de patrocínios para o seu objetivo principal: requalificar-se para o World Tour, no qual competiu em 2006.

Esta vitória no Allianz Figueira Pro relança a luta de Pedro Henrique para a revalidação do título, sendo que à partida para a Figueira da Foz era sexto do ranking. Como resume esta terceira etapa da Liga Meo Surf?

Estou feliz com a vitória, uma resposta importante para o trabalho. Nunca é fácil vencer uma etapa, pois todos querem ganhar e a competição é feroz. O mais difícil é ser consistente todos os dias da competição, independentemente dos outros atletas e das condições que estão sempre a mudar. Para mim este triunfo foi, acima de tudo, uma confirmação desta nova maneira de trabalhar, de competir, de ver a minha carreira.

Fale-nos dessa nova "forma de trabalhar". Há uma mudança de metodologia?

Mudei o meu trabalho com as pranchas, estou mais aberto a experimentar coisas novas em termos de material, e, essencialmente, estou à procura de um pouco mais de motivação e alegria de surfar. Em Portugal tem sido muito difícil encontrar patrocínios e isso torna complicado programar o ano. Isso é muito cansativo para o atleta e dificulta o trabalho de manter a organização. Ainda assim, tento aproveitar cada etapa e o surf, tentar desfrutar do surf e do prazer que me dá.

Tem como principais concorrentes na Liga, para já, Tiago Pires e Vasco Ribeiro. Como analisa a concorrência?

São surfistas com muito potencial, experiência internacional e que tornam muito difícil uma vitória numa competição por etapas como a Liga Meo. Mas isso é muito bom pois torna as vitórias mais gratificantes e apura a minha evolução. Logo, como o meu foco é o Mundial, encaro tudo como um bom treino. Mas não pensem que ao dizer isto desvalorizo a Liga, todas as etapas estou lá para vencer, lutar pela etapa e pelo título. Dou sempre tudo. Mas a minha missão é o WQS. E esta vitória na Figueira também é importante pois dá-me condições para ir ao próximo WQS [Circuito Mundial de Qualificação], o Ballito Pro [na África do Sul, entre 3 e 9 de julho].

Acaba de chegar dos Mundiais da ISA (International Surfing Association) onde conquistou o terceiro lugar ao serviço da seleção nacional. Mas fez algumas declarações que deixaram a sensação de que falhou qualquer coisa na final. Veio de lá com um amargo de boca apesar do resultado histórico e do segundo lugar de Portugal?

Amargo de boca não tanto. Tinha condições de vencer e fiz uma estratégia em que arrisquei um pouco mais mas, infelizmente, o mar mudou muito rápido e acabou por faltar "aquela" onda. Chegou o momento em que tinha de arriscar, arrisquei e não consegui o melhor, mas fiquei contente com o resultado final da equipa. É um campeonato em que não vou com um objetivo pessoal e quero que a equipa seja campeã. Nesse aspeto, penso que dei o meu melhor e contribuí com a minha parte. Vejo estes Mundiais da ISA como uma oportunidade de ser campeão, sim mas, principalmente, como a oportunidade de conquistar um título para Portugal. O momento de colocar Portugal no pódio era o objetivo.

Naturalizou-se português há alguns anos e já representou a seleção nacional antes. Acha que títulos como este ajudam a uma melhor integração no meio do surf nacional, que já criticou em tempos de ser um pouco fechado?

O meio é fechado, principalmente no que diz respeito a patrocinadores, mas a seleção é algo que transcende o meio do surf, ou pelo menos é a sensação com que fiquei depois das experiências que tive na Costa Rica e França ao serviço de Portugal. Vejo a seleção como um todo, em que se pensa nos atletas como partes de um todo que concorre para um objetivo. Estamos ali a lutar pela bandeira. Quanto a facilitar a obtenção de patrocínios, não vi grandes diferenças com a indústria desde que integrei a seleção.

O Pedro Henrique é um dos surfistas da Liga com maior experiência internacional, tendo mesmo chegado onde apenas Tiago Pires, Frederico Morais e o luso-germânico Marlon Lipke chegaram: o World Tour. Como tal, é um observador privilegiado do surf nacional. Quem acha que poderá ser o próximo português a entrar para a elite do Mundial?

Uma pergunta muito difícil. Todos têm grandes condições: Vasco [Ribeiro], Miguel [Blanco]... mas isso depende do trabalho que é feito, do percurso. Muitos têm potencial. Tive muitos amigos com grande potencial e que nunca lá chegaram. É um trabalho que engloba várias vertentes e que se traduz no percurso no WQS. Tem de se fazer boas escolhas, ter uma estratégia e uma estrutura.

E como tem seguido a carreira do Frederico Morais no World Tour? Até onde pensa que poderá chegar?

O Kikas tem todas as condições para lá estar, fazer uma grande evolução e evoluir. É o exemplo perfeito daquilo que já referi, de todo o trabalho bem feito, tem tudo para se manter lá e conseguir cada vez melhores resultados.

Já referiu noutras oportunidades que a Liga Meo não é o seu objetivo principal neste ano. Mas até que ponto esta é um treino para as etapas do Circuito Mundial de Qualificação (WQS)? Até que ponto há uma boa equivalência entre estas provas nacionais e o WQS?

O nível da Liga é bom e surfistas que competem regularmente no WQS, que estão num nível superalto, qualquer treino de competição ajuda-te. Mas o WQS é muito mais difícil pela quantidade de atletas e, consequentemente, tem muitos mais atletas de grande nível do que a Liga. Mas o que decide o sucesso numa competição são, na maioria das vezes, os nossos erros. Treinar as decisões, colocar no ritmo, isso é o que só se pode treinar em competição e é por isso que a Liga Meo é fundamental.

Qual é o plano para o próximo compromisso do Pedro Henrique, o Ballito Pro, na África do Sul?

O Ballito Pro é uma etapa em que já participei muitas vezes, e tenho trabalhado muito para ela este ano. É a primeira etapa "Prime" do ano e como tem tantos pontos em jogo [10 mil] pode alterar as classificações do WQS completamente e até pode, se vencer, ajudar-me a saltar para os três primeiros do ranking. Pode ser uma prova fundamental nas minhas aspirações a voltar ao World Tour e é por isso que estou muito feliz com a vitória na Figueira, porque o prize money vai tornar possível ir lá e competir.

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