Vit. Setúbal devolveu prédios no valor de 800 mil euros à Câmara... mas arrependeu-se

Revogação da doação devia ter ido hoje a reunião da autarquia, mas o clube sadino pediu tempo para pensar melhor. Carlos Silva tinha já informado o município que não encontrou "investidores capazes de garantir a solvência" do clube e que os próximos três meses são vitais para a sobrevivência financeira.

A crise financeira do Vitória de Setúbal parece não ter fim à vista. O clube sadino devolveu os 65 prédios doados pela Câmara Municipal de Setúbal, no verão passado, para ajudar a SAD vitoriana a fazer face a uma avultada dívida às Finanças. Segundo o Plano de Recuperação Financeira (PER) em vigor, os sadinos devem 5, 4 milhões ao Estado português (3,4 à Autoridade Tributária e 1,8 à Segurança Social).

A votação da proposta de reversão da doação ia ser esta sexta-feira votada em reunião extraordinária da Câmara Municipal, mas, na véspera (18 de março), a direção do clube comunicou, que "necessitava de ponderar melhor" a decisão, tendo a autarquia aceito o pedido e esclarecido em comunicado que vai "continuar a contribuir para encontrar as melhores soluções para os problemas que o clube enfrenta".

Devolver porquê? Em setembro, os sócios do clube vetaram em Assembleia Geral a ideia de dar os prédios como garantia do pagamento de uma dívida da Sociedade Anónima Desportiva (SAD). Em consequência disso, o presidente do clube, Carlos Silva, comunicou a reversão da doação no valor de 800 mil euros a Maria das Dores Meira, visto que o fim para o qual tinham sido doados não irá acontecer.

Na carta enviada à edil setubalense no dia 9 de março a que o DN teve acesso, o clube confirma ainda aquilo que o DN já tinha noticiado, que o PER terá de ser renegociado uma vez que o atual foi aprovado tendo em conta a participação na I Liga e o clube foi depois condenado a descer ao Campeonato de Portugal, por incumprimento financeiro.

Por fim Carlos Silva refere ainda as "dificílimas condições financeiras" do emblema do Bonfim, confirmando que não encontrou investidores que possam "garantir a solvência do clube" e lembrando que a sustentabilidade financeira é de extrema importância para "nos próximos três meses garantir a subida à II Liga".

Com 110 anos de história, três Taças de Portugal (1964-65, 1966-67, 2004-05), uma Taça da Liga (2007-08) e 77 presenças no escalão principal, o Vitória atravessa uma crise sem precedente e enfrenta mesmo algumas penhoras e pedidos de insolvência que podem atrapalhar as ambições desportivas, caso falhe os pressupostos financeiros da Federação Portuguesa de Futebol. Para já a equipa é líder da Série H, com 46 pontos, mais 6 do que o Amora.

Tal como o DN noticiou no mês passado um grupo de quatro credores do Vitória de Setúbal pediu a insolvência da SAD por uma dívida de cinco mil euros. São quase 30 os processos em tribunal contra o emblema do Bonfim, por dívidas várias, a jogadores, treinadores, imobiliárias, Estado e até ao Hospital.

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