Valeu até subir às árvores para ver os carros darem show na Baixa do Porto

Milhares de pessoas assistiram ao Porto Street Stage, onde brilhou o belga Neuville.

Terraços com vida, varandas à pinha e até gente pendurada nas árvores. Tudo valeu na procura dos melhores spots da Baixa portuense para assistir à classificativa espetáculo deste Rally de Portugal, a Porto Street Stage, que ontem concentrou milhares de pessoas a ver o show dos carros do mundial de ralis em pleno centro da cidade.

Jorge Silva, de 28 anos, do concelho vizinho de Valongo, nem hesitou assim que soube que o rali português ia ter este ano uma etapa no coração do Porto. "Tinha de vir ver, adoro ralis e tudo que tenha que ver com carros", disse. Mecânico de profissão, "pôr as mãos numa máquina destas era um sonho", diz ao DN, mas ontem contentou-se em ver passar os bólides do WRC, em especial "os Volkswagen" que têm dominado o mundial nos últimos anos e cuja superioridade reconhece.

Não foi nenhum dos VW Polo R - de Sébastien Ogier, Jari-Matti Latvala ou Andreas Mikkelsen - a ganhar esta Porto Street Stage, percorrida em dose dupla, mas sim o belga Thierry Neuville, ao volante do seu Hyundai i20, cujos voos no pequeno salto montado na descida da Avenida dos Aliados, quase ao lado do edifício da Câmara Municipal, fizeram delirar os adeptos, como Jorge, que não se coibiu até de subir a uma das árvores da avenida para ver melhor o espetáculo.

Não foi o único. Árvores, varandas, janelas e terraços foram lugares muito concorridos, cheios de gente, além das bancadas oficiais (esgotadas) e das ruas adjacentes ao percurso de 1,85 km que pilotos e respetivos carros cumpriram desde o Teatro Municipal Rivoli até à Sé, em duas classificativas consecutivas no mesmo trajeto, ao fim da tarde.

Uma novidade que deixou feliz o autarca portuense Rui Moreira, que investiu 500 mil euros nesta classificativa especial. "As pessoas queriam corridas no Porto e esta é uma prova muito interessante. Fiquei feliz sobretudo por ver muita gente, muita animação e um tempo fantástico", disse o presidente da câmara, que à tarde experimentou a adrenalina de uma voltinha de carro ao percurso, ao lado do piloto português Fernando Peres.

O tricampeão do mundo Sébastien Ogier, que acabou o dia em segundo lugar da geral, apenas atrás do britânico Kris Meeke (Citroën DS3), também aprovou: "É bom poder mostrar os ralis às pessoas que não costumam ir às classificativas habituais."

Foi no entanto o belga Thierry Neuville, que na superespecial de abertura em Lousada, no dia anterior, também já tinha estado em destaque, perdendo apenas para Ogier, o rei do espetáculo na Baixa portuense, ganhando as duas classificativas - na primeira batendo o francês da Volkswagen por apenas um décimo de segundo; e na segunda levando a melhor sobre Andreas Mikkelsen, também da marca alemã, por 1.1 segundos.

Incêndio destruiu carro de Paddon

Mas este fim de dia no centro do Porto serviu sobretudo para saciar essa vertente do espetáculo, porque a classificação do rali já tinha sido desenhada com contornos importantes ao longo das classificativas anteriores, bem maiores, no Minho. E aí o britânico Kris Meeke construiu uma liderança convincente, ao ganhar cinco das seis especiais com o seu Citroën DS3, ele que este ano não compete a tempo inteiro no mundial, pois está sobretudo ocupado nos testes de desenvolvimento do carro com que a marca francesa espera voltar à luta pelos títulos em 2017.

"Ainda só é sexta-feira, há ainda um longo caminho a percorrer até domingo, mas foi um bom dia", admitiu o britânico, de 36 anos. "Eu não estou curto em quilómetros, uma vez que estamos a testar o carro do próximo ano, mas estar ao volante em competição é outra coisa e estas ausências talvez me deixem ainda mais esfomeado por competir", acrescentou Meeke, que não competia no mundial desde o rali da Suécia, em fevereiro, e tem 31 segundos de vantagem sobre Ogier, o melhor dos que competem pelo título de 2016.

A Meeke foi-lhe atribuído também, pelo diretor de prova, o melhor tempo na 5.ª especial, em Ponte de Lima, depois de ter visto a sua ação interrompida na sequência do acidente do neozelandês Hayden Paddon (vencedor do rali anterior, na Argentina, e 2.º no mundial, atrás de Ogier), que se despistou numa curva, capotou várias vezes por uma ravina e ficou com o seu Hyundai i20 destruído pelas chamas, o que levou à interrupção da classificativa depois de o estónio Ott Tanak (Ford Fiesta RS) ter saído de estrada no mesmo local. Pilotos e respetivos navegadores saíram ilesos.

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