Uma vitória para quebrar o enguiço e um futuro promissor

Equipa portuguesa venceu a última regata em Hamburgo. No horizonte está um patrocínio duradouro

Ao quarto circuito do campeonato mundial Extreme Sailing Series, ontem, em Hamburgo (Alemanha), a equipa Sail Portugal conseguiu finalmente uma vitória. E uma vitória "imperial", como se diz no futebol.

A tripulação do catamarã nacional, liderada por Diogo Cayolla, rondou todas as boias em primeiro lugar, vencendo por larga distância. Num dia de chuva matinal e ventos muitos fracos - às vezes inexistentes - ,esta foi a vitória que faltava à equipa para acreditar que não é uma inevitabilidade só frequentar a segunda metade do pelotão, composto ao todo por sete equipas. Satisfeito, Cayolla concluiu: "Assim quebra-se o enguiço."

Para chegar aqui, a equipa teve de disputar 83 regatas (cada uma com no máximo 15 minutos) distribuídas por quatro etapas: a que ontem se concluiu, em Hamburgo, e as anteriores Omã, Qingdao (China) e Cardiff (País de Gales). Já tinha registado vários segundos lugares - sobretudo no etapa chinesa -, mas nunca tinha cruzado a linha de chegada liderando toda a frota.

Foi uma vitória no "terreno" que é mais propício à pouca experiência da equipa portuguesa no tipo de barcos envolvidos - um "terreno" com pouco vento. Os "bólides" são catamarãs de dez metros (e mastros de 16,5 metros) que, devido aos patilhões em forma de "J", podem velejar com ambos os cascos completamente fora de água, adquirindo velocidades que podem ultrapassar 30 nós (cerca de 57 km/hora). Só que essa tecnologia precisa de ventos fortes, que ontem não sopraram. A navegação foi, portanto, convencional e o fator inexperiência desapareceu.

Devido à falta de vento, só se fez uma regata (no sábado houve sete). E foi essa precisamente que a equipa portuguesa venceu, pelo que, por ser a última do circuito alemão, os pontos foram a dobrar. Na classificação final da etapa germânica - onde em quatro dias se fizeram 17 corridas -, o Sail Portugal ficou em sexto lugar, só tendo atrás de si a muito jovem tripulação do Land Rover BAR.

O circuito foi disputadíssimo até ao fim entre os campeões de 2015, o Oman Air, e a equipa suíça Alinghi (cujo responsável da equipa de terra é o velejador português João Cabeçadas, o único marinheiro luso que já fez a Volvo Ocean Race). Com um ponto apenas de vantagem, o Oman Air venceu o Alinghi. Em terceiro lugar ficaram empatados o Red Bull e o SAP Extreme (onde o proa é outro marinheiro português, Renato Conde) e a seguir, em quinto, o Chine One. Na classificação geral da Extreme Sailing Series, o Oman Air lidera, seguido do Reb Bull, Alinghi, SAP Extreme, Land Rover BAR, China One, Sail Portugal e Team Turx.

Fora das "quatro linhas", a novidade foi a equipa portuguesa ter apresentado uma nova designação. Em vez de Sail Portugal, passou a chamar-se Sail Portugal - Visit Madeira.

Funchal substitui Istambul

Isto reflete, para já, o facto de o Funchal ter passado a integrar o circuito mundial. No início isso não estava previsto, mas há algumas semanas a etapa de Istambul foi cancelada. Havendo um buraco na agenda, a organização da Extreme Sailing Series escolheu um novo destino, o Funchal, com envolvimento direto do Governo Regional, através da Secretaria Regional de Turismo. O evento na Madeira - o mais importante circuito de vela alguma vez realizado na Região - decorrerá de 22 a 25 de setembro.

Em Hamburgo, por estes dias, já estiveram responsáveis do Turismo da Madeira, em missão de preparação. O que está contratado é que o Funchal receba a competição não só neste ano como também em 2017 e 2018. Os marinheiros sabem que no Funchal tudo se conjuga para haver bom mar e bom vento. Mas não é só isso que está em causa.

O que se perspetiva como possibilidade é também um apoio até 2018 à própria equipa liderada por Diogo Cayolla. Esse apoio, podendo concretizar-se, dará perspetiva de duração à campanha do Sail Portugal e, nessa medida, o tempo necessário para o problema da falta de experiência ir sendo resolvido. As regras impedem que as equipas treinem entre os circuitos (esse é o tempo em que o "circo" da prova, incluindo os barcos, são transpor- tados de um porto para outro, em navios cargueiros). A experiência adquire-se nas próprias corridas - e tempo é tudo o que a equipa quer para poder sonhar disputar de igual para igual a liderança com todas as outras, não ficando só dependente de pouco vento.

Antes da Madeira, o circuito passará por São Petersburgo (Rússia), de 1 a 4 de setembro. Depois da Madeira estará em Lisboa, de 6 a 9 de outubro, terminando em Sidney, Austrália, de 8 a 11 dezembro.

Em Hamburgo. DN viajou a convite da equipa Sail Portugal

Mais Notícias

Outras Notícias GMG