Um pensamento assustador: Alemanha está melhor que nunca

Tecnologia ajuda a atual campeã do Mundo a reforçar a ambição de renovar o título no Mundial da Rússia

Para as 31 seleções que esperam impedir a Alemanha de se tornar a primeira equipa a bisar como Campeã do Mundo desde 1962, aqui está uma notícia pouco animadora: depois de vencer o torneio em 2014, Oliver Bierhoff, o diretor desportivo que supervisiona as operações da equipa, decidiu que os recursos técnicos e analíticos da formação germânica precisavam de uma atualização séria. Aparentemente, não há nada que diga "mau desempenho" em dominar os adversários por 18-4 e vencer o Campeonato do Mundo pela quarta vez.

Quando as celebrações terminaram e Bierhoff se sentou com os peritos da fabricante de software alemã SAP, que projeta e gere as operações analíticas para a equipa nacional, deu-lhes uma missão: descobrir como criar uma maneira inovadora de tornar as informações e vídeos mais essenciais disponíveis para os jogadores a qualquer momento e onde quer que eles estejam.

"É uma cultura de feedback à Bierhoff", disse Sven Schwerin-Wenzel da SAP, gestor sénior do projeto da equipa de futebol. "Ele disse que os jogadores estavam realmente interessados em obter feedback em vídeo e que estão a pedir mais."

Com uma idade média de 25,7 anos, a Alemanha tem a segunda equipa mais jovem do Campeonato do Mundo (somente a equipa da Nigéria é mais jovem). Isso traduz-se em duas qualidades importantes: pernas jovens que podem recuperar rapidamente num torneio que dura um mês e cérebros programados para aprender através de vídeo devido à época em que muitos deles atingiram a maioridade.

Bierhoff, de 50 anos, que jogou pela Alemanha de 1996 a 2002, tem estado na vanguarda da incorporação de tecnologia no futebol internacional, mesmo durante as partidas. Falando com repórteres no campo de treinos da Alemanha em Itália recentemente, Bierhoff disse que ficou satisfeito com o uso de tablets para treinadores no Campeonato do Mundo. "Há muito mais opções disponíveis, como a inteligência artificial e a aprendizagem automática, coisas que não são necessariamente bem conhecidas no futebol, mas que farão parte do futuro", disse ele.

Aposta reforçada na tecnologia

A Alemanha estreia-se hoje (16.00) na fase de grupos, contra o México em Moscovo. O seu grupo também inclui a Suécia e a Coreia do Sul. E está tão segura das suas hipóteses e do seu hardware analítico que marcou uma entrevista coletiva para sexta-feira para o exibir.

Na realidade, todas as principais seleções adotaram a análise estatística de alguma forma. Todas elas estudam as informações quantitativas básicas, como mapas de calor, estatísticas de posse de bola, contagem de passes e tendências dos jogadores. Além disso, há muitas sessões de vídeo em equipa, onde os jogadores se reúnem para observar o que fizeram certo e errado e as táticas que os seus adversários empregaram nos jogos anteriores.

Para a Alemanha, no entanto, as sessões de equipa que ocorreram em 2014 apenas nas salas de conferência dos hotéis têm estado disponíveis nos aparelhos que os jogadores levam nos seus sacos de equipamento e têm nas suas mesas-de-cabeceira. Isso significa que os jogadores da Alemanha - um grupo obcecado por informações, para começar - provavelmente entrarão em campo armados com mais conhecimento sobre si mesmos e os seus adversários do que qualquer outra equipa.

Vídeo, vídeo, vídeo...

O pequeno departamento de análise da Alemanha, liderado pelo chefe dos olheiros Christopher Clemens e alguns assistentes, está em contacto permanente com a equipa da SAP, enquanto a Alemanha se prepara para cada torneio. Durante as partidas, os analistas dividem a responsabilidade de observar alguns jogadores diferentes no campo. Usando a tecnologia de marcação, cada jogador pode receber - logo após a conclusão de qualquer partida - uma série de videoclipes seus a jogar em várias situações diferentes que enfatizam as áreas em que os técnicos precisam que ele se concentre, como quando pressiona adversários, contra-ataca, ataca ou passa a bola atrás de um adversário.

Cada jogada vem com uma avaliação qualitativa de um dos olheiros, uma sugestão de como poderia ter sido melhor ou porque foi bem-sucedida e deveria ser executada com mais frequência.

Um toque ou dois noutras partes do ecrã pode mostrar cenas semelhantes dos próximos adversários ou as últimas leituras da forma física descarregadas dos monitores que os jogadores usam durante o treino; informações que podem dar pistas aos atletas sobre se devem dar tudo no próximo treino ou poupar no esforço e manter a energia para a próxima partida.

Schwerin-Wenzel disse que tudo isso faz parte do processo de deixar de transferir manualmente os dados e passar a concentrar-se em informações em tempo real que os técnicos precisam de comunicar rapidamente se a Alemanha quiser fazer o que nenhuma outra seleção, além do Brasil, fez desde 1962: ser bicampeã do Mundo.

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