Um dérbi capital para o Benfica num palco onde o líder Sporting fraqueja há 9 anos

Leões recebem nesta noite o Benfica, tranquilos no primeiro lugar e a seis pontos do rival. Mas a história dos últimos anos mostra uma águia mais dominadora em Alvalade. Amorim diz que nada fica decidido seja qual for o cenário.

Não há memória de um dérbi entre Sporting e Benfica com um cenário idêntico ao que se disputa nesta noite em Alvalade (21.30, SportTV1), ou seja, com os leões a receberem as águias na liderança do campeonato e com mais seis pontos do que os rivais. Por isso, para o clube da Luz, o confronto de hoje tem uma importância capital, pois uma derrota deixa-os a nove pontos de distância do primeiro lugar à passagem da 16.ª jornada. E nunca na história da I Liga uma equipa conseguiu recuperar de tão grande desvantagem e sagrar-se campeã nacional.

Em Alvalade não haverá público, culpa da covid-19, que também impede o Benfica de ter o treinador Jorge Jesus no banco, existindo ainda a dúvida em torno de vários jogadores que contraíram o vírus, casos de Vlachodimos e do brasileiro Everton. No Sporting a grande ausência é o médio Palhinha, a cumprir um jogo de castigo.

Os números valem o que valem, mas o Benfica vai entrar em campo com um aliciante estatístico. É que no histórico de confrontos entre os dois clubes nos jogos para o campeonato disputados em casa dos leões, as águias somam mais um triunfo do que os rivais (33 contra 32) e também mais um golo (125 contra 124).

Há ainda outro dado importante. Desde abril de 2012 que o Benfica não sai derrotado de Alvalade em jogos da I Liga. Nos últimos oito confrontos, os encarnados somaram quatro vitórias, contra nenhuma dos leões, que só conseguiram quatro empates, registo que permitiu aos da Luz virar a balança nos jogos realizados na casa do grande rival. O último triunfo dos leões foi precisamente na época 2011-12, por 1-0, com um golo de Ricky Van Wolfswinkel de grande penalidade.

A ultrapassagem, para repetir o cenário de 1949-50, deu-se nas duas últimas épocas, com dois triunfos do Benfica, um por 4-2 em 2018-19, e outro 2-0 em 2019-20, ambos sob o comando de Bruno Lage.

O Benfica venceu os derradeiros dois jogos e quatro dos últimos oito, pois também triunfou em 2012-13, por 3-1, com um autogolo de Marcos Rojo e um bis de Cardozo, e por 1-0 em 2015-16, outra vez com Mitroglou como protagonista.

Os encarnados somam quatro triunfos desde 2012-13 e não perderam nenhum dos outros jogos, somando ainda três empates (todos a um golo), em 2013-14, 2014-15 e 2016-17, e um nulo, em 2017-18.

Em termos globais, ou seja, jogos a contar para todas as competições, seja fora ou em casa, o Benfica soma mais 26 triunfos do que o Sporting nos 309 jogos disputados desde 1 de dezembro de 1907.

O derradeiro triunfo dos leões em termos globais, o único nos últimos 12 encontros, aconteceu em 3 de abril de 2019, dia em que o Sporting venceu o Benfica por 1-0, na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal. Depois de um desaire na Luz por 2-1, a formação leonina qualificou-se para a final da competição graças a um golo de Bruno Fernandes.

Essa é, porém, a exceção à regra, já que o domínio do Benfica é quase absoluto depois das três vitórias consecutivas dos verde-brancos a abrir a época 2015-16, curiosamente sob o comando de Jorge Jesus, que está agora de volta ao comando do Benfica.

Jorge Jesus está infetado com covid-19 e será por isso o adjunto João de Deus a orientar a equipa através do banco. Deus, contudo, já confirmou que o trabalho é todo feito à distância pelo treinador principal. Para Rúben Amorim, será o terceiro confronto como treinador frente ao Benfica, clube que representou como jogador, ele que de momento regista como saldo uma derrota e um empate.

Ainda ao comando do Sp. Braga, fez história no dia 15 de fevereiro de 2020, ao arrancar uma vitória por 1-0 em pleno Estádio da Luz, em jogo relativo ao campeonato (curiosamente com um golo de Palhinha), um feito que os arsenalistas não alcançavam desde 1954. Mais recentemente, já como comandante dos leões, em julho, foi derrotado na Luz por 2-1, com golos de Seferovic e Vinícius - pelos leões marcou Sporar.

Vale três pontos, diz Amorim

O treinador leonino recusou ontem a ideia de que este jogo seja decisivo para o Benfica em termos de contas finais do campeonato. "Não é mais do que isso, três pontos. Nada fica decidido, nem entrámos na segunda volta. Há muitos jogos e boas equipas. Ainda temos o exemplo do último adversário que defrontámos, o Boavista. Este dérbi não tira o Benfica do título nem dá o título ao Sporting , dará é mais confiança. São três pontos, embora seja um jogo especial. Mas não tira o Benfica da rota do título", afirmou na antevisão do dérbi.

Rúben Amorim comentou ainda a ausência de Palhinha do dérbi, devido a um amarelo visto no jogo com o Boavista: "Não estamos preocupados, obviamente é um jogador importante, tem características muito específicas que não se encontram no plantel, mas iremos lá de outra forma. Quem jogar terá outras características, de certeza que vamos perder no confronto físico, na capacidade de luta, na capacidade de construir. É um jogador muito rotinado nessa posição. Os jogadores que jogarem vão ter de dividir funções, o que dará outro estilo e se calhar será uma surpresa boa. Não estou nada preocupado, é uma pena ficar de fora, é importante para nós, mas temos jogadores para fazer face a essa ausência."

Dada a situação de saúde de Jorge Jesus, o Benfica não realizou a habitual conferência de lançamento do jogo.

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