Totti, o adeus de um mito que nunca quis trair a sua Roma

Avançado de 40 anos faz hoje o último jogo pelo seu clube de sempre. Só não se sabe ainda se vai continuar a jogar noutro sítio

Algum dia teria de ser. Francesco Totti despede-se hoje da AS Roma aos 40 anos (fica a dúvida se vai também deixar o futebol) após 24 anos ao mais alto nível, onde apenas vestiu uma camisola, precisamente a dos giallorossos.

É preciso recuar até março de 1993 para recordar o primeiro jogo do italiano com a maglietta giallorossa. Tinha apenas 16 anos e foi lançado por Boskov num jogo frente ao Brescia. Nunca mais saiu da equipa e sequer pensou abandonar a sua cidade, Roma.

Seis anos volvidos já usava a braçadeira de capitão, tudo porque Aldaír, o antigo internacional brasileiro que jogou Benfica, cedeu-a ao emblemático jogador. "Era já um ídolo, um símboo e achei que isso ajudá-lo ia a ter ainda mais responsabilidade, não me enganei", disse o ex-defesa do Benfica.
Hoje, frente ao Génova, do internacional português Miguel Veloso, fará a sua última partida pela Roma. Só recentemente através das redes sociais confirmou que faria o seu derradeiro jogo pelo seu clube de sempre este domingo. Mas deixou no ar a possibilidade de prosseguir a carreira noutro sítio: "A partir de segunda-feira estou pronto para partir. Estou preparado para um novo desafio."

Foram 24 anos com a camisola da Roma, apesar dos inúmeros convites para sair. Ganhou apenas um título de campeão nacional, mas nem isso fez com que quisesse "trair" o seu "amor". Preferiu ficar na história do seu clube de sempre e do futebol italiano. "O meu troféu é ter atravessado toda a carreira com a Roma. Roma é a minha família, os meus amigos, as pessoas que eu amo. Roma é o mar, as montanhas, os monumentos. Roma são os romanos. Roma é o amarelo e o vermelho. Para mim, Roma é o mundo. Este clube, esta cidade, são a minha vida. Sempre", disse recentemente numa entrevista.
Quem privou com ele também nunca teve dúvidas de que nunca abandonaria Roma, por tudo aquilo que demonstrava no dia-a-dia. "É uma figura do futebol mundial, não apenas da Roma. Podia ter tido uma carreira totalmente diferente, com ainda mais títulos, mas escolheu assim, penso mesmo que nem se preocupava com essa situação. Para ele era muito simples, jogava onde queria, não tinha razões para mudar. Preferiu a felicidade ao dinheiro e aos títulos. Estive com ele durante dois anos, mas todos sabiam que ele nunca sairia da Roma", começou por dizer Artur Moraes ao DN, ex-jogador do Benfica e antigo colega de Totti na Roma, elogiando o campeão mundial por Itália em 2006.

"É um verdadeiro capitão, que tinha sempre uma brincadeira para os mais novos, que sabia ouvir todos no balneário e acima de tudo uma pessoa muito simples e humilde. Foi um privilégio ter jogado com alguém que irá ficar na história do futebol mundial, tanto como jogador, como pela pessoa que é. Agora ficará certamente ligado à sua Roma, todos esperam isso certamente", confessou o agora guarda-redes da Chapecoense.

Totti não recolhe elogios apenas de antigos colegas. Maradona, para muitos o melhor jogador de todos os tempos, caracteriza-o assim."Totti, o rei de Roma. É e continuará a ser o melhor jogador que vi em toda a minha vida", salientou o argentino. Nem mesmo os grandes rivais da Lazio esqueceram Totti nesta hora do adeus. Na última partida no Olímpico de Roma usaram uma tarja para o homenagear. "Os inimigos de uma vida saúdam Francesco Totti", lia-se.

Para a partida desta tarde (17.00) os bilhetes esgotaram em apenas 48 horas. Os mais caros foram vencidos a 650 euros, mas ninguém poupou para poder ver a despedida de Il Capitano.
Maldini tenta seduzi-lo

Totti privou no balneário também com três jogadores portugueses. Abel Xavier, Antunes e atualmente com o jovem Mário Rui. Contactado pelo DN, o ex-Benfica preferiu não comentar a sua saída, até porque, de acordo com o próprio, ainda não ouviu da sua boca que Totti iria terminar a carreira. Em Roma acreditam que vai pendurar as chuteiras esta tarde, e o clube até tem um cargo diretivo para lhe oferecer. Mas há quem queira que o veterano jogue durante mais uns anos, concretamente até 2019.
Paolo Maldini, ex-internacional italiano e antigo colega de Totti na seleção, pretende levá-lo para a sua equipa, os Miami FC, que está a estudar a entrada na MLS, principal liga de futebol dos Estados Unidos. Para ajudar a convencer Totti está também outro ex-Milan, Nesta, que é o atual treinador. O Antalyaspor, da Turquia, chegou a sondar o avançado, mas ao que parece os oito milhões de euros anuais não chegaram para seduzir o velho capitão.

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