Taveira e as cadeiras verdes em Alvalade: "Ficará abaixo de deprimente"

Arquiteto do Estádio José Alvalade lamenta troca das cadeiras do recinto que projetou para o Euro2004. "Tenho muita pena, mas a legislação portuguesa não defende os artistas."

Projetado por Tomás Taveira para o Euro2004, o Estádio José Alvalade começa no domingo a perder as icónicas cadeiras coloridas. Polémico desde o seu nascimento devido às multicores das cadeiras (assim como o fosso, que separa o relvado das bancadas), o recinto que viu nascer Cristiano Ronaldo para o futebol prepara-se para um banho de verde.

Vários presidentes tentaram tornar o cenário mais verde, mas sempre encontraram entraves nos direitos de autor ou nas verbas necessárias para a mudança. Algo que o atual presidente, Frederico Varandas, conseguiu agora desbloquear. O clube falou com o arquiteto, que nada pode fazer para impedir a mudança.

O Sporting anunciou na quinta-feira a mudança de cor das cadeiras das bancadas e o arquiteto autor do projeto não esconde o desalento com a iniciativa do clube leonino. "As cadeiras não constituem um elemento arquitetónico, mas sim um elemento de interior design. É óbvio, que em face disso e como não houve alterações da estrutura arquitetónica do estádio e consultando os meus advogados, não havia possibilidade de me opor", contou ao DN Tomás Taveira, resignado com a luta perdida.

Lembrando que "as ações ficam para quem as praticam", Tomás Taveira admite que o recinto, quando despido da presença dos adeptos "ficará abaixo de deprimente, mas se o Sporting acha que é uma boa solução..."

A ele restam-lhe as memórias. "Toda a documentação gráfica (fotos, vídeos) mostra como o estádio era na realidade e isso basta-me", confessou o arquiteto, finalizando: "Tenho muita pena, mas a legislação portuguesa não defende os artistas."

O arquiteto tem mais de 30 estádio projetados, incluindo o de Leiria e Aveiro. O próximo será em Tashkent, capital do Uzbequistão e terá capacidade para 52 mil pessoas. Um projeto altamente inovador e pioneiro, que resultará num estádio autossuficiente em termos de energia.

Conforto, estética e desejo de um estádio verde

André Bernardo revelou o projeto no jornal Sporting e lembrou que as cadeiras não eram substituídas desde a inauguração do estádio. Por isso a troca impunha-se em nome do conforto, da estética e do desejo de ter um estádio verde.

O membro do conselho diretivo explicou ainda que as cadeiras verdes serão "intermediadas por algumas brancas que estão destinadas a algum lettering relativo ao clube e ao de um potencial sponsor".

A obra é um dos desígnios da Visão Estratégica 2020-2022 da atual direção, lançada em maio de 2020, e será efetuada em duas fases e concluída no ano de 2022: "Gostaríamos de fazer tudo já, mas, por motivos de gestão de fluxo de caixa, tivemos de dividir em duas fases."

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