Tensões, discussões e acusações. Caos em França com queda no Euro

O lugar do selecionador Didier Deschamps não está, para já, em perigo, mas a eliminação frente à Suíça abriu muitas feridas. Pogba, Rabiot e Mbappé no olho do furacão...

A eliminação da campeã do mundo França nos oitavos de final do Euro 2020 perante a Suíça provocou ondas de choque internas que colocam em causa todo o trabalho de preparação para o torneio. De acordo com o jornal L"Équipe, o lugar do selecionador Didier Deschamps não está em causa, pelo menos neste momento, mas avança que o técnico de 52 anos perdeu o rumo durante a fase final, na qual os gauleses apenas venceram o primeiro jogo - com a Alemanha por 1-0.

Deschamps é, na realidade, o mais visado nas críticas, pelas suas decisões, mas o L"Équipe aponta igualmente as falhas de alguns jogadores, adiantando mesmo que alguns dos convocados para este Europeu têm a sua presença em risco em futuras convocatórias.

Há contudo um nome que está já condenado a abandonar a função que ocupa. Trata-se do preparador físico Cyril Moine, cujos métodos foram atacados por vários jogadores, que não compreenderam a intensidade dos exercícios em treinos que decorreram sob um calor sufocante. Este terá sido um grandes problemas no balneário dos campeões do mundo, conjugado com a desconfiança em torno do trabalho do departamento médico.

No entanto, as tensões terão começado logo no início com a forma como foi comunicada ao plantel a decisão de fazer regressar Benzema à seleção. Esta questão acabou por ser ultrapassada, mas no início do estágio, em Clairefontaine, surgiram outros focos de conflito com Kylian Mbappé como figura central. O avançado do PSG começou por ter um choque com Giroud e, depois, o seu comportamento fez aumentar a tensão por causa da arrogância com que lidava com Hugo Lloris, Moussa Sissoko ou Steve Mandanda.

O problemas internos ficaram bem visíveis durante o jogo dos oitavos-de-final em Bucareste, sobretudo quando a Suíça consumou a recuperação no marcador e marcou o golo do empate 3-3 que levou a partida para prolongamento.

O erro de Pogba foi recriminado em pleno relvado por Rabiot por causa do erro que originou o terceiro golo suíço. Este episódio chegou à bancada onde estavam as famílias dos jogadores, pois segundo o jornal Le Parisien, a mãe de Rabiot envolveu-se numa acesa discussão com a família de Pogba. No período entre o fim do tempo regulamentar e o início do prolongamento, o médio do Manchester United discutiu no relvado com Deschamps, que tentava acalmá-lo para dar instruções à equipa. No tempo extra, a França até teve boas ocasiões para garantir o apuramento, mas Deschamps voltaria a sentir o peso do descontentamento interno no momento da substituição de Griezmann.

O Euro 2020 ressuscitou fantasmas antigos, nomeadamente a rebelião no Mundial 2010, na África do Sul, que culminou então com o afastamento de Nicolás Anelka e a eliminação na fase de grupos. Deschamps tem agora a missão de voltar a juntar os cacos a tempo do Mundial do Qatar, no final do ano de 2022.

carlos.nogueira@dn.pt

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