Susana e Patrícia: a rivalidade na pista e a amizade fora dela

Habituadas a competir uma contra a outra desde há muito, construíram uma relação forte. Voltam a estar juntas hoje, a partir das 20.25, na final do triplo salto

"Eu tinha sempre este pensamento: "Um dia quero ser como a Susana".", recorda Patrícia Mamona, enquanto Susana Costa está ali sentada ao lado a ouvi-la. A resposta da amiga não se fez esperar: "Ontem, ela tinha-me como exemplo. Hoje sou eu que vejo nela um exemplo. Orgulho-me disso". O DN juntou as duas atletas à conversa, em véspera da final do triplo salto onde hoje ambas vão estar presentes. Falou-se da competitividade, da vontade de uma vencer a outra, mas também da amizade que as une, e que as move na hora de se motivarem.

A rivalidade entre estas duas atletas portuguesas do triplo salto existe, até porque já perderam a conta da quantidade de vezes que tiveram de se enfrentar, mas não supera a amizade construída ao longo de mais de dez anos. Os quatro anos de diferença que as separam parecem insignificantes nos dias de hoje, mas já se fizeram sentir no início de tudo.

Patrícia Mamona era ainda júnior e olhava para Susana Costa de baixo para cima, com admiração, como contou ao DN: "Lembro-me de antigamente olhar para a Susana como uma rapariga muito grande [risos]. Via-a como uma inspiração e gostava muito da técnica dela. Cada vez que a Susana abria as pernas e saltava, eu pensava: "Uau! Como é que ela faz aquilo?".

Susana Costa também puxa pela memória e confessa que, quando viu chegar aquela miúda que a começou a desafiar e a fez sentir um sabor amargo a que não estava habituada, não foi de todo fácil. "Quando ela não era a número 1, dizia-me: "Vou ganhar-te". E eu não lidava bem com isso. Dizia para mim: "Que raio! Esta miúda não me respeita". Aos poucos fui-me apercebendo do porquê e hoje sei que é com essa atitude que chegamos longe", atira.

Susana representa o Benfica e é treinada por João Ganço, Patrícia é atleta do Sporting e tem no professor José Uva o seu suporte. Os objetivos são os mesmos e na hora de competir é cada uma por si, mas depois sorriem e volta a cumplicidade.

Patrícia Mamona explica como se consegue separar tudo: "Quando estamos dentro da pista, cada uma faz o que tem a fazer. Estamos ali para competir e dar o nosso melhor. Ela "pica-me" de vez quando, é normal. Mas o mais importante é sabermos separar isto. Vejo a Susana quase todos os dias, treinamos no mesmo local, fazemos estágios juntas e a rivalidade entre os clubes não afeta isso."

Susana Costa complementa: "Nós somos muito amigas, damo-nos bem, mas não vou dizer que é fácil. O que uma quer dentro da pista, a outra também quer."

Até porque é nesta luta por um objetivo comum que as duas crescem e atingem patamares mais altos. "Quando ela melhora, isso faz que eu pense que também consigo lá chegar. É isso que nos faz crescer e é positivo", diz a atleta do Benfica, que de pronto tem a confirmação disso nas palavras de Patrícia: "Ainda bem que existe a Susana. Sem ela, não conseguia estar neste patamar".

A frase de Patrícia na qualificação

E se dúvidas houvesse nesta história de amizade vs rivalidade, basta recordar o que aconteceu no passado sábado na qualificação do triplo salto. Patrícia Mamona conseguiu a qualificação direta ao segundo salto; porém, para Susana, as coisas estavam a complicar-se.

A atleta do Sporting chegou-se até à amiga e deixou-lhe umas palavras de incentivo, que Susana Costa não esquece: "A Patrícia veio ter comigo, abraçou-me e disse: "Faz o salto da tua vida". Eu não respondi, apenas abanei a cabeça a dizer que sim. Fui para o último salto com toda a garra, e saímos de lá as duas com um sorriso".

Hoje à noite, na final do triplo salto, tudo isto ficará fora da pista e voltará a ser cada uma por si em cada salto. E no fim ganhará Portugal por ter duas atletas desta qualidade que conseguem estar entre as melhores num Mundial de Atletismo.

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