Sucesso da canoagem portuguesa ao nível da exigência olímpica

Canoagem terminou com bronze de Fernando Pimenta, sétimo lugar de Teresa Portela e o oitavo do K4 500 metros.

A canoagem portuguesa terminou este sábado a campanha nos Jogos Olímpicos como uma das modalidades lusas de maior sucesso, destacando-se o bronze de Fernando Pimenta, o sétimo lugar de Teresa Portela e o oitavo do K4 500 metros em Tóquio2020.

No Sea Forest Waterways, invulgarmente de água salgada, Fernando Pimenta conquistou a desde sempre desejada medalha olímpica em K1, neste caso na prova rainha dos 1.000 metros, um bronze que não foi mais porque dois canoístas da Hungria, a maior potencia mundial da modalidade, muito mais novos, foram imbatíveis.

"Quero medalhas olímpicas das três cores", disse, no fim, o limiano, que em 13 de agosto completa 32 anos, e que já tem uma prata de Londres2012, com Emanuel Silva, em K2 1.000 metros.

A idade - terá 35 anos em França - e o surgimento de valores internacionais cada vez mais jovens tornam o sonho de Pimenta de ainda ser campeão olímpico mais viável numa tripulação, pelo que K2 500 ou K4 500 metros poderão ser uma forte aposta para o ciclo Paris2024, mais curto do que o habitual, de somente três anos.

O novo ciclo costuma trazer a reformulação de embarcações, o que certamente acontecerá tanto no masculino como no feminino, onde Teresa Portela já revelou que dificilmente voltará a concorrer a solo, como o fez agora no Japão.

Aos 33 anos, foi sétima em K1 500 metros, o seu melhor resultado olímpico nesta vertente, e 10.ª em K1 200 metros, nos quais lhe tocou a semifinal mais difícil, com as que se revelaram ser as quatro mais fortes na final.

"Provavelmente, não vou competir mais em K1, porque tem sido muito desgastante, apesar de ter sempre desfrutado. É muito duro estar constantemente ao mais alto nível, se conseguir ter uma equipa em K2 ou K4 talvez possa ir a Paris2024", assumiu em declarações à Lusa.

O K4 500 metros masculinos esperava ser o melhor exemplo da superação portuguesa em Tóquio2020, atingiu a ambicionada final, porém, aí, não foi capaz de surpreender, como pretendia.

Emanuel Silva, 35 anos, vai deixar para um "jantar em família" se faz mais um ciclo olímpico, mas a vontade, experiência e garra de um 'animal competitivo' podem levá-lo a novo desafio e a uma invulgar sexta participação, só superada pelas sete de João Rodrigues.

O K4 500 sai do Japão com o oitavo lugar e "mais de 250 dias de trabalho longe da família" do bracarense, com João Ribeiro e os estreantes Messias Baptista e David Varela, todos firmes nas contas do futuro, que, seguramente, vão passar a incluir igualmente Fernando Pimenta.

Joana Vasconcelos foi a última canoísta internacional a qualificar-se para os Jogos, em junho na Sibéria, numa época que assim acabou por ser muito longa, o que teve custos em Tóquio, onde não passou dos quartos de final em K1 500 e K1 200 metros.

Confessou, no fim, a sua predileção pelas tripulações K2 e K4, pelo que, juntamente com Teresa Portela, está disponível num grupo que contará ainda com a médica Francisca Laia, olímpica no Rio2016, e com um conjunto de jovens valores em ascensão em Portugal.

Esta geração de canoístas conseguiu a prata em Londres2012 com o K2 1.000 metros de Fernando Pimenta e Emanuel Silva, dois sextos lugares em K2 500 e K4 500 feminino e um oitavo também em mulheres, por Teresa Portela em K1 200.

No Rio2016 houve uma quarta posição do K2 1.000 de Emanuel Silva e João Ribeiro, o quinto de Fernando Pimenta em K1 1.000 e o sexto no K4 1.000, que inclui estes três desportistas mais David Fernandes.

A geração de ouro da canoagem portuguesa tem já vários atletas na casa dos 30 anos, pelo que a renovação será um dos desafios mais interessantes para Paris2024.

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