Investigação deixou Mendes à solta para ligar peças do ataque

Ex-líder da Juve Leo resistiu à detenção. Ocupantes do BMW são considerados os cabecilhas das agressões na Academia

Três semanas depois dos violentos incidentes de Alcochete, só agora foram detidos quatro dos cinco elementos que saíram da Academia no dia das agressões aos jogadores do Sporting, num BMW azul, que terá tido permissão para entrar e sair da infraestrutura leonina.

Fernando Mendes, presidente honorário da Juventude Leonina, Ba Amadu, Joaquim Costa e Nuno Torres, que conduziu a viatura mas não esteve no balneário da equipa de futebol profissional do Sporting, foram detidos na noite desta quarta-feira e são considerados pela investigação como os cabecilhas do que aconteceu em Alcochete.

Ao que o DN apurou, a operação conjunta da GNR e da PSP, coordenada pela procuradora Cândida Vilar, esteve para se realizar 48 horas antes. Contudo, foi decidido que era mais prudente esperar para deter os quatro suspeitos em simultâneo, ainda que a operação decorresse em quatro zonas diferentes de Lisboa e da Grande Lisboa. E assim foi, com Fernando Mendes a resistir à detenção, apurou o DN. O referido quarteto é suspeito de "comparticipação" nas agressões que tiveram lugar na Academia do Sporting a 15 de maio.

Ainda segundo o DN apurou, a investigação optou por dar alguma margem a estes arguidos, colocando-os sob escuta, daí a decisão de não os deter logo no dia em que se verificaram as agressões aos jogadores, treinadores e elementos do staff leonino. Esse tempo serviu para tentar perceber como o ataque foi organizado e executado. Inclusivamente, cinco dias depois do ataque, Fernando Mendes tentou assistir à final da Taça de Portugal, entre Sporting e Desportivo das Aves, mas a entrada foi-lhe barrada. Mas apenas e só isso.

De acordo com a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) os factos em causa são "suscetíveis de integrar a prática dos crimes de introdução de lugar vedado ao público, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, sequestro, dano com violência, detenção de arma proibida agravada, incêndio florestal, resistência e coação sobre funcionário e terrorismo".

No decurso da operação conjunta da GNR e da PSP, foi ainda detido mais um elemento, Alano Silva, membro que se encontrava na sede da claque, que foi alvo de buscas na noite de quarta-feira. Nesta operação foram emitidos quatro mandados de busca domiciliária, às casas dos arguidos, e ainda um de não domiciliária, à sede da Juventude Leonina.

Os arguidos foram presentes ontem ao Tribunal do Barreiro e mostraram vontade em falar, o que deve acontecer esta sexta-feira - à chegada, Nuno Torres, o condutor do BMW, tentou agredir um jornalista. No entanto, é bom referir que o Ministério Público vai pedir prisão preventiva e espera que o juiz atenda a essa pretensão, pois os indícios dos restantes 23 suspeitos são precisamente os mesmos, com a agravante de os quatro homens que saíram da Academia no BMW azul serem considerados os mentores do ataque. As medidas de coação devem ser conhecidas hoje.

O advogado de Nuno Torres, à saída do tribunal, defendeu que foi uma coincidência o seu cliente estar na Academia. "Este grupo é completamente diferente do outro. Não foi o grupo que agrediu, pelo menos o Nuno Torres não foi. Está indiciado pelos mesmos crimes, o que está errado. Aparentemente foi coincidência estar lá naquele dia. Foi lá buscar colegas, mas à posteriori. Não assistiu às agressões, quando chegou já tinham acontecido. Ele não ia encapuçado, havia um grupo à parte e ele não entrou nesse grupo. Isso está nos autos", referiu.

Neste momento estão a ser analisadas todos os telemóveis e as conversas por whatsapp, pesquisa fundamental para que se possa perceber se houve e quem foi o mandante do ataque à Academia de Alcochete no dia 15 de maio.

A investigação está numa corrida contra o tempo, visto que como há 23 suspeitos em prisão preventiva, e recursos na relação a correr, urge demonstrar muito rapidamente os indícios, por exemplo, de terrorismo.

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