Ex-líder da Juve Leo Fernando Mendes foi detido

As detenções estão diretamente ligadas às agressões na Academia de Alcochete. Detidos são ouvidos esta tarde em tribunal

O ex-líder da Juventude Leonina Fernando Mendes foi detido esta quarta-feira em Lisboa, juntamente com mais três pessoas. Os detidos vão ser ouvidos esta tarde no Tribunal do Barreiro.

As detenções estão diretamente ligadas às agressões na Academia de Alcochete - os detidos são os membros da claque que saíram do local num BMW pouco tempo depois dos incidentes, incluindo o condutor do carro.

Foi uma operação da GNR e PSP, liderada pelo DIAP de Lisboa e pela procuradora Cândida Vilar. A notícia foi avançada pela TSF. Segundo a rádio, a operação envolveu 15 elementos da polícia, no centro da capital.

No dia 15 de maio, vários adeptos, alguns ligados às claques leoninas, entraram na Academia de Alcochete e agrediram os jogadores e equipa técnica do Sporting. 23 foram detidos nessa tarde - e continuam em prisão preventiva -, mas soube-se nos dias seguinte que alguns elementos, nomeadamente Fernando Mendes, tinham saído do local num BMW que os tinha ido buscar.

Aliás, Fernando Mendes foi identificado por várias pessoas como tendo estado no balneário, onde os jogadores e Jorge Jesus foram agredidos. No depoimento que prestou, o agora ex-treinador do Sporting descreve que chegou a pedir ajuda ao antigo líder da claque. "Fernando, ajuda, estes gajos estão a bater nos jogadores, ajuda-me", terá dito treinador. A resposta de Fernando Mendes terá sido de que os cerca de 50 elementos que invadiram a Academia não estavam lá para bater, mas para falar.

Fernando Mendes já tinha estado envolvido num incidente em que terá ameaçado os jogadores no aeroporto da Madeira, depois de a equipa ter perdido com o Marítimo, na última jornada do campeonato.

Nuno Torres, o condutor do carro, disse na altura que teve autorização para entrar e que nada tinha a ver com as agressões, tendo ido lá para ajudar. "[Quando entrei] Já a situação tinha acontecido, já não estava lá ninguém, já tinha saído o Jorge Jesus um pouco ensanguentado e eu tentei, com uma garrafa de água, ajudá-lo. Jesus foi a única pessoa que vi ensanguentada, tinha sangue nos lábios. Fui buscar o meu carro, voltei e fui buscar o Fernando Mendes", contou à SIC.

As agressões no balneário do Sporting aconteceram depois da última jornada do campeonato (onde a equipa perdeu o segundo lugar para o Benfica) e quando preparava a final da Taça de Portugal (perdida para o Desportivo das Aves). Entre os detidos, nove decidiram falar ao juiz de instrução. Acabaram indiciados pelos crimes de "introdução em lugar vedado ao público, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, sequestro, dano com violência, detenção de arma proibida agravado, incêndio florestal, resistência e coação sobre funcionário e também de um crime de terrorismo", referia na época o comunicado do Ministério Público.

Desde então, o Sporting tem enfrentado uma crise interna, com várias demissões nos órgãos dirigentes, pedidos de demissão do presidente Bruno de Carvalho e jogadores a rescindirem com justa causa.

Jorge Jesus também já abandonou a equipa e vai treinar o Al-Hilal.

Entretanto está marcada uma assembleia geral para destituir a direção, para 23 de junho, mas Bruno de Carvalho garante que esta não tem legalidade e que não se vai realizar. Ainda ontem, quarta-feira, voltou a dar a garantia de que não iria apresentar a demissão, depois de um administrador da SAD ter saído.

Apesar de não estarem marcadas eleições, nem de essa ser a vontade do atual presidente, já surgiu pelo menos um candidato ao cargo. Frederico Varandas, antigo médico da equipa de futebol. Muitas são também as vozes públicas que se têm mostrado preocupadas com a atual situação do clube.

Entre elas, o antigo ministro Miguel Poiares Maduro que, em entrevista ao DN, defende a realização de eleições. "A melhor forma de sabermos se há uma divisão, ou se há a procura de tomar poder dentro do clube por um presidente contra os estatutos, contra aquilo que são os princípios democráticos da separação de poderes, é precisamente dando voz aos sócios."

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