Bruno diz que Cintra vai presidir à comissão de gestão

Jaime Marta Soares recebeu mais de uma dezena e meia de recusas. Mas segundo Bruno de Carvalho, será o antigo presidente dos leões a encabeçar o órgão que vai gerir o clube

Depois de na quarta-feira à hora de almoço ter anunciado que ia nomear a comissão de gestão (CG) "nas próximas horas", Jaime Marta Soares, presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG) do Sporting, parece ter, finalmente, a CG fechada. Ao que o DN apurou, a mesma terá sete elementos e será anunciada a qualquer momento. E segundo Bruno de Carvalho, Sousa Cintra, que será o líder de uma CG cuja duração estará dependente do que suceder na assembleia geral extraordinária (AGE) de destituição de dia 23.

"Até tu Brutus... aliás, até tu Cintra... Sousa Cintra está a tentar ligar para pessoas a dizer que é o presidente da putativa Comissão de Gestão", anunciou ontem à noite Bruno de Carvalho, na sua página do Facebook. O DN tentou contactar o antigo líder dos leões, mas não atendeu. Na mesma mensagem nas redes sociais, o atual presidente do Sporting falou de um jantar no CIF onde Marta Soares estaria com Sousa Cintra e mais três pessoas: "Parecem ser José Rebelo, Artur Torres Pereira e Diogo Orvalho."

Desde quarta-feira, aos convites feitos para integrar a CG, Jaime Marta Soares recebeu mais de dezena e meia de recusas - Eduardo Barroso e Pedro Santana Lopes são alguns dos nomes que vieram a público e que rejeitaram o desafio de Marta Soares. As razões para as respostas negativas foram várias, com a particularidade de os requisitos serem apertados: sportinguistas bem-vistos pelos adeptos, que tenham veiculado pouco ou nada a sua opinião sobre o momento e com disponibilidade para um cargo a full-time que pode terminar... dentro de uma semana.

O DN sabe que o eleito para presidente da CG - Sousa Cintra? - tinha aceite com muita renitência. O argumentário de Marta Soares acabou por fazer ceder aquele que vai gerir o Sporting perante o vazio diretivo, visto que desde que a comissão de fiscalização decretou a suspensão de funções do conselho diretivo (CD), na última quarta-feira, que o clube (não confundir com a SAD) está, oficialmente, sem dirigentes. Esta situação ganhou força depois de o tribunal ter considerado ilegais as AG marcadas para amanhã e 21 de julho, agendadas pela comissão transitória da MAG. Assim, como salientou o juiz que analisou a providência, a única AG que conta é a que se realiza sábado dia 23 - que visa a destituição e tem cariz extraordinário.

E aí vai-se jogar muito do futuro do Sporting. A primeira questão prende-se com a presença de Bruno de Carvalho. O presidente entende que ao estar suspenso não poderá comparecer na AG. Poder pode, votar já uma coisa diferente. E esta questão é de primordial importância, visto que a defesa é um princípio básico do direito. A própria MAG deve fazer uma comunicação nos próximos dias para informar que Bruno de Carvalho só não estará na Altice Arena se não quiser.

Ao que o DN apurou, se os sócios votarem contra a destituição do conselho diretivo, a comissão de fiscalização entenderá que os sócios foram ouvidos, princípio que sempre defenderam, e, por isso, a suspensão pode passar à história e Bruno de Carvalho, assim, retomar o seu mandato. Se tal acontecer, a CG finda a sua tarefa... ao fim de uma semana. Caso os sócios votem a favor da destituição, a CG ficará em funções até às eleições, que deverão realizar-se até ao fim de julho.

Assinaturas provocam cisão

A 30 de maio, Jaime Marta Soares tentou verificar, em vão, assinaturas de sócios efetivos relativos a 3500 votos (eram necessários mil). Ontem foi a Alvalade no seguimento da decisão do juiz de obrigar o Sporting a fornecer os cadernos eleitorais. Bruno de Carvalho revelou que Marta Soares, acompanhado de um oficial de justiça e de um advogado, levou uma pen drive com a listagem de sócios.

O DN sabe que esta decisão de Jaime Marta Soares, de não verificar as assinaturas, não foi consensual entre os elementos da MAG. Inclusivamente Marta Soares foi pressionado por pessoas externas à MAG para verificar as assinaturas de forma a estar legitimado, pelo menos moralmente.

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