O mergulho para a vitória do substituto Matheus Nunes

Leões recebem e venceram os encarnados, por 1-0, no Estádio José Alvalade, na 16.ª jornada da I Liga. Médio brasileiro, que em 2018 jogava nos distritais, atuou no lugar de Palhinha e marcou o golo da vitória. Benfica ficou a nove pontos.

O Sporting mostrou estofo de candidato ao título ao vencer o Benfica, por 1-0, esta segunda-feira no Estádio José Alvalade. Um golo do substituto de Palhinha no onze, Matheus Nunes aos 90+2 minutos (minuto maldito da carreira de Jorge Jesus e do Benfica) decidiu o dérbi a favor dos leões, que assim abrem um fosso de nove pontos para o rival da Luz - FC Porto continua a quatro pontos, no segundo lugar, depois de vencer o Rio Ave.

Rúben Amorim tinha dito que a vitória não tirava o Benfica da luta pelo título, mas dava mais confiança ao Sporting. E também é disso que se trata. A confiança que tem faltado aos leões nos últimos anos parece redobrado com o jovem treinador ao leme, que não esconde a estrelinha que o acompanha. E é legítimo os adeptos sonharem com o título que lhes foge desde 2001-02, mesmo que o treinador insista em dizer que não é candidato ao título... para já.

Um dérbi é um dérbi e não há nada igual, dizem os jogadores que ao longo da história têm perpetuado a magia do dérbi eterno da Cidade de Lisboa. Separados por meia dúzia de metros, Sporting e Benfica habituaram-se a olhar para o vizinho como rival, fruto das conquistas e disputas entre ambos dentro e fora de campo.

O jogo desta segunda-feira não foi exceção. Mesmo sem adeptos nas bancadas, o clube de Alvalade exibiu a Taça da Liga conquistada na semana passada, dando assim um claro sinal ao adversário, que há nove anos não perdia em Alvalade para o campeonato.

Palhinha foi despenalizado por ordem de um juiz a meio da tarde e chamado ao estágio da equipa, mas Rúben Amorim não tinha esperança de utilizar o médio e nem o tinha convocado. Por isso começou por isso no banco, dando lugar a Matheus Nunes no onze inicial. O médio que ainda em 2018 jogava nos distritais seria o herói do dérbi com um golo depois dos 90 minutos.

O encontro da 16.ª jornada da I Liga devia ser uma luta entre o aprendiz (Rúben Amorim) e o mestre (Jorge Jesus), mas a covid-19 não o permitiu e tirou do banco o treinador do Benfica. Quem orientou os encarnados foi João de Deus. Com alguns recuperados covid-19 de volta, como Vlachodimos, a principal novidade foi a opção por um sistema de três centrais, com Jardel entre Otamendi e Vertonghen. Será uma amostra do que aí vem depois da contratação de Lucas Veríssimo?

A estratégia do adjunto caiu por terra aos 11 minutos. O capitão fez um sprint e ficou agarrado à perna, sendo obrigado a sair e dar lugar a Gabriel. Weigl teve assim de recuar no terreno e passar a ser ele o terceiro central. O Benfica perdeu poder no meio campo e o Sporting ficou a ver o adversário a circular a bola para sair em transição.

A primeira parte foi muito equilibrada, dinâmica e jogado a meio campo. O recurso à falta foi usado de bom grado por ambas as equipas, tirando brilho ao futebol jogado. A bola andou muito longe da baliza e por isso não surpreende que o intervalo chegasse com um nulo no marcador. Embora pintado em tons de verde a primeira parte terminou sem um remate à baliza.

Tirando uma ameaça de Pizzi, o Benfica não conseguiu criar perigo e Darwin foi apanhado em fora de jogo por três vezes. Já o Sporting ainda pregou três sustos a Vlachodimos. Primeiro por Tiago Tomás (isolado permitiu a defesa, embora o lance tenha sido anulado por fora de jogo), depois por Pedro Porro (bola bateu em Grimaldo e subiu por cima da baliza) e por Neto (servido por Tiago Tomás e com a baliza aberta cabeceou sem nexo).

Já se esperava um jogo mais cerebral pelo que estava em jogo - em caso de derrota o Benfica ficava muito longe da liderança leonina -, mas exigia-se mais qualidade e espetáculo a dois candidatos ao título.

O telefonema de Jesus e o minuto 90'+2'

João de Deus ao telefone na saída para o intervalo deixava claro que era Jesus a dar indicações para o segundo tempo. A primeira mudança foi na atitude. O Benfica voltou dos balneários mais enérgico e com iniciativa de jogo. Aos 46 minutos Darwin aqueceu as mãos a Adán, mas não tardou até o leão voltar a dominar liderados pela explosão do recém entrado Jovane e pelo atrevimento de Pedro Gonçalves.

O avançado leonino apareceu muito deslocado e junto à linha, sentindo a falta de companhia na área - um problema que a contratação de Paulinho deve resolver no futuro. Com Tabata em campo e Jovane e arrastar dois e três adversários com ele, Pedro Gonçalves ganhou liberdade para criar perigo. Aos 74 minutos o "Potinho de Vidago" contou um um precioso desvio de Gilberto e obrigou Vlachodimos a voar para impedir o golo do Sporting.

Seria um sinal do que aconteceria já depois dos 90 minutos. Num lance confuso que espelha o que aconteceu durante o segundo tempo, Porro cruzou, Vlachodimos ainda afastou a bola a soco, mas ela foi ter com Matheus Nunes, que mergulhou e fez o golo.

O triunfo permitiu ao Sporting igualar o histórico de confrontos entre os dois clubes nos jogos para o campeonato disputados em casa dos leões (33) e com os mesmos golos (125).

VEJA O GOLO

FICHA DE JOGO

Jogo realizado no Estádio José Alvalade, em Lisboa

Sporting - Benfica, 1-0

Ao intervalo: 0-0

Marcador:1-0, Matheus Nunes, 90'+2'

Equipas:

Sporting: Adán, Luís Neto, Coates, Feddal, Pedro Porro, Matheus Nunes, João Mário (João Palhinha, 61'), Nuno Mendes, Nuno Santos (Jovane Cabral, 61'), Pedro Gonçalves (Daniel Bragança, 90'+1') e Tiago Tomás (Bruno Tabata, 74')

Treinador: Rúben Amorim

Benfica: Vlachodimos, Otamendi, Jardel (Gabriel, 11'), Vertonghen, Gilberto, Weigl, Pizzi, Grimaldo (Nuno Tavares, 79'), Rafa, Cervi (Taarabt, 65') e Darwin (Seferovic, 79')

Treinador: João de Deus

Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto)

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Gilberto (13'), Tiago Tomás (15'), Weigl (16'), Neto (40'), Otamendi (53'), Pizzi (76'), Gabriel (80') e Tabata (90'+5')

Assistência: Jogo realizado à porta fechada devido à pandemia de covid-19

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