Vencer na estreia é problema de Portugal desde o Euro 2008

A equipa das quinas venceu cinco das 13 partidas de arranque em grandes competições, mas nas últimas quatro fases finais saiu com dois empates (Costa do Marfim e Islândia) e outras tantas derrotas frente à Alemanha

A seleção estreia-se amanhã no Mundial 2018, em Sochi, frente à Espanha. Quando, às 19.00 (RTP 1), o italiano Gianluca Rocchi apitar para o início da partida, Portugal vai procurar quebrar um jejum de triunfos na estreia em fases finais de grandes provas que já vai em quatro jogos: empates com a Costa do Marfim e a Islândia e duas derrotas com a Alemanha.

A última vez que a equipa das quinas conquistou um triunfo no jogo de estreia foi no Euro 2008 - Suíça e Áustria -, diante da Turquia, por 2-0, em Genebra. Foi há pouco mais de dez anos, ainda Luiz Felipe Scolari era o selecionador nacional.

O triunfo acabou por surgir só na última meia hora, com um golo de Pepe (61 minutos) e outro de Raul Meireles (90"). Curiosamente, o luso-brasileiro irá, ao que tudo indica, liderar a defesa portuguesa na partida de amanhã com os espanhóis, sendo certo que é um dos seis jogadores que vão repetir a presença no Mundial: Moutinho e Ronaldo, que foram titulares com os turcos; Rui Patrício, Bruno Alves e Quaresma, suplentes não utilizados.

Os jogos de estreia de Portugal nas 13 fases finais em que participou - sete Europeus e seis Mundiais - saldam-se em cinco vitórias, quatro empates e outras tantas derrotas. Esta história começou da melhor forma quando José Augusto abriu o marcador aos dois minutos do primeiro jogo de sempre de Portugal em fases finais, frente à Hungria, no Mundial de 1966, em Inglaterra. A equipa das quinas venceu por 3-1 - mais um golo de José Augusto e outro de Torres - e lançou-se para a bela campanha de Eusébio e seus pares, que conquistaram o 3.º lugar.

O pesadelo alemão

A seleção que mais vezes defrontou Portugal em estreias foi a Alemanha. No Euro 1984, em Estrasburgo, registou-se um empate a zero e no Euro 2012 os alemães venceram por 1-0. Mas todos ainda se recordam do pesadelo do último Campeonato do Mundo, disputado no Brasil em 2014. Em Salvador, sob um calor insuportável, os alemães iniciaram a caminhada para o título com uma goleada de 4-0 à seleção orientada por Paulo Bento. Três golos de Thomas Müller e outro de Hummels traçaram o destino da equipa das quinas, que acabaria por cair logo na fase de grupos.

Mas nem sempre uma derrota na estreia foi sinónimo de fracasso na fase final, pois no Euro 2004, no Dragão, Portugal perdeu com a Grécia e acabaria por chegar à final, onde a equipa das quinas acabaria outra vez derrotada pelos helénicos. Também no Euro 2012, apesar da derrota com a Alemanha, a equipa das quinas chegou às meias-finais (perdeu no desempate por penáltis com a Espanha). Pior foi no Mundial 2002, quando o inesperado desaire (2-3) com os Estados Unidos, em Suwon, na Coreia do Sul, deu início a uma grande derrocada da seleção de António Oliveira, que abandonou a prova após três jogos.

Inglaterra de boa memória

As vitórias mais extraordinárias foram com a Inglaterra, a segunda seleção com quem Portugal mais vezes jogou na estreia. No Euro 2000, em Eindhoven, perdia por 2-0 aos 18 minutos, mas depois iniciou uma reviravolta épica, com golos de Figo, João Pinto e Nuno Gomes. Era o mote para uma excelente campanha até às meias-finais.

Já no Mundial 1986, no México, havia registado um triunfo lusitano, graças a um golo de Carlos Manuel que, no entanto, não evitou o pesadelo que se seguiu, com o eclodir do famoso caso Saltillo e as derrotas com a Polónia e Marrocos.

A estreia de Portugal no Mundial 2006 teve um enorme simbolismo, pois a equipa das quinas batizou Angola na maior competição futebolística, tendo os portugueses saído vencedores graças ao golo de Pauleta logo aos quatro minutos.

O primeiro jogo costuma ter muita importância nestes torneios, mas a verdade é que Portugal iniciou a caminhada para o título europeu (2016) com um empate (1-1) com a estreante Islândia. Amanhã diante da Espanha começa a escrever-se uma outra história e nada melhor do que começar a quebrar o jejum de dez anos...

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