Santos e as estreias. "Isto não é uma festa, há aqui um jogo de futebol"

Fernando Santos não promete utilizar todo os jovens convocados nos particulares com a Arábia Saudita e os Estados Unidos

A lista de convocados de Fernando Santos para os jogos particulares de hoje frente à Arábia Saudita e terça-feira diante dos Estados Unidos apresenta uma média de idades de apenas 24,8 anos, a mais baixa da era Santos e certamente uma das de sempre da história da seleção nacional - só como exemplo, no último Campeonato da Europa, a média era de 27,87 anos.

Caso o selecionador entendesse, esta noite, no Estádio do Fontelo, em Viseu, diante da Arábia Saudita (20.45, RTP1, SIC e TVI), podia fazer um onze com uma média de idades de 22,3 anos. Desta equipa fariam parte dois futebolistas com apenas 20 anos - Rúben Neves no meio-campo e Gonçalo Guedes no ataque - e os mais velhos seriam o guarda-redes José Sá e o defesa-central Ricardo Ferreira, ambos de 24 anos.

Este é apenas um mero exercício para mostrar que esta é uma convocatória atípica (o onze que irá iniciar o jogo será uma mistura de jogadores mais experientes com jovens), em que faltam grande parte dos titulares da seleção, logo à partida o capitão Cristiano Ronaldo, mas também Rui Patrício, João Moutinho, Bruno Alves, William Carvalho, Cédric, Quaresma, Nani, entre outros. E que vai servir para o selecionador analisar alguns futebolistas - oito dos convocados podem estrear-se pela seleção A.

Fernando Santos, contudo, fez ontem questão de deixar bem vincado que muito provavelmente nem todos os jovens chamados terão a oportunidade de jogar e estrear-se pela seleção. "Se for possível sim, mas não tenho esse condicionalismo, nem vou apresentar duas equipas. Isto não é uma festa, há aqui um jogo de futebol e estamos a preparar um Mundial. Vamos apresentar para cada jogo a equipa que achamos melhor para cada uma das partidas", referiu, prometendo que apesar das muitas caras novas, "a equipa não vai perder a sua matriz, a sua filosofia, a forma de estar em campo". "Isso vai-se manter", garantiu.

Antes do selecionador, o médio Danilo também tinha falado dos muitos jovens que integram esta convocatória. "Temos um grupo bom que acolhe aqueles que chegam de início. Não vai haver dificuldades na integração. Eles, como jogadores de qualidade que são, têm toda a capacidade de se integrar num grupo como o da seleção e nós estamos aqui para ajudar. Não vão estar todos no Mundial mas têm aqui uma oportunidade de mostrarem o seu valor", disse.

Santos também deixou uma palavra às caras novas e recusou a ideia de estes dois jogos poderem ser um teste. "Todos já estão a ser observados há três anos. Por vezes os treinos dizem muito mais do que os jogos. Não há aqui uma questão de renovação, há um lote de 40 jogadores que preciso de observar para fazer uma convocatória. É claro que não vão todos ao Mundial, mas já é um ponto de partida para eu fazer a escolha. Isto é uma equipa aberta não há questão de idades, há sim uma questão de qualidade", analisou.

Portugal entre os candidatos

Lembrando o carácter solidário dos dois jogos particulares, cujas receitas vão reverter para apoiar as vítimas dos incêndios que assolaram Portugal, Santos diz que depois da palestra, "os jogadores vão concentrar-se no jogo", lembrando que a Arábia Saudita "pode ser um possível adversário de Portugal no Mundial da Rússia" e que por isso este jogo "será um bom teste".

Por falar em Mundial, o selecionador foi questionado sobre se considera a seleção portuguesa uma das favoritas a vencer a competição que se vai realizar no próximo ano na Rússia, até porque é atual campeão da Europa em título: "Seguramente favoritas são Argentina, Brasil, França, Espanha e Alemanha. Depois há um conjunto de candidatos que ambicionam chegar lá e se possível vencer. E Portugal faz parte do lote de candidatos, mas não é favorito."

Uma outra questão prendeu-se com a ausência de Cristiano Ronaldo da convocatória, até pelo cariz solidário do jogo e pela importância que a presença do capitão de equipa teria em termos de impacto para o público nos jogos que se realizam em Viseu (hoje) e em Leiria (terça-feira). "Não, não cheguei sequer a ponderar. O Cristiano Ronaldo não esteve nunca nas minhas contas, como não esteve nos jogos que realizámos na Rússia e no Luxemburgo. Logo à partida, quando planeei o trajeto até ao Mundial, já não contava com Ronaldo para estes jogos. Não posso alterar a gestão desportiva por uma causa solidária, não me parece certo."

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