Fernando Santos desvaloriza veterania da defesa: "Velhos são os trapos"

O selecionador Fernando Santos desvalorizou hoje a 'veterania' do setor defensivo da seleção portuguesa de futebol e admitiu que gostaria que alguns dos jogadores chamados estivessem a atuar mais nos seus respetivos clubes.

Na conferência de imprensa de divulgação dos convocados para os particulares com Egito e Holanda, Fernando Santos lembrou que "velhos são os trapos" e não se mostrou preocupado com a idade elevada de centrais como José Fonte (34 anos), Bruno Alves (36) e Pepe (35), este último ausente devido a lesão.

"Velhos são os trapos. Não tenho jogadores velhos. Eu tenho 63 anos e não acho que sou velho, por isso um jogador de 34 e 35 anos não pode ser velho. O Ricardo Carvalho esteve no Europeu e tinha 37 anos. Isso não entra nos meus critérios de avaliação", afirmou o selecionador luso, na Cidade do Futebol, em Oeiras.

Para esse setor, Fernando Santos chamou Rúben Dias, central do Benfica de 20 anos que é estreia absoluta, e Rolando, de 32, que aparece pela primeira vez nas opções do atual selecionador nacional.

"Há sempre necessidade de analisar jogadores e é isso que estamos a fazer. Na última convocatória, estiveram, por exemplo, o Edgar Ié e o Ricardo Ferreira. Faz parte", explicou.

Fernando Santos confessou ainda que chega a esta altura com mais dúvidas sobre a lista final do que aquelas que tinha há dois anos, a três meses do Europeu 2016. "Diria que há dois anos atrás a lista de convocados para os jogos particulares estaria muito mais próxima [da lista para a fase final] do que esta. Percebe-se isso claramente, há 25 jogadores convocados, uns que não estão mas podiam estar. Não foi uma convocatória fácil, eu teria convocado 30. Há dois que não estão por indisponibilidade - Pepe e Danilo -, mas que em condições normais farão parte da convocatória final", indicou o selecionador.

"Não há nenhum indiscutível que tenha de ser convocado, mas há jogadores com um peso importante. Estamos na ordem dos 70 por cento da convocatória final. Há uma série de jogadores que não foram chamados agora mas estiveram em novembro, como o Ricardo Pereira, o Rony Lopes, o Gonçalo Paciência. Se pensarmos nas duas últimas convocatórias, aí sim, estamos muito perto de encontrar a seleção final", acrescentou, desvendando o primeiro dos 23 que vai levar para a Rússia: "Cristiano Ronaldo. Esperemos que esteja em ótimas condições", concluiu.

Da lista de 25 convocados, jogadores como Adrien Silva (Leicester), André Silva (AC Milan) e Raphaël Guerreiro (Borussia Dortmund) aparecem com pouco utilização esta temporada, situação que desagrada a Fernando Santos, mas que não é impeditiva par chamar os futebolistas à seleção.

"Interessa-me ver como estão, para preparar melhor o Mundial e fazer um balanço. Gostava que jogassem 90 minutos em todos os jogos, mas isso não tem sido possível. Veremos", disse o antigo treinador de FC Porto, Benfica e Sporting.

Santos abordou também a situação do médio André Gomes (FC Barcelona), que está convocado e recentemente confessou, numa entrevista, estar a passar por momento difícil a nível psicológico.

"Quando estive com ele em novembro, pareceu estar tudo bem, mas o ambiente aqui é diferente devido à relação que existe entre jogadores, treinadores e 'staff'. O jogador chega aqui e muda de agulha. Vai ser uma oportunidade para saber o estado psicológico do jogador e perceber o seu estado anímico", confessou.

Os 25 jogadores chamados pelo selecionador nacional começam a treinar a 20 de março, na Cidade do Futebol, em hora ainda a designar.

O 'duelo' com o Egito está agendado para 23 de março, em Zurique, na Suíça, e o embate com a Holanda será três dias depois, em Genebra, igualmente em solo helvético.

Depois destes dos particulares, Portugal já tem agendados mais três, a 28 de maio, com a Tunísia, em Braga, a 02 de junho, na Bélgica, e a 07 de junho, com a Argélia, em solo luso.

A 09 de junho, a comitiva lusa parte para a Rússia, onde se estreia no Mundial2018 a 15 de junho, frente à Espanha. A 20, mede forças com Marrocos e a 25 com o Irão, de Carlos Queiroz, em encontros do Grupo B.

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