CR7 recuperou o killer instinct. Há mais recordes para perseguir

Em Madrid celebra-se o regresso do "instinto assassino" do avançado. Vêm aí novos máximos de golos na seleção? "Do Cristiano podemos esperar sempre mais", diz Carlos Dinis

Foi uma longa espera - pelo menos, para uma máquina de fazer golos como ele. Cristiano Ronaldo não bisava desde junho (3-3 de Portugal com a Hungria), não fazia um hat trick desde abril (3-0 do Real Madrid ao Wolfsburgo) e não conseguia um poker desde março (7-1 do Real ao Celta de Vigo). No entanto, quando na capital espanhola já se temia que a fonte estivesse a secar, CR7 recuperou o killer instinct (instinto assassino) - com quatro golos pela seleção nacional, perante Andorra (6-0). "Com ele, podemos sempre ser surpreendidos, o inatingível passa a ser possível", diz, ao DN, Carlos Dinis, treinador que estreou o avançado na equipa das quinas, assumindo que o avançado pode fixar novos números históricos no futuro.

Já se sabe que Cristiano Ronaldo coleciona recordes: na partida de anteontem, em Aveiro, o homem com mais jogos (134) e golos (65) da história da seleção nacional, traçou novos máximos de rapidez e produtividade. Com dois golos nos primeiros 190 segundos do encontro, fez o mais rápido bis da história das qualificações para Campeonatos do Mundo. E, ao completar o poker, igualou o máximo de golos numa partida de Portugal que fora alcançado por Eusébio (no 5-3 à Coreia do Norte, em 1966), Nuno Gomes (7-1 a Andorra, em 2001) e Pauleta (8-0 ao Kuwait, em 2003).

No entanto, "do Cristiano podemos esperar sempre mais e mais" - como nota Carlos Dinis, técnico que dirigiu a seleção nacional de sub-15 na estreia internacional de CR7 (em 2001, numa vitória sobre a África do Sul, 2-1, no Torneio Internacional de Rio Maior). Será possível tornar-se o melhor marcador da história de Portugal em fases de qualificação de Mundiais (tem 19 golos, tanto como Pauleta); chegar ao top 10 de goleadores internacionais a nível de seleções (está a seis do alemão Miroslav Klose, 10.º da lista) ou ser o primeiro a faturar cinco vezes pela seleção portuguesa numa só partida (uma derradeira fasquia)? O antigo selecionador julga que tudo isso pode ser possível, "em função da personalidade, qualidade e ambição" do avançado madeirense, de 31anos.

O primeiro desses desafios até pode ser superado amanhã, na visita às Ilhas Faroé (19.45) - onde Portugal não contará com Nani, ontem dispensado por não estar apto para jogar em Tórshavn . "Será um jogo com outro grau de dificuldade, até por ser em piso sintético", nota Carlos Dinis, sem acreditar, ainda assim, que possa haver "algum tipo de retração" dos jogadores portugueses com receio de eventuais lesões.

No entanto, por agora, Ronaldo parece ter conseguido o mais importante: reencontrou o killer instinct - algo muito celebrado em Madrid, onde começavam a questionar a escassez de golos do português esta temporada (o seu pior início de época na liga espanhola). "Despertou o instinto assassino de Cristiano", escreveu o diário Marca. "Cristiano irrompe ante Andorra", notou, por sua vez, o jornal As, que dedicou a manchete ao reencontro com os golos da estrela merengue.

Essa injeção moral foi importante. "Ele teve dois meses de paragem e as coisas não aparecem de forma espontânea. Há que dar tempo ao tempo", lembra Carlos Dinis. Depois, quando se trata de Ronaldo, já se sabe: os golos acabam por surgir.

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