Adrien. O carregador de piano que fala francês

Podia estar hoje entre os convocados da França mas o regresso dos pais emigrados a Portugal fez com que optasse pela equipa das quinas...

Podiam vê-lo a jogar pela seleção francesa, com o nome de Sébastien Peruchet na camisola, não fosse o Sr. Silva de Arcos de Valdevez ter decidido voltar às origens na década de 90 e trazer Adrien Sébastian Peruchet Silva para Portugal aos 11 anos.

Nasceu em Angoulême, França, em 1989, filho de pai português e mãe francesa. Começou a jogar à bola para passar o tempo enquanto esperava que o jogo do pai, num clube da III Divisão francesa terminasse. Daí ao Bordéus, o maior clube de região, foi um pulo. O irmão mais velho Jeremy já lá jogava nos juniores, era colega de equipa de Valbuena, médio do Lyon e da seleção francesa.

Com o regresso dos pais a Arco de Valdevez, o médio foi jogar para o Paçô, onde despertou o interesse do Sporting, em 2002. Seis meses depois estava a jogar de leão ao peito, na Academia.

Houve momentos difíceis, momentos muito difíceis. Sozinho, com 12 anos, cheio de saudades da família. Via os outros miúdos da minha idade a ter uma vida normal, acabavam o treino iam para casa, com os pais, podiam estar com os amigos, podiam festejar os anos dos familiares, que para mim, naquela altura, não era possível. Foi difícil.

Tinha 13 anos quando ingressou na Academia para de lá sair direto à equipa principal. O que aconteceu na temporada 2007/08, ainda júnior, pelas mãos de Paulo Bento. Estreou-se logo na 1ª jornada do campeonato, em jogo Alvalade, frente à Académica, entrando a poucos minutos do fim. Com talento e fama de jogador com garra de leão, mas com poucas oportunidades saiu por empréstimo, para jogar mais, mas sem perder a ligação ao clube.

Primeiro foi para Israel, onde foi campeão pelo Maccabi Haifa, depois para Coimbra, onde ganhou uma taça de Portugal frente ao seu Sporting, e só depois se fixou em Alvalade. Este ano os portugueses conheceram o melhor Adrien e Jesus deu-lhe a braçadeira de capitão fazendo o médio realizar um dos sonhos da carreira.

Jogador com uma cultura tática acima da média e enorme poder de combate, aliado ao bom sentido posicional, boa técnica e uma excelente visão de jogo exímio no passe, fizeram dele um verdadeiro carregador de piano da equipa de Jorge Jesus em 2015/16.

No dia 18 de dezembro de 2014, estreou-se na seleção, entrando na 2ª parte de um jogo particular em que Portugal ganhou por 1-0 à Argentina. E nunca escondeu que seria especial jogar o Euro2016 no país em que nasceu.

Sente-se mais português do que francês? Sim, muito mais. Claro que a França é a minha terra natal e é especial para mim, mas a minha pátria é Portugal.

Em 2015 o jogador uniu-se a uma empresa de gestão de carreiras francesa de olho no mercado gaulês e inglês, mas acabou por ficar e renovar até 2020. Casada com Margarida Neuparth, bailarina e professora de dança clássica, é pai de dois filhos (Santiago e Tomás). E para além do futebol, Adrien já se aventurou no mundo da moda e da restauração.

BI

Data de nascimento: 15-3-1989

Naturalidade: Angoulême (França)

Altura: 1,75 m

Peso: 69 kg

Clube atual: Sporting

Clubes de formação: Bordéus, Paçô, Sporting

Clubes representados: Sporting, Maccabi, Académica

Palmarés: Taça de Portugal (2008, 2012 e 2015), Supertaça (2007, 2008, 2015). Liga israelita (2010/11).


CARREIRA NA SELEÇÃO

Estreia: 18 de novembro 2014 , num particular frente à Argentina (1-0)

Internacionalizações: 7

Golos: 0

FASE DE QUALIFICAÇÃO

Jogos: 1

Minutos: 17

Golos: 0

NÚMEROS

2020 - contrato com o Sporting

45- valor da cláusula de rescisão

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