"Se houver uma final Portugal-Alemanha, Portugal ganha!"

Fernando Santos admite fazer mudanças no onze para a França (quarta-feira), mas nunca como "castigo" para este ou aquele jogador e defendeu os dois laterais das críticas, após derrota com os alemães.

"Portugal está entre as 10 melhores seleções do Mundo e digo-o com toda a confiança. Não podemos é pensar que a jogar na casa da Alemanha somos favoritos. A Alemanha foi melhor do que nós, mas acredito que se houver uma final Portugal-Alemanha, Portugal ganha!" Foi assim em jeito de desabafo, crença, desejo e promessa que Fernando Santos reforçou a confiança na seleção nacional e nos jogadores no Europeu, depois da pesada derrota com a Alemanha (4-2).

Numa conversa informal com os jornalistas, depois do regresso aos treinos em Budapeste, o selecionador nacional lembrou que a equipa comandada por Joachim Löw foi melhor e por isso venceu. E admitiu que o plano inicial previa que Portugal defendesse com cinco homens, mais bola e mais agressividade na procurar a bola. Tudo o que não aconteceu."Faltou um homem junto dos centrais, para que não tivéssemos de enfrentar situações de cinco para quatro. Por isso, inverti o triângulo do meio-campo", explicou o engenheiro, deixando a ideia que Danilo devia ter jogado mais à frente dos centrais.

Depois discordou da análise popular (e de alguns especialistas e comentadores) de que a linha defensiva foi responsável pelo mau posicionamento da equipa e defendeu os laterais (Raphaël Guerreiro e Nélson Semedo): "Eu joguei a lateral e sei o que estou a dizer. Se estivéssemos cinco para cinco, o lateral não teria de fechar tanto por dentro. Agora, em situações de inferioridade, o que manda a lei é fechares a tua baliza."

Santos já viu algumas fotografias desses momentos para mostrar aos jogadores e refletirem sobre o jogo. "Portugal é forte no momento defensivo do jogo, tanto que foi a primeira vez que sofremos quatro golos desde que sou selecionador. Os jogadores quiseram e procuraram mas nem sempre sai bem. A responsabilidade é do treinador. Eu é que tenho de passar a mensagem. Pensei que a tinha passado bem, mas se calhar não a passei bem", disse, chamando a si o peso da derrota de sábado.

O selecionador revelou ainda que "havia frustração e tristeza" durante a viagem de Munique para Budapeste: "Desde o jogo até cá nem sei se alguém falou pelo caminho. São jogadores de grandes equipas, já ganharam coisas mas também já perderam finais. Sei perceber quando é o momento para não se falar, deixar refletir."

E se há coisa que os portugueses gostariam de saber agora é que mudanças vai fazer no onze, frente a França, na quarta-feira. Irá ceder à pressão das bancadas que pedem Renato Sanches no meio campo, seja no lugar de William ou de Bernardo Silva...? "Vamos avaliar se os que têm jogado mais têm capacidade de responder num jogo de alta intensidade. Posso refrescar a equipa. Podem acontecer mudanças na equipa, mas não serão por castigo", avisou de antemão.

Sobre o médio do Lille em específico disse vê-lo como um jogador útil em qualquer situação, aquele que pode dar músculo, impetuosidade e boa condução de bola ao jogo de Portugal, embora em termos táticos possa "abanar "demasiado o jogo.

Quanto as contas do Grupo F (ver caixa), está tudo em "aberto" para todos. E com uma certeza, se vencer Portugal apura-se para os oitavos de final.

Treino sem baixas e com João Félix e Nuno Mendes

Nuno Mendes e João Félix foram as grandes novidades do primeiro treino após a derrota na véspera com a Alemanha (4-2). Em Budapeste, o lateral esquerdo e o avançado estão a recuperar das mialgias de esforço que os afastaram da partida com os alemães. Ontem já subiram ao relvado e fizeram corrida, nos 15 minutos que estiveram abertos à comunicação social.

Os titulares do encontro com a mannschaft fizeram treino de recuperação, pedalando nas bicicletas junto ao relvado. Os suplentes fizeram alguns exercícios de campo, nos quais estiveram envolvidos Diogo Dalot, João Moutinho, José Fonte, Rúben Neves, André Silva, Pedro Gonçalves, Palhinha, Sérgio Oliveira e Gonçalo Guedes. Portugal volta hoje a treinar.

Como seguir em frente?

Para o psicólogo do Desporto, Jorge Silvério, "não é preciso mudar o chip" da seleção para o jogo com a França. "Os jogadores e sobretudo o selecionador Fernando Santos têm os objetivos bem definidos, avaliando pelo que têm dito, e estão cientes da responsabilidade do estatuto de campeão e por isso a estratégia passará pelo foco no objetivo", pois nada está perdido.

"O trabalho mental e motivacional não é uma coisa que se possa fazer de um momento para o outro, e no caso da seleção nacional vem sendo feito há anos e foi reforçado na preparação seguramente", segundo Silvério. E isso reflete-se na confiança da equipa e dos jogadores: "A vitória na final do Euro 2016 claramente que ajuda. Saber que já se venceu o adversário, que se vai defrontar só pode ajudar. Ter 11 campeões no grupo reforça essa ideia e dá confiança."

Homofobia de ultras húngaros investigada

A UEFA abriu um inquérito para apurar "eventuais incidentes discriminatórios" nos jogos da Hungria no Euro 2020 , com Portugal (0-3) e França (1-1), na Arena Puskás, em Budapeste. Um porta-voz da UEFA explicou à AFP que as situações incidem sobre a apresentação nas bancadas de uma bandeira homofóbica no jogo com Portugal, denunciada pela associação FARE, organização que luta pela igualdade no futebol. No jogo com a França investigam os sons insultuosos vindos das bancadas com adeptos ultras húngaros.

O incidente no jogo de Portugal acontece também poucos dias depois de a Hungria ter aprovado legislação que proíbe a divulgação de quaisquer informações ou conteúdos relativos à orientação sexual, identidade ou expressão de género e características sexuais junto de menores de 18 anos. Por isso mesmo a cidade de Munique solicitou à UEFA autorização para iluminar o seu estádio com as cores do arco-íris da comunidade LGBT, como protesto contra a nova lei húngara, antes do Alemanha-Hungria.

isaura.almeida@dn.pt

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