Salários milionários, comissões e má gestão. Como o Barcelona foi ao fundo

Auditoria foi revelada esta quarta-feira. A massa salarial dos futebolistas aumentou 61% em quatro anos, houve comissões de 33% pagas a empresários, jogadores contratados sem dinheiro e até pagamentos a jornalistas.

Os encargos com os salários dos jogadores aumentaram 61% em apenas quatro anos - só quatro futebolistas cobraram 1,4 mil milhões de euros -, os gastos de gestão subiram 56% e os custos financeiros 600%. Estes são apenas alguns números assustadores revelados pela auditoria às contas do Barcelona, clube que se encontra mergulhado na maior crise financeira da sua história e que levou no defeso à saída de Lionel Messi e à renegociação de vários contratos.

Já se sabia que o cenário financeiro herdado da gestão de Josep Maria Bartomeu era preocupante, mas esta quarta-feira foi traduzido em números, pela voz de Ferran Reverter, CEO do clube catalão. E um dos pontos que explica a ruína económica dos blaugrana está precisamente relacionado com a massa salarial dos craques.

De acordo com a auditoria, a massa salarial da equipa de futebol principal cresceu 61% entre a época 2016-17 e 2020-21. Traduzido em valores, passou de 471 para 793 milhões de euros. Ainda de acordo com o mesmo responsável, se a atual direção não tivesse tomado medidas, os custos em salários chegariam esta temporada aos 835 milhões, o equivalente a 108% do pressuposto do clube.

O CEO do Barcelona deu alguns exemplos e mencionou o caso de quatro jogadores. Só com Messi, Griezmann, Coutinho e Dembélé, a anterior direção gastou qualquer coisa como 1,4 mil milhões de euros em ordenados nos últimos quatro anos. Ou seja, mais de 300 milhões de euros por época.

Para se ter uma real dimensão do que significam estes valores no panorama atual do futebol mundial, Ferran Reverter revelou que clubes da mesma dimensão do Barcelona têm uma massa salarial entre 30 a 50% inferior, algo que, adiantou, dificulta bastante na hora de negociar transferências para outros emblemas ou em conseguir contratos de renovação.

Durante a apresentação desta auditoria, Reverter anunciou ainda que está a ser feita uma investigação forense às contas do clube, que deverá estar pronta nos próximos dias ou semanas, no sentido de a anterior direção poder vir a ser considerada culpada caos surjam indícios de irregularidades passíveis de serem punidas judicialmente

O CEO do Barcelona referiu também que a nova direção tomou conta de um clube que tinha tido uma gestão "nefasta e improvisada" da anterior liderança, que deixou o clube "com um património negativo e em situação de quebra contabilística, com um fluxo de caixa nulo e com dificuldade para pagar inclusivamente os salários".

Mas há mais. A auditoria deparou-se ainda com ausência de documentação e que em determinados casos o clube pagava a intermediários uma comissão de 33%, quando a norma é de 10%.

"Contratavam jogadores sem os poder pagar", acusou Reverter, dando os exemplo de Griezmann e Coutinho. "Na mesma noite em que contrataram viram que não havia dinheiro. E nessa mesma noite recorreram a um fundo financeiro que tinha comissões e pediram 85 milhões. A contratação do Coutinho que custou 120 milhões de euros teve mais 16,6 milhões em custos financeiros."

O descontrolo económico levou o clube a acumular uma dívida de 1,350 mil milhões de euros. O CEO do Barcelona revelou que existiram incumprimentos com entidades bancárias e revelou que na faturação foram encontrados pagamentos feitos a jornalistas.

Apesar da preocupante situação financeira, Reverter acredita que o clube pode voltar a contratar jogadores já no próximo mercado de inverno e que no verão pode chegar a Camp Nou um craque. Além disso avançou que estão em curso várias renovações, casos de Pedri e Ansu Fati. Mas garantiu que daqui para a frente a política do clube passará mais por uma aposta em jogadores da formação.

nuno.fernandes@dn.pt

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