Rui Patrício rescindiu e pode assinar já por um novo clube

Capitão deu pontapé de saída nas rescisões. Seguiu-se Podence, o único jogador de Jorge Mendes em Alvalade. Ficará por aqui?

Aconteceu aquilo que dirigentes e adeptos do Sporting mais temiam; surgiram as primeiras rescisões unilaterais interpostas por dois jogadores. O primeiro foi Rui Patrício logo pela manhã, com uma carta de 34 páginas, surgindo depois Daniel Podence, o único jogador agenciado por Jorge Mendes, empresário com quem Bruno de Carvalho se desentendeu devido à saída não verificada de Rui Patrício para o Wolverhampton.

Em declarações ao DN, Lúcio Correia, advogado especializado em direito desportivo, é muito claro e taxativo ao dizer que Rui Patrício e Daniel Podence podem vincular-se imediatamente a outro clube, muito embora na altura em que o DN falou com o causídico ainda não fosse conhecida a atitude do extremo. "O atleta é livre de escolher o seu futuro desportivo e depois discutem-se os termos em que operou a rescisão com justa causa. A desvinculação contratual opera imediatamente a desvinculação desportiva pois poderá dar azo no sentido do trabalhador ser indemnizado pelo incumprimento remanescente do contrato e que terá de ser pelo menos das retribuições até ao fim do contrato acrescido de eventuais danos de caráter não patrimonial, como danos morais, que o atleta terá de comprovar para o efeito [na carta de rescisão o guarda-redes alude a isso]", explicou o advogado, preferindo falar de uma forma genérica sem querer abordar casos específicos.

Uma coisa para o advogado é certa: "As cláusulas liberatórias, as chamadas cláusulas de rescisão não têm nada a ver com esta matéria. Não estão previstas para situações de incumprimento contratual, como é o caso", referiu Lúcio Correia, que prevê o que pode acontecer se os leões vencerem este diferendo na justiça. "Se for dada razão ao Sporting, o clube terá direito, pelo menos, até ao valor das retribuições vincendas acrescidas de uma eventual indemnização devido a danos desportivos, de marketing, de imagem que, eventualmente, tendo de fazer prova para o efeito."

Assim fica claro que, mesmo que lhe seja conferida razão, o Sporting dificilmente conseguirá ter acesso a um valor próximo das cláusulas de rescisão de Rui Patrício (45 milhões de euros) e Daniel Podence (60 milhões), sendo que este último era, de longe, o que tinha o ordenado mais baixo do plantel - não chegava a 80 mil euros limpos/ano.

LEIA AQUI AS CARTAS DE RESCISÃO DE RUI PATRÍCIO E DE DANIEL PODENCE

Estando definido que os dois jogadores podem vincular-se de imediato a um novo clube fica por esclarecer como será a participação da próxima entidade patronal se for o Sporting a sair vencedor na barra do tribunal: "De acordo com a lei portuguesa, o futuro clube será solidário numa eventual indemnização, mas tem de se provar que esse clube contribuiu decisivamente para a rescisão com justa causa do jogador. Dentro da liberdade da contratação das partes, admito que essa questão possa estar incluído no contrato, claro que admito."

Rescisão decidida quinta-feira

A decisão de Rui Patrício rescindir unilateralmente foi tomada quinta-feira, depois o guarda-redes ter feito exames médicos para ser contratado pelo Wolverhampton.

Alegadamente, e aqui as versões divergem, o Sporting terá pedido mais dois milhões depois de o negócio estar fechado por 18. Em conferência de imprensa, Bruno de Carvalho teve o cuidado de não hostilizar Rui Patrício, mas acusou a Gestifute, empresa de Jorge Mendes. "Há coisas que se tratam nos locais certos. Dos 18 milhões o Jorge Mendes queria sete e nós dissemos que não. O braço direito do Jorge Mendes ligou-nos às 23.00 a perguntar se aquela era a posição do Sporting. O Jorge Mendes quis aproveitar a situação, que é um crime. Quando fizemos as renovações do Adrien e do Rui, terminámos os contratos antigos e fizemos novos. Houve aqui no meio deste pânico todo criado aos sportinguistas um claro aproveitamento por parte da Gestifute, que disse que para se fazer este negócio tínhamos de pagar três milhões, mais quatro milhões do Adrien ou não há negócio. E não há negócio. O Sporting não pode estar sob medo, sob chantagem ou sob ameaças. Tenho pena que o Rui não tenha falado connosco para perceber que está a ser manipulado por coisas que nada têm a ver com ele", disse, ainda esperançado de que dentro do prazo legal legal de sete dias o guarda-redes volta atrás na decisão.

A Gestifute, empresa de Jorge Mendes, tem outra versão. "Foi a Sporting SAD que pediu encarecidamente à Gestifute que tentasse conseguir uma proposta para a transferência do jogador Rui Patrício, de modo a evitar a rescisão iminente deste", lia-se num comunicado, onde a empresa garantia ainda que "tudo fez para conseguir obter o acordo de um clube inglês, tendo inclusivamente o jogador, satisfeito com esta possibilidade, realizado exames médicos no dia, com autorização da Sporting SAD" e que à última hora foi exigido "um aumento no preço de dois milhões de euros, o que foi recusado de imediato pelo clube comprador".

Nesta altura já era conhecida a carta de rescisão de Rui Patrício, na qual o guarda-redes alega que temeu pela vida, foi alvo de violência física e psicológica, fazendo diversas críticas a Bruno de Carvalho e à SAD, mostrando estranheza por o treino da trágica terça-feira de 15 de maio ter sido antecipado, pois estava marcado para o dia seguinte, e mostrando mensagens privadas do presidente do Sporting.

O guarda-redes revela ainda que Gelson foi avisado dos ataques por um conhecido da claque, mas só viu a mensagem depois da invasão ao balneário.

À noite, numa sessão de esclarecimento em Santa Maria da Feira, Bruno de Carvalho ironizava com as rescisões e deixava uma garantia: "Quando sairmos daqui pode ser que já o plantel todo tenha rescindido. Não será por esta questão das rescisões que haverá problemas de tesouraria."

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