Rui Cordeiro: "Acreditamos que este é o ano em que o Santa Clara volta à I Liga"

Diz que "o futebol português precisa de uma equipa dos Açores na I Liga"

Açoriano de gema, Rui Miguel Melo Cordeiro acredita que vai concluir o terceiro ano na presidência do Santa Clara com o clube na I Liga, década e meia depois da última presença entre a elite. Com o clube no 2.º lugar (pode recuperar hoje a liderança), o dirigente diz que "o futebol português precisa de uma equipa dos Açores na I Liga" e que estão reunidas as condições para a concretização desse sonho. A insularidade, a paixão do povo da região pela modalidade e o projeto para o clube são alguns dos temas de conversa.

O Santa Clara está em lugar de subida na II Liga (recupera hoje a liderança se vencer fora o Varzim), quando faltam 12 jornadas por disputar no campeonato. Acredita que é desta que o clube consegue a promoção?

O futebol português precisa de ter na I Liga uma equipa dos Açores, uma região com 250 mil habitantes e nove ilhas. Temos vindo a credibilizar o nosso projeto e a consolidar-nos financeiramente. Somos os maiores embaixadores dos Açores no futebol e até no desporto em geral, e já passaram muitos anos desde a última presença na I Liga. Estão reunidas as condições para subirmos e queremos fazer a festa em todas as ilhas.

O clube tem vindo a lutar pela promoção ao longo de várias épocas, mas não tem conseguido atingir esse objetivo. A principal dificuldade é a insularidade?

É verdade que fazemos muitas viagens ao longo da época e que somos um dos clubes com mais horas em viagens na II Liga, mas não é por aí. Os Açores estão a duas horas de Lisboa e Porto. Temos um projeto mais coeso e delineado e acredito que vamos lutar até ao fim. Temos uma estabilidade que nos permite acreditar, mas sabemos que o campeonato vai ser duro.

A insularidade não é um entrave ao recrutamento de jogadores?

O Santa Clara é um clube cumpridor, que honra compromissos de salários e com os fornecedores. É um clube insular, mas onde os jogadores gostam de jogar. Cuidamos dos nossos atletas e das equipas técnicas, para que se sintam em casa. Mais do que uma equipa, somos uma família, e mitigamos a insularidade com o saber receber.

Disse que tem um projeto para o clube. Em que consiste?

Em primeiro lugar, a consolidação financeira. Depois, aproximar os açorianos do Santa Clara e lançar as bases para a nossa academia, porque faz falta um centro de alta competição nos Açores. Este é o caminho não só do Santa Clara mas do futebol açoriano. A academia é um projeto no qual queremos envolver o governo regional, até porque o Santa Clara na I Liga pode contribuir para o fortalecimento do turismo e da economia da região. Um Santa Clara mais forte significa uma região mais forte.

E qual é a realidade atual do clube?

O Santa Clara passou por um processo de saneamento financeiro. Neste momento tem tudo em dia, cumpre os seus acordos de forma religiosa e percorre o caminho da credibilização. Temos entre 2500 a 3000 sócios, dos quais apenas cerca de 1750 são pagantes. Estamos no top 3 em assistências na II Liga (média de 2000 a 2500 pessoas) e assim se vê a envolvência do povo açoriano no futebol.

Há cerca de dois meses, o treinador Carlos Pinto disse numa entrevista que há turmas a fazer educação física à volta do campo durante os treinos. Quais são as condições à disposição da equipa principal?

Temos excelentes condições de treino, com dois campos relvados, o Estádio de São Miguel tem condições muito boas. Só temos de estar gratos ao governo regional. E o próximo passo passa pela consolidação do nosso projeto com a academia, para promover o atleta açoriano. Os Açores precisam de um centro de alta competição porque o próximo Pauleta está por aí.

Pauleta é mesmo o grande nome dos Açores no mundo do futebol...

É uma referência do futebol açoriano e uma inspiração para o povo açoriano e para o Santa Clara. É um grande homem, tem grande coração e certamente está do nosso lado nesta luta pela subida de divisão.

Olhando para o plantel, dá para perceber que existem jogadores com muitos jogos pelo clube, como Pacheco (337 jogos), Accioly (279), Clemente (167), Serginho (152), Igor (135) e Minhoca (123). Manter o núcleo duro é uma prioridade?

Somos uma família e procuramos estabilidade, com jogadores que percebam o que é o Santa Clara, o que são os Açores e em que luta estamos envolvidos. Precisamos de uma base sólida, de jogadores experientes, que conheçam a região e sintam o clube. Isso reflete um projeto de união, e esses são os guardiões da nossa identidade.

Além de presidente do clube, é o líder da SAD. É o clube que lidera os destinos da sociedade?

O clube tem 40% da SAD e os investidores regionais 13%. Ou seja, o centro das decisões está na região, para serem os açorianos a ditar os destinos da SAD.

O que é que os açorianos lhe dizem quando se cruzam consigo nas ruas?

Dizem-me para continuar a lutar e para acreditar. Muitos dizem que vai ser difícil deixarem uma equipa dos Açores subir à I Liga, mas temos vindo a mostrar que é possível. Temos também recebido muito apoio nas redes sociais por parte dos açorianos que vivem na região, no continente e noutros países.

Porque lhe dizem que vai ser difícil deixarem uma equipa dos Açores subir à I Liga?

Sentem que, quando o Santa Clara esteve perto, não nos deixaram chegar lá. Estivemos muito perto durante as temporadas em que o Vítor Pereira esteve no clube [3.º lugar em 2008-09 e 4.º em 2009-10], com um dos melhores plantéis da II Liga, senão mesmo o melhor, mas não deixaram. Mas estamos mais bem preparados e acreditamos que este é o ano do Santa Clara e que para o ano os Açores vão estar na I Liga.

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