"Vai lá e diverte-te." Uma lição de vida pelo supercampeão Phelps

Ryan Held ajudou a Bala de Baltimore a conquistar a 23.ª medalha olímpica e explicou ao DN por que Phelps é um exemplo

A lenda Michael Phelps escreveu mais uma página de ouro na sua história de conquistas desportivas. O norte-americano, de 31 anos, recebeu na madrugada de ontem a sua 23.ª medalha olímpica (19 de ouro, 2 de prata e 2 de bronze) - tantas como Portugal tinha em toda a sua história nos Jogos até Telma ganhar ontem a 24.ª (ver tabela) -, após os Estados Unidos vencerem a final de 4x100 metros livres, com a França (2.ª) e a Austrália (3.ª) a completarem o pódio.

O jovem nadador Ryan Held, 21 anos, competiu ao lado de Phelps. Já com a medalha de ouro ao peito conversou com o DN no centro aquático do Rio e revelou qual foi a maior lição de vida que a Bala de Baltimore já lhe ensinou. "O Michael é um grande líder, uma grande inspiração, mas honestamente o melhor que me faz é quando me desafia e me diz para ir lá para dentro e divertir-me, para aproveitar bem as emoções porque esta é uma experiência única de vida", contou.

Held reagiu com espanto quando percebeu que Phelps tinha tantas medalhas como Portugal - "uau" -, mas recusou dizer que a marca do compatriota nunca vai ser batida, porque já viu "grandes recordes serem ultrapassados". Na cerimónia de pódio, Held ficou ao lado de Phelps e foi incapaz de conter as lágrimas durante todo o hino, sendo confortado pelo colega de equipa. "Já ouvi o hino umas mil vezes e não reagi assim. Passou-me pela cabeça que há apenas quatro anos eu estava, no máximo, no top 5 de nadadores do Ilinóis. A mudança que aconteceu é grande e estar agora a receber uma medalha, na primeira experiência internacional por equipas, fez que as emoções se manifestassem com mais força", revelou ao DN.

Na primeira aparição no Rio, depois de ter sido o porta-estandarte dos EUA, Phelps mostrou-se em grande forma. Mais magro e musculado, o nadador comprovou na água o que tinha dito antes dos Jogos: "Nunca trabalhei tanto como agora." A Bala de Baltimore foi o segundo norte-americano a saltar para a piscina, tendo anulado a vantagem que a França levava na altura, graças ao quarto tempo mais rápido (47,12 segundos) entre os 32 nadadores da estafeta.

Com o filho na bancada

Depois de se retirar em 2012, após os Jogos de Londres, Phelps voltou com a palavra atrás e anunciou o regresso à competição, apenas dois anos depois. Também em 2014, o norte-americano foi detido por conduzir embriagado, em mais um episódio do seu historial de consumo de álcool e drogas, agravado por uma depressão. A federação norte-americana de natação suspendeu-o por seis meses, mas o sonho olímpico renasceu com mais força nesse momento. O próprio Phelps reconheceu que o incidente o ajudou a mudar para melhor. Submeteu-se a um programa de reabilitação para curar as dependências e, desde então, garantiu antes do Rio, nunca mais bebeu uma gota de álcool.

No final de junho garantiu a presença nos seus quintos Jogos Olímpicos - outro máximo na natação. Um aspeto importante no ressurgimento do recordista mundial em seis categorias diferentes (3 individuais e 3 estafetas) foi o nascimento do seu primeiro filho, em maio. O pequeno Boomer Robert Phelps ainda não tem idade para entender a dimensão dos feitos do pai, mas ontem já esteve presente no pavilhão do Rio ao colo da mãe, Nicole, num marsupial que tinha estampadas as iniciais MP, e ao lado da avó, Deborah Phelps.

O mais medalhado atleta da história (à frente da ex-ginasta soviética Larissa Latinya, 18 medalhas) foi sempre muito apoiado pelo público desde o primeiro momento em que apareceu na piscina. Depois de nadar, foi tentando incentivar os companheiros de estafeta gritando e dando até palmadas no bloco de salto. Depois de Nathan Adrian confirmar a vitória norte-americana, foi a festa. No pódio beijou várias vezes a medalha, antes de uma volta olímpica em redor da piscina. Lenta, bem aproveitada, cumprimentando demoradamente o público que lhe prestava homenagem. Como um grande campeão deve fazer.

Agora, Phelps está ainda inscrito em mais três disciplinas, à procura de aumentar o recorde - 100 e 200 metros mariposa (estilo em que é especialista e recordista mundial) e estilos. Para já, o balanço que faz não podia ser melhor. "Foram os 100 metros livres mais rápidos da minha carreira."

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