Triatlo brasileiro. Projeto canarinho com alma e saber ribatejano

O português Sérgio Santos, ex-treinador de Vanessa Fernandes, está desde 2010 a trabalhar no projeto olímpico do país anfitrião. O centro de Rio Maior tem sido a casa perfeita para desenvolver a modalidade

O português Sérgio Santos integra desde 2010 o projeto olímpico brasileiro para formar uma equipa de triatlo para os Jogos do Rio. O ex-treinador de Vanessa Fernandes, medalha de prata em Pequim 2008, foi recrutado para ajudar a fazer crescer a modalidade no desporto canarinho. Para isso foi estabelecida uma base para a equipa em Portugal, no centro de alto rendimento desportivo de Rio Maior, onde Sérgio Santos é também o diretor técnico.

"Foram avaliados e testados vários atletas brasileiros, em competições, testes e em situação de estágio prolongado em Rio Maior, antes de chegarmos ao grupo final. O facto de quase tudo ser centralizado em Rio Maior, de existir como estratégia um grupo de atletas a treinar em Portugal para poderem usufruir de um centro de treino e valências pioneiras, associado a condições naturais e próximo das competições mais fortes do mundo que acontecem sempre na Europa, fizeram que não tivesse de me deslocar muito ao Brasil", diz Sérgio Santos ao DN, salientando que passa "160 dias por ano em treinos e estágios" fora de Portugal e que em 2015 foi o ano em que mais viajou até ao palco dos Jogos Olímpicos, para os triatletas realizarem treinos específicos no percurso da competição.

O facto de poder ficar a trabalhar em casa, associado às condições que o centro de Rio Maior oferecia, acabou por ser o "critério decisivo" para que o técnico aceitasse o convite do Brasil em vez de outros "mais aliciantes do ponto de vista financeiro".

Com a cidade ribatejana a ganhar protagonismo como destino de treino para atletas de alta competição, Sérgio Santos, que também é professor na Escola Superior de Desporto de Rio Maior, considera que está aberto caminho para mais investimento na região. Já em relação ao triatlo brasileiro, diz que um bom resultado seria muito importante para consolidar o aumento de popularidade que já se nota no país, onde o futebol é e continuará a ser rei: "Nunca seremos comparáveis ao futebol, nem no Brasil, nem em Portugal. Mas o objetivo não será esse. Cada modalidade tem o seu espaço. Há apenas que saber rentabilizar o melhor de cada uma".

Para isso, o Brasil conta com dois atletas qualificados para a prova masculina (hoje) e feminina (sábado). Diogo Sclebin, de 34 anos, nasceu no Rio e vive hoje em Belo Horinzonte, tendo cumprido boa parte do seu trabalho em Rio Maior. Sargento na Força Aérea Brasileira, o triatleta abraçou a modalidade, que junta natação, ciclismo e corrida, após um desafio pessoal que lançou a si próprio: fazer 350 quilómetros de bicicleta do Rio a Belo Horizonte. Quando terminar os Jogos, irá repetir a viagem, agora no sentido inverso: "Não tem que ver com a minha carreira desportiva, mas sim com uma jornada pessoal".

No sábado é a vez de entrar em prova Pamella Oliveira, de 28 anos, que é treinada por Sérgio Santos. A triatleta nascida em Vila Velha, no Brasil, mudou-se de vez para Rio Maior em 2012. Começou na natação, mas após uma má fase competitiva resolveu experimentar um outro rumo e Rio Maior deu-lhe o que precisava para evoluir. "Se ficasse no Brasil não ia ter as condições de treino que encontro em Portugal. Além disso, ia ficar junto da minha família e amigos e isso seria demasiado confortável, não me envolveria tanto no desporto como acontece em Portugal", assumiu Pamella.

Agora, os objetivos traçados pelo Brasil, para uma prova em que vão contar com o apoio da "torcida", são bastante claros. "O desafio proposto foi conseguirmos o melhor resultado de sempre de um atleta brasileiro numa olimpíada. Esse lugar foi a 11.ª posição nos Jogos de Sydney 2000 (Sandra Soldan). Os dois são atletas que dão tudo até ao fim e são também os que mais testaram o percurso", frisa Sérgio Santos que, aos 47 anos, continua a "gostar de correr algumas maratonas e a pedalar", sem perder a esperança de voltar "a ter tempo para nadar e competir novamente em triatlos, pelo puro prazer e desafio pessoal".

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