Renaud Lavillenie foi às lágrimas ao voltar a ser assobiado no Engenhão

Presidente do COI considera chocantes as vaias a Lavillenie

O francês Renaud Lavillenie, vice-campeão olímpico no salto com vara, recebeu a medalha de prata em lágrimas, depois de ter sido novamente assobiado no Estádio Engenhão, esta terça-feira.

Depois de ter sido vaiado na segunda-feira, durante a disputa pela medalha de ouro com o brasileiro Thiago Braz, Lavillenie, campeão em Londres2012, ficou em lágrimas durante a cerimónia do pódio após a reação do público, que motivou um gesto de incompreensão do novo campeão olímpico.

O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, considerou as vaias inaceitáveis. "Comportamento chocante do público que assobiou Renaud Lavillenie no pódio. Inaceitável em Jogos Olímpicos", lê-se na mensagem de Bach reproduzida na conta oficial do COI no Twitter.

Perante o sucedido, o presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), Sebastian Coe, e o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, consolaram o francês, segundo constatou um fotógrafo da agência noticiosa AFP.

Na segunda-feira, já depois de Thiago Braz ter surpreendentemente superado a fasquia a 6,03 metros, Lavillenie, quando se preparava para tentar 6,08, foi brindado com uma vaia por parte do público presentes e maioritariamente brasileiro.

O recordista mundial da especialidade condenou a conduta dos espetadores, comparando-a ao tratamento prestado ao norte-americano Jesse Owens, nos Jogos Olímpicos Berlim1936, em plena época Nazi.

"Em 1936, o público estava contra Jesse Owens. Nunca assistimos a isto desde então, mas temos de lidar com isto", afirmou Lavillenie, após a prova.

O francês viria a desculpar-se por estas declarações, considerando que a comparação era despropositada, justificando-as com o facto de ter sido feitas a quente. "Realmente perturbou-me, senti a maldade do público e pratico um desporto em que nunca se vê isto", referiu.

A organização dos Jogos admitiu na terça-feira que o público brasileiro ultrapassou o limite.

"Como cidadãos brasileiros e como adeptos do desporto não achamos que vaias sejam a atitude certa, mesmo quando estão frente a frente e um jovem brasileiro tem a hipótese de bater um campeão do mundo", afirmou o porta-voz do Rio2016 Mario Andrada, assegurando que a organização "pretende intensificar o diálogo com os adeptos brasileiros nas redes sociais, para que se comportem de forma adequada e elegante, sem perderem a paixão pelo desporto".

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