Futebol olímpico. Agarra Neymar, o palco é teu

Arranca amanhã o torneio e o craque do Barcelona é a única grande estrela, com o peso de levar o Brasil ao primeiro título da história

Rio de Janeiro. A "cidade maravilhosa cheia de encantos mil", imortalizada na música-hino da metrópole, não bastou para seduzir Ronaldo e Messi. Assim, Neymar será o melhor futebolista presente nos Jogos Olímpicos (JO) e o cabeça de cartaz de um torneio que volta a ficar privado dos melhores talentos mundiais. O craque do Barcelona carrega o peso de uma nação que sonha com o inédito ouro olímpico, com a pressão acrescida de jogar em casa.

A prova arranca amanhã, e o Brasil perfila-se como o grande favorito. "Não me parece que o Neymar faça a equipa sozinho, precisa dos companheiros para chegar ao topo", afirma ao DN Beto, internacional português que representou a seleção nos JO Atlanta 96. Mas Neymar não estará sozinho: a canarinha conta também com nomes como Rafinha (Barcelona), Marquinhos (PSG) ou Felipe Anderson (Lazio). "Sim, o Brasil é um dos favoritos porque joga em casa perante os seus adeptos. Mas penso que também Portugal poderá fazer uma boa prova. É o que desejo", refere o ex-capitão do Sporting.

Depois de atingir a final do Euro sub-21 em 2015, Portugal tinha ambições para esta prova. Contudo, o processo "surreal" de convocatória - Rui Jorge confessou ter abordado 57 jogadores - baixou as expectativas. "Surpreendeu-me! Depois de a seleção ter conquistado o Europeu, com esta euforia, surpreendeu-me que o Rui Jorge tenha tido dificuldades em fazer a convocatória. É o nosso futebol... quando a prova não é uma obrigação [clubes não são forçados a libertar os jogadores], há este tipo de confusões. Mas tem de haver bom senso, há futebolistas que gostam de participar nos Jogos", diz Beto.
Portugal estreia-se amanhã contra a Argentina (22.00) no Grupo D, onde estão também Argélia e Honduras. Dos vice-campeões europeus sub-21 restam Bruno Varela, Esgaio, Ilori, Tobias, Sérgio Oliveira, Mané e Gonçalo Paciência. Rui Jorge perdeu jogadores como Raphaël Guerreiro, William Carvalho ou João Mário e a esperança no ouro também se vai esfumando. "Quando iniciámos esta caminhada para os JO, tínhamos uma vontade enorme de fazer uma boa figura - e isso era possível. Num determinado momento, fomos impossibilitados de seguir esse caminho", confessou o selecionador. Beto prefere ver o lado positivo: "Os que estão têm qualidade, como português espero que dignifiquem as nossas cores. As contrariedades fazem parte de quem lá anda." Porém, o ex-internacional confessa que a equipa "tem de ir pensando por etapas" e que "não será fácil chegar a uma medalha".

Domínio americano

Se percorrer a lista de 288 jogadores dos 16 países em prova, não encontrará muitos nomes consagrados. A Alemanha, ainda assim, conta com os internacionais A Max Meyer, Ginter e os irmãos Lars e Sven Bender. O México, campeão em título, volta a contar com o talismã Oribe Peralta, que marcou quatro golos na caminhada para a vitória em Londres. Na Colômbia, o mais experiente é o leão Teo Gutiérrez. A Argentina, ouro em 2004 e 2008, conta com Correa (At. Madrid) e Giovanni Simeone (Génova).

Pelos nomes, percebe-se que Rui Jorge não foi o único com dificuldades em escolher os melhores. "Antes dava-se mais importância ao torneio. Os JO não são devidamente valorizados no futebol", explica Beto. Mas o evento sempre foi palco de surgimento de jovens revelações. Por isso, quando a bola rolar fique atento a Okechukwu (Nigéria), Asano (Japão), Lozano (México) ou à promissora dupla Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa (Brasil).

O Brasil pode manter o troféu no continente americano, depois das vitórias da Argentina (2004 e 2008) e México (2012). Antes foi o ciclo africano, com Camarões (2000) e Nigéria (1996). A última vitória de uma seleção europeia aconteceu em 1992, pela Espanha de Guardiola e Luis Enrique. A Cidade Maravilhosa recebe a final no dia 20 e será uma surpresa se Neymar não levantar o caneco.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG