Desilusão: dores obrigaram Sara e Jessica a desistir

Antes da prova foram detetados problemas físicos às duas atletas, mas não eram impeditivas... Dulce Félix terminou em 16.º lugar

Sara Moreira e Jéssica Augusto garantiram até ao tiro de partida para a maratona feminina que não sentiam dores. Saíram na primeira linha do pelotão, mas não aguentaram muito tempo em prova. As dores vieram e, logo aos 6,7 km, Sara Moreira, a campeã europeia da meia-maratona, desistiu. Depois foi a vez de Jéssica Augusto, aos 16 km de prova, deixando apenas Dulce Félix na estrada - terminaria em 16.º lugar com o tempo de 2:30,39 horas, a 6,35 minutos da vencedora, a queniana Jemima Sumgong. A dupla desistência foi uma tremenda desilusão, que apanhou toda a gente de surpresa.

As duas maratonistas estavam dadas como clinicamente aptas. Já no Rio de Janeiro, a equipa médica da missão portuguesa realizou ecografias a ambas. Segundo apurou o DN, foram detetados os problemas físicos das atletas - uma inflamação no osso da cabeça do fémur, no caso de Sara Moreira, e um endema na virilha de Jéssica Augusto, lesões que tinham sofrido ainda em Portugal - mas o diagnóstico clínico não era impeditivo de entrarem em competição. As próprias atletas nunca se queixaram de dores nos treinos, como frisaram à comunicação social na véspera da prova.

A situação de Jéssica Augusto só ontem foi conhecida publicamente. A atleta, que tinha apenas o quarto tempo de qualificação para os Jogos, atrás de Filomena Costa, que acabou por ser preterida pela Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), disse um dia antes da maratona que não tinha sofrido qualquer problema durante a preparação. Já a lesão de Sara Moreira fora assumida. Quando a atleta do Sporting se apresentou para a missão olímpica trazia da federação atestados que a davam como apta.

Aos dois quilómetros, quando fiz um movimento para me desviar de uma adversária e apoiei o pé direito com bastante força, senti a dor que já me tinha condicionado antes

Aliás, ao contrário de outras situações, sabe o DN, não foi requerida uma junta médica, como se passou, por exemplo, nos casos do velocista Yazaldes Nascimento e do ginasta Gustavo Simões, que acabaram afastados dos Jogos por lesão de comum acordo entre os corpos médicos das federações e do Comité Olímpico de Portugal. "Nós tivemos relatórios médicos de queixas e é importante que se diga que são queixas comuns a todas as modalidades e que ficam dependentes daquilo que são as resposta da atleta nos treinos que realiza. E a Sara, nos treinos que realizou, achou por bem estar na prova. Ao nível médico também se concluiu que a atleta estava em condições", garantiu Jorge Vieira, presidente da FPA, acrescentando que a corredora "não é uma novata" e que seria incapaz de pôr os seus interesses pessoais acima dos coletivos.

Já Sara Moreira explicou o que a forçou a desistir: "Aos dois quilómetros, quando fiz um movimento para me desviar de uma adversária e apoiei o pé direito com bastante força, senti a dor que já me tinha condicionado antes. Geri essa situação, mas por volta dos cinco quilómetros piorou", disse a atleta, revelando que aos sete quilómetros "já não conseguia esquecer". Foi tempo de desistir. "Ninguém mais do que eu queria acabar esta maratona", terminou, já a chorar, depois de voltar a garantir que não sentiu problemas nos treinos.

Jéssica também abordou a sua situação física: "Foi uma dor que me apareceu no último treino em Portugal. Fui vista pelo médico aqui no Rio e à partida o problema estaria controlado, mas ressenti-me um pouco. Mas não quero que isso seja encarado como uma desculpa."

Melhor do que em Londres

Desta forma, coube a Dulce Félix ficar sozinha a representar Portugal. A atleta do Benfica foi recebida em festa quando cortou a meta por Vanessa Fernandes, a maratonista que estava no Rio como suplente para prevenir algum problema físico das restantes corredoras. O 16.º lugar no Rio, numa prova disputada sob intenso calor, permitiu-lhe melhorar a posição registada há quatro anos em Londres (21.º). "Foram muitos meses a trabalhar para esta maratona. Cheguei exausta, mas feliz por que melhorei a minha classificação. Quem sabe se, por este andar, daqui a quatro anos não consigo um top 10 em Tóquio 2020?"

A nova campeã olímpica da maratona foi a queniana Jemima Sumgong, seguida por Eunice Kirwa (também queniana, mas a representar o Bahrein) e Mare Dibaba (Etiópia), a favorita à partida e que falhou juntar o título olímpico ao mundial, feito que só foi alcançado por Rosa Mota.

Enviado especial ao Rio de Janeiro

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