Abraço olímpico. Emanuel e Pimenta juntam forças para o objetivo final

Depois do 4.º lugar do K2 1000 (Emanuel Silva e João Ribeiro) na final disputada ontem, as atenções estão agora centradas na equipa de K4, última hipótese de medalha para a canoagem nacional nos Jogos Olímpicos do Rio

Emanuel Silva e João Ribeiro, em K2 1000 m, ficaram ontem muito perto de conquistar o bronze para Portugal, apenas a 0,296 segundos, o tempo que os separou da dupla australiana composta por Ken Wallace e Lachlan Tame. A prova foi seguida atentamente por Fernando Pimenta. Há quatro anos, no campo de regatas de Eton, era ele quem seguia no caiaque à frente de Emanuel Silva, numa manhã de agosto histórica para o desporto português, já que os dois canoístas ganharam a prata, na única vez em que a bandeira nacional subiu durante uma cerimónia de pódio dos Jogos de Londres 2012.

Depois disso, Pimenta quis seguir outro caminho, apostando em definitivo no K1. Só ele e o barco, como já era seu desejo antes dos Jogos britânicos. Emanuel Silva ganhou então um novo parceiro, João Ribeiro, e juntos foram campeões do Mundo em K2 500 m logo em 2013. A "separação", contudo, deixou algumas marcas na relação entre os dois canoístas, até porque continuou a existir o entendimento que um caiaque K2 com Pimenta e Emanuel Silva seria um fortíssimo candidato a medalhas nos Jogos do Rio. Agora, à canoagem portuguesa, a modalidade que somou melhores resultados durante todo o ciclo olímpico, resta uma hipótese para não deixar o Brasil sem um pódio. Trata-se do barco de K4, onde estão juntos Pimenta, Emanuel Silva, João Ribeiro e David Fernandes (disputam hoje o acesso à final de amanhã). Talvez por isso, o abraço que Fernando Pimenta e Emanuel Silva deram após a prova de ontem tenha um significado ainda maior: os dois mais cotados canoístas portugueses estão juntos e "furiosos" para o ataque à sua segunda medalha olímpica.

"Ao ver este tipo de atitudes, os atletas abraçados, e perante as infelicidades que tivemos, acho que o K4 está muito motivado para uma boa prestação. Espero que a fúria de que eles falam os una ainda mais, sendo que independentemente dos resultados nada vai colocar em causa um projeto que tantas alegrias tem dado aos portugueses e que queremos manter para Tóquio 2020", referiu o presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Vítor Félix, considerando que se a canoagem nacional sair do Rio sem medalhas "isso não será de maneira nenhuma um fracasso". "Isto é desporto", defendeu.

Durante o abraço, Pimenta foi falando ao ouvido de Emanuel Silva. "Disse-lhe que sabia bem o que ele estava a sentir", deixou escapar o canoísta de Ponte de Lima, 5.º classificado em K1 1000 m, e que logo depois da prova mostrou o braço aos jornalistas e disse: "Ficámos tão perto. Até me arrepiei." Não era para menos. A luta pela medalha foi intensa. Aos 250 e 500 metros, o K2 português seguia no 3.º lugar, tendo subido para o segundo posto aos 750 metros. Mas, no trecho final, Emanuel Silva e João Ribeiro acabaram por fazer apenas o 4.º melhor tempo dos oito finalistas, ultrapassados pelos caiaques da Sérvia (medalha de prata e melhor barco dos últimos 250 metros) e da Austrália (bronze e segundo melhor na ponta final), numa prova dominada pelos alemães Max Rendschmidt e Marcus Gross, novos campeões olímpicos.

O lugar que ninguém quer

"Ficámos no primeiro lugar dos últimos, infelizmente", lamentou Emanuel Silva. "Só depois de cortar a meta é que percebi que tínhamos sido ultrapassados pelos australianos. Durante a prova tive noção de que vínhamos nos lugares da frente. O João tinha ordens para não olhar para o lado e seguir o meu ritmo, a minha estratégia, e foi frustrante quando vi que não tínhamos chegado à medalha. Mas amanhã nasce um novo dia e uma nova oportunidade no K4", continuou o atleta do Sporting, antes de revelar as suas primeiras palavras para o companheiro de caiaque: "Tá boa, não deu para mais. Ambos sentimos o mesmo, a angústia de ter ficado no 4.º lugar, que é aquele que ninguém deseja. Possivelmente, se a meta fosse aos 998 metros tínhamos o bronze. Não chegou. Os outros foram mais fortes."

Emanuel Silva aponta agora baterias para o K4: "Em todos os barcos em que entro, vou furioso, com raiva. É um instinto animalesco que está em cada pagaiada que dou, porque nunca fico satisfeito com os resultados. Já tenho 31 anos mas não estou farto disto. Cada vez me dá mais prazer representar os portugueses. Isso é para mim um enorme orgulho. Por isso, em cada tripulação que participo dou tudo. Aproveito a minha experiência e a motivação dos meus parceiros para fazer o barco mais rápido possível."

Já João Ribeiro admitiu que a estratégia era ter como referência o caiaque alemão, depois tentar atacar aos 500 metros e dar tudo nos últimos 200 para chegar à medalha. "Fizemos tudo perfeito, não deu por pouco. Vamos levantar a cabeça. Vamos estar certamente bem no K4 porque trabalhámos muito ao longo do ano todo e já sabíamos as provas que íamos ter" frisou o canoísta de Esposende, que cumpre hoje 27 anos.

O K4 português, que tem com melhor resultado um 2.º lugar nos Mundiais de 2014 (5.º em 2015) e um 1.º lugar no Europeu de 2011 (na estreia da embarcação), disputa as eliminatórias às 13.51 de Portugal. O primeiro classificado de cada qualificação (duas no total) passa diretamente à final. Os outros seguem para meias-finais (a partir das 14.51), que apuram mais seis barcos. Os grandes adversários serão a República Checa, a Eslováquia e a Alemanha, um barco com tripulação nova onde constam os campeões olímpicos de K2 1000 m, e ainda Max Hoff (7.º em K1 1000) e Tom Liebscher (5.º em K2 200 m). A final é amanhã, às 14.12.

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