A mulher que diz a Usain Bolt quando pode falar

Raquel Nunes está a viver os sextos Jogos. Começou em Sydney e hoje coordena a operação de imprensa do Estádio Olímpico

Domingo à noite. Usain Bolt ainda não está cansado. A vitória dá-lhe adrenalina. Acabou de ganhar os 100 metros, a mais mediática das provas do atletismo olímpico, e já andou a distribuir beijos e abraços no estádio. Falta ainda a conferência de imprensa, onde o jamaicano chega bem-disposto e a brincar com os jornalistas. Ao seu lado esquerdo está o sorridente Andre de Grasse, canadiano que levou a medalha de bronze. À direita o norte-americano Justin Gatlin, mais sério, ele que acabou de perder mais uma vez para Bolt e que foi brindado pelo público com uma monumental vaia quando chegou à pista. Na ponta direita desta mesa onde se sentam os homens mais velozes do mundo está uma portuguesa: Raquel Nunes, a media manager do Estádio Olímpico, por quem passa toda a coordenação da operação de imprensa. É ela quem escolhe, numa sala repleta de jornalistas, quem fala com quem.

"Estar sentada ao lado destes atletas é sempre especial. Não é todos os dias que temos essa oportunidade. O Bolt é um emblema para o desporto e é conhecido em todo o mundo. É alguém descontraído e que sabe muito bem como lidar com a comunicação social. Desta vez não fugiu a esse padrão e deu uma conferência à sua imagem", conta ao DN. Raquel Nunes, de 36 anos, natural de Lisboa, fez a formação académica em Direito, mas hoje é na área da comunicação que se distingue. Os Jogos do Rio são já os seus sextos. Tinha 20 anos quando se ofereceu como voluntária para Sydney 2000: "Gostei tanto que voltei a tentar. Depois estive em Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012 e nos Jogos de Inverno de Sochi em 2014. Então recebi um convite para trabalhar com a organização destes Jogos. Estou no Rio há dois anos." Hoje coordena uma equipa de 12 pessoas às quais se juntaram mais 130 voluntários para a fase de competição nos Jogos. É um período intenso para Raquel Nunes. "Ando a dormir quatro/cinco horas por dia. É uma operação longa, pois a abertura das portas do estádio à imprensa tem um horário bastante alargado. Mas isso é próprio das grandes competições. Não é uma realidade que se aplique apenas a estes Jogos do Rio", assegura.

A ligação ao desporto começou no berço. O pai é professor reformado de Educação Física, a mesma profissão do seu irmão. Praticante de ténis e atletismo desde os seis anos, sempre de forma amadora, Raquel Nunes procurou oportunidades nos grandes eventos de atletismo, tendo sido contratada pela IAAF para Mundiais, onde tratava de tudo o que era necessário aos repórteres fotográficos, desde a escolha das melhores posições na pista a toda a parte de comunicações. No Rio assume pela primeira vez a condução das conferências de imprensa. "Até aqui tem corrido tudo bem. Há uma maior proximidade ao atleta, num momento emocional, logo ali colado ao final das provas. Há situações de alegria, mas também as de desilusão. Mas o desenrolar da conferência depende sempre da personalidade de cada um. Os atletas africanos, principalmente as mulheres, são introvertidos na relação que têm com a comunicação social", explica ao DN a portuguesa, uma cidadã do Mundo que no Rio tem o privilégio de estar lado a lado das maiores estrelas do atletismo.

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