Renascido das cinzas, Parma já sonha com o regresso à Serie A

Vencedor de quatro troféus europeus na década de 1990, o emblema gialloblù declarou falência há dois anos, alterou o nome e teve um nuovo inizio na quarta divisão. Já está na Serie B

Início dos anos 1990. O futebol italiano vivia um período áureo, com o Milan de Arrigo Sacchi, a Juventus de Roberto Baggio, o Nápoles de Maradona, a Sampdoria de Vialli, o Inter de Klinsmann e a Fiorentina de Batistuta, além de Roma e Lazio. Ainda assim, o emergente Parma, controlado pela multinacional de produtos lácteos Parmalat, encontrou espaço para ser protagonista a nível interno e fora de portas.
Numa década memorável, o clube conquistou três Taças (1991-92, 1998-99 e 2001-02), uma Supertaça (1999), uma Taça das Taças (1992--1993), duas Taças UEFA (1994-95 e 1998-99) e uma Supertaça Europeia (1999). Faltou apenas o título nacional, que esteve a dois pontos em 1996-97.
O caminho da euforia para a depressão, contudo, foi percorrido em apenas um par de anos. Em 2004, o clube declarou insolvência, após a Parmalat ter entrado em falência, teve de ser refundado e nunca mais foi o mesmo. Quatro épocas volvidas, caiu na Serie B depois de 18 anos entre a elite.


Duplamente vendido por... um euro
O conjunto da região de Emília--Romanha voltaria à elite do futebol transalpino, mas sem a força de outrora. A temporada 2014--2015 primou pelo desastre: começou com o impedimento de participar nas competições europeias devido a atrasos no pagamento de impostos; duas mudanças de proprietários, ao preço de... um euro cada; último lugar na Serie A, prova na qual foi penalizado em sete pontos devido a salários em atraso; e falência declarada em março por dívidas de 218 milhões de euros (dos quais 63 milhões em salários).
A bancarrota ditou o renascer das cinzas, na Série D (quarta divisão), obrigando os gialloblù (amarelos e azuis) à quinta mudança de nome da sua história, de Parma Football Club SpA para SSD Parma Calcio 1913. Um grupo de investidores parmesões criou uma sociedade denominada Nuovo Inizio (Novo Início), com capital social de dois milhões de euros, para gerir o clube, e o antigo treinador da equipa entre 1989 e 1996, Nevio Scala, tornou-se presidente.
Logo na primeira temporada, subiu um degrau, vencendo categoricamente o Grupo D do quarto escalão: 28 vitórias, dez empates e nenhuma derrota. Já a segunda época após a ressurreição, 2016-17, foi um pouco mais complicada, mas culminou em nova promoção, desta vez à Série B, após vencer um play-off que contou com a participação de mais 27 equipas, há cerca de uma semana. "Esta subida foi conquistada com os dentes. Só nós sabemos o que passámos. Se fosse pelo meu irmão Cristiano (antigo internacional italiano), nem sequer tinha disputado a Série D, para não manchar a minha carreira. Mas, mesmo que o recomeço fosse incerto, sempre confiei na reconstrução do Parma", afirmou o capitão Alessandro Lucarelli, 39 anos, o único que continuou na equipa após a falência.
Lucarelli está em final de contrato e ainda não se sabe se vai continuar, mas conquistou o coração dos adeptos parmesões, que não deixaram esfriar a paixão pelo clube, continuaram a povoar as bancadas do Ennio Tardini, bateram o recorde da Série D relativo a bilhetes de época vendidos (nove mil) e festejaram em apoteose a subida à segunda divisão na Praça Garibaldi, onde outrora se celebraram títulos de primeira linha.


"Camisola tem um certo peso"
Consumada a promoção à Série B, já se fala na terceira subida consecutiva e consequente regresso ao patamar maior do calcio. Sem nomes sonantes, à exceção de Lucarelli, o plantel maioritariamente composto por futebolistas experientes poderá receber um reforço de peso: Alberto Gilardino, autor de 56 golos pelo Parma entre 2002 e 2005 e que, aos 34 anos, poderá regressar assim que terminar contrato com o Pescara, no dia 30.
O diretor desportivo Daniele Faggiano não abre o jogo, mas promete não entrar em loucuras e diz que quer "consolidar" antes de "falar sobre a Série A". "Vamos ser cautelosos no mercado. A camisola do Parma tem um certo peso e nem todos os ombros são suficientemente grandes para a carregar", vincou o dirigente. E com alguma razão, a julgar pelos nomes que já a vestiram: Buffon, Crespo, Verón, Cannavaro, Zola, Asprilla, Brolin, Taffarel, Adriano ou Thuram.

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