Reanne Evans faz cair mais uma barreira de género no snooker

Britânica obteve um triunfo histórico na primeira ronda de qualificação para o campeonato do mundo e sonha ser a primeira mulher a competir pelo título no Crucible Theatre

Com 11 títulos mundiais femininos no currículo - 10 deles ganhos de forma consecutiva, a confirmar uma hegemonia sem precedentes -, a britânica Reanne Evans há muito deixou de se conformar com as fronteiras de género no mundo do snooker.

Evans passou a querer medir o seu talento com o dos homens: passou um ano a competir nas qualificações do circuito profissional, conseguiu chegar ao quadro principal do Wuxi Classic, na China, e em 2015 foi pela primeira vez convidada a participar da fase de qualificação para o campeonato do mundo de snooker que decorre anualmente no Crucible Theatre de Sheffield, santuário da modalidade.

Nesse ano, Reanne Evans baqueou por dois meros frames (jogos) frente a um ex-campeão do mundo, o irlandês Ken Doherty (10-8). Mas a inglesa de Dudley, nas WestMidlands, não desistiu de superar os obstáculos de género. Agora, de regresso ao qualifying para o campeonato do mundo, Reanne Evans fez história: nas mesas do complexo de Ponds Ferge, outra sala de Sheffield, ganhou ao finlandês Robin Hull na primeira ronda e tornou-se a primeira mulher a ganhar uma partida na rota de acesso ao Crucible Theatre.

Curiosamente, Evans consegue esta proeza histórica em competição contra praticantes masculinos numa altura em que o seu domínio no escalão feminino começou a ser posto em causa pela asiática Ng On Yee, de Hong Kong, que há duas semanas se sagrou pela segunda vez campeã mundial entre as senhoras, depois de em 2015 já ter interrompido a impressionante série de dez títulos consecutivos de Reanne Evans. Ng On Yee também entrou nesta qualificação, mas não teve hipótese frente ao inglês Nigel Bond, perdendo por 10-1.

Para a britânica Evans, no entanto, o foco virou-se nos últimos anos para a presença no palco mais ambicionado, entre os grandes nomes do snooker, como Ronnie O"Sullivan ou Mark Selby. Com o triunfo sobre o Hull, quarta-feira, Reanne está agora a duas vitórias de poder ser a primeira mulher a fazê-lo.

"Diria que esta é a melhor vitória da minha carreira, sim", rejubilou a inglesa, de 31 anos, após a espetacular vitória que envolveu uma emotiva recuperação quando estava a perder por 8-7 - as partidas são decididas à melhor de 19 frames.

"O Robin é um excelente jogador, muito sólido. Eu ganhei os frames mais caóticos e isso ajudou-me a prevalecer no final. Ganhar da forma como ganhei mexe bastante com os nervos, mas felizmente consegui manter-me sob controlo", explicou a mais titulada mulher do snooker, que já foi casada com o jogador irlandês Mark Allen, atualmente 10.º do ranking profissional, com quem teve uma filha que desde cedo a acompanha para todos os torneios - aliás, Evans foi até campeã do mundo feminina, em 2006, grávida de sete meses e meio.

A tarefa de Reanne Evans para poder chegar às mesas do Crucible Theatre prossegue no próximo domingo, na segunda ronda de qualificação, quando a britânica enfrentar o galês Lee Walker , o atual 92.º do mundo, que superou na primeira eliminatória o inglês Matthew Stevens, duas vezes vice-campeão do mundo, em 2000 e 2005.

"Desde que eu consiga fazer boas séries tudo pode acontecer na próxima semana", antevê, esperançosa, Reanne Evans, que em 2010-11 chegou a participar no circuito profissional masculino, tendo recebido um wildcard para essa temporada, mas, então, nunca conseguiu vencer nenhuma partida dos 18 qualifyings de torneios em que entrou - antes dela, uma outra mulher tinha frequentado as qualificações do circuito profissional masculino, Allisson Fisher, em 1994-95.

"Este não é um desporto físico, como futebol, râguebi ou boxe. Por isso, acho que um dia será possível ver uma mulher a competir pelo título no Crucible", refere Reanne Evans, a inglesa que vai rompendo tabus nas mesas de snooker.

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