"Quero representar Portugal no Circuito Mundial"

A campeã nacional Carol Henrique começou a defesa do título nacional com um triunfo na Ericeira, mas o objetivo da surfista principal da época é o acesso ao Dream Tour. Há três anos em Portugal, lamenta apenas a dificuldade em conseguir arranjar patrocínios.

Tradicionalmente, é difícil o campeão começar a temporada a ganhar. Surpreendeu-a a vitória na Ericeira?

Existe sempre aquela coisa da primeira etapa, a ansiedade para competir, testar pranchas e material, apurar o modo de competição. Eu tinha acabado de chegar da Austrália, não sabia como o mar ia estar, o critério de julgamento e tudo o resto. Mas acho que, agora, posso dizer que correu bem [risos].

Foi uma etapa complicada com mar grande e tempestuoso. Prepara-se especialmente para esse tipo de condições?

Na semana do campeonato fui a Ribeira todos os dias e apanhei até condições piores, pelo que já estava mentalizada, sabia que não ia ser fácil. Estava muito frio e vento e tentei não reclamar, mas mentalizar-me de que era um desafio e ver a coisa de forma positiva. Acordei em todos os três dias de prova às 5h30 da manhã, pelo que foi muito cansativo. Mas tentei levar como uma diversão e dar o meu melhor.

Olhando para o resto do circuito, como o aprecia globalmente? Há uma etapa potencialmente favorita?

Eu queria muito vencer em Ribeira, gosto muito dessa onda, encaixo bem ali e queria muito ganhar. Coloquei isso na cabeça. O circuito ainda está em aberto, são cinco etapas e o nível está a crescer mas é sempre animador começar com uma vitória. A ANS colocou a abertura da Liga em Ribeira porque tem uma qualidade de surf internacional e o resultado foi um show de surf! A ANS está de parabéns por isso.

Quem é a adversária mais complicada na luta pelo título deste ano?

É difícil, pois, por exemplo, a Yolanda [Hopkins], que nem é top 5, chegou a uma final. Isso foi uma surpresa e deixa um recado: todas as miúdas têm capacidade. É claro que a Camila Kemp e a Teresa Bonvalot, porque competem no WQS, são as adversárias potencialmente mais fortes, mas há um lote mais alargado de candidatas.

A prioridade da Carol é o Nacional? Ou prefere as provas internacionais?

Eu estou mais focada nas provas internacionais e no WQS [Circuito de Qualificação Mundial]. Comecei o ano com um 9.º lugar num WQS de 6000 pontos, na Austrália, com 100 das melhores atletas do mundo, pelo que estou motivada para evoluir, ir mais longe e, quem sabe, representar Portugal no Circuito Mundial para o ano.

Chegou a Portugal há três anos e já é campeã nacional. A adaptação ao surf foi mais fácil que na vida do quotidiano ou ambas complementam-se?

Eu, no primeiro ano que competi na Liga senti dificuldade. Não conhecia as praias e no primeiro ano fui quarta no ranking, pensando apenas na preparação para o ano seguinte. O ano passado queria ser campeã, treinei para isso e treinei com esse objetivo, mas não pensei que ganhasse quatro etapas consecutivas. A verdade é que o surf ajudou-me muito. Coloquei o meu foco e objetivos no surf e tudo o resto fluiu naturalmente. Depois, vim viver para Cascais, que é perto das praias e é um concelho que vive muito o surf, pelo que as coisas se encaixaram muito bem.

O facto de ter o seu irmão [Pedro Henrique, também campeão nacional] em Portugal ajudou à integração?

O meu irmão já vivia cá e deu-me todo o apoio e apresentou-me Portugal. Foi muito importante. E ele, como surfista, levou-me a surfar e a conhecer as praias e tive um primeiro contacto muito bom.

Tem sido difícil conseguir patrocínios para uma surfista de origem brasileira, mesmo campeã nacional?

Ao início senti alguma resistência, mas é normal. Com o passar do tempo as pessoas vão gostando de si e reconhecem que você dá valor ao circuito nacional. Relativamente aos patrocínios, se é difícil no masculino, no feminino ainda pior. Se não fosse a ajuda dos meus pais, nunca conseguiria competir no WQS e representar Portugal. Tem de se apoiar mais o surf, tanto no masculino como no feminino, mas isso vai evoluindo e temos cada vez mais espaço.

Qual é o próximo desafio da Carol Henrique?

Objetivos internacionais, quero vencer uma etapa do WQS; tenho treinado para isso e quero poder colocar mais essa estrela na minha carreira. Tenho o Caparica Pro, que é bom poder competir nas ondas portuguesas. E depois sigo para Espanha, para outro WQS. São as minhas próximas metas.

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